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sábado, 7 de fevereiro de 2026

VISITA À ANTIGA LAGOA DA JACOCA

Por Creomildo Cavalhedo Leite

Da esquerda para a direita: Jean Carlos, Domingos, José Venâncio e Creomildo Cavalhedo.

Dia 25 de outubro de 2025 - Oitava viagem ao Maranhão em busca das minhas origens e dos meus Ancestrais.

Este registro fotográfico da visita ao Sr José Venâncio, nascido no dia 21 de abril de 1944, é filho de Alexandre D'lamarck, o Galego casado que foi com Dona Luisa Venâncio, proveniente de Mirador e Pastos Bons, chegando na antiga Data Jacoca, em meados de 1937, próximo ao Povoado da Invenção.

O Sr José Venâncio, nasceu dentro da propriedade chamada Jacoca, do seu genitor e nos relatou várias histórias da "Lagoa da Jacoca", e o que no período das chuvas, a mesma cobria grande extensão de terras e lançava suas águas no rio Preguiça.

O Sr José Venâncio, é um gigante visionário, um verdadeiro guerreiro do Sertão, e nos contou que no dia 26 de outubro de 1986, fez uma bela e corajosa aquisição que, foi a compra de um trator, para trabalhar a terra, atendendo as demandas dos donos de fazendas, sendo um dos primeiros a possuir um trator naquela região.

Fica exarado o meu agradecimento ao Professor Jean Carlos, por gentilmente nos acompanhar até a propriedade do Sr. José Venâncio, adquirida com muita garra e determinação, com objetivo de preservar o legado dos seus pais.

Fiquei de retornar e ouvir outras histórias daquela região que por ali residiram, meus pais:

Laudimiro Leite Neto, 1934-2022, e Maria de Lurdes Santana Carvalhêdo Leite, 1943-2019;

e meus Avós Paternos:

Melchíades de Souza Leite, 1910 e Raimunda Francelina de Carvalho, 1911;

e Avós Maternos:

Hortêncio de Sousa Carvalhêdo, nascido na Sede da antiga Fazenda Jacoca, em 20 de novembro de 1901, falecido em 21 de outubro de 1994, em Santa Vitória município de Barra do Corda Maranhão, casado que foi com Maria Santana Pastora Carvalhêdo 1919-1952.

Todos residiram, nesta grande região, próximos e/ou dentro da grande extensão da área da antiga Data de Sesmaria chamada Jacoca;

Para mim foi um momento singular, a realização de sonho acalentado ao longo de 19 anos de pesquisas empreendidas na busca das minhas origens, hoje posso afirmar que conheço um pouco mais sobre a "Lagoa da Jacoca".

Palmas Tocantins, 8 de fevereiro de 2026.

Creomildo Cavalhedo Leite
Pesquisador genealogista


quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

VESTÍGIOS DA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO POVOADO CREOLI DO SINHÁ

Por Jean Carlos Gonçalves.   

MAPA DO MUNICÍPIO DE COLINAS-1949

À esquerda, foi retirado do Cartograma municipais do Estado do Maranhão, publicado  em 1949, sob a responsabilidade do Instituto Cartográfico Cana Brava,sediado na cidade do Rio de Janeiro, etão capital federal. À direita o mesmo mapa ampliado com destaque na parte superior para o povoado Creoli do Sinhá, município de Graça Aranha-MA, atualmente.

    Recentemente, revirando velhos papiros me deparei com evidências da relevância histórica do povoado Creolí do Sinhá, do município de Graça Aranha-MA. 

      Uma delas é o mapa acima, que representa o município de Colinas no ano de 1949. Ampliando a imagem na parte superior se perceberá o destaque da povoação que se localiza a 6 Km da atual sede de seu município, que sequer fora assinalada na representação cartográfica.

      Acredito que isso não seja suficiente para minimizar a importância história na velha Palestina (Hoje cidade Graça Aranha), até porque temos outras evidências de que na década de 1940, estava consideravelmente povoada, sendo local de desobriga dos missionários religiosos de Colinas, a exemplo do Padre Eurico Bogéa, grande protagonista, que convenceu a comunidade da necessidade de mudar do topônimo de Centro dos Periquitos para Palestina, este também proposto pelo rekigioso. Contudo, por outro lado, o mapa em questão pode ser, ou melhor, é uma prova documental da expressividade do Creoli naquele contexto socioespacial.

     Neste ano de 2025, o povoado está completando 100 anos, pois segundo a memória oral, os primeiros moradores teriam chegado em 1925, ideia que é corroborada pelo Professor José Basílio, o Dedé, que mora no Creoli desde 1972 e sempre teve a curiosidade de conversar com antigos moradores, investigar sobre o início da ocupação do lugar.

Professor José Basílio, guardião da memória do
Creoli do Sinhá e de Graça Aranha-MA.
     Considera-se como pioneiros na ocupação os Srs. Silvestre Cavalcante e Antônio Sebastião da Gama, o Sinhá, que chegaram em 1925 com suas respectivas famílias. Mais tarde chega, por intermédio dos primeiros, o Sr Valentim Rolins, que era tio de Silvestre Cavalcante e cunhado de Sebastião Gama. Valentim, pai do primiro prefeito de Graça Aranha, Nacor Rolins, era deficiente visual, razão pela qual o povoado também é conhecido como Creoli do Cego.

     Cabe ressaltar que o Centro dos Periquitos (depois Palestina e, atualmente, cidade de Graça Aranha), assim como o povoado São Francisco, o Conduru e Os Piaus (Santa Luzia das Matas), já se encontravam estabelecidos.

   Na época do desbravamento daquela parte da Mata do Japão, as supracitas povoações pertenciam desde o final do século XIX ao vasto território de Picos, atual município de Colinas, nome adotado em 1943. Neste mesmo ano, foi elevado categoria de município, o Curador (Presidente Dutra, a partir de 1948), distrito de Barra do Corda desde 1896. Assim, aqueles povoados passaram a pertencer ao novo município em razão da proximidade geográfica.

     Entretanto, no ano de 1952, a Assembeia Estadual aprovou e o governador Eugêncio Barros sancionou a:

"LEI N.° 756 DE 24 DE SETEMBRO DE 1952.

CRIA o Municipio de São Domingos do Maranhão. 
      O Governador do Estado do Maranhão 
    Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte lei: 
   Art. 1.° - é criado o Municipio de São Domingos do Maranhão, constituido pelo atual Distrito de Pucumã, antigo São Domingos, desmembrado dos municipios de Colinas e Presidente Dutra, de acôrdo com os limites fixados na presente Lei.
     Art. 2.° - O municipio de São Domingos do Maranhão fica subordinado ao têrmo séde da Comarca de Colinas.
   Art. 3.° - elevada à categoria de cidade e convertida em sede de Municipio o atual povoado de Pucumă." (GOVERNO DO ESTADO DO MARANHÃO, 1952)

       Dentre outras questões, destaca-se do excerto o fato de que o novo município tem o seu território formado a partir de áreas pertencentes ao município de Colinas e de Presidente Dutra. E por esta razão o Creoli, a então Palestina* e povoações adjacentes passaram a integrar o municipio de São Domingos, cuja sede era o portal de entrada da Mata do Japão, para migrantes, especialmente, flagelados pela seca nos demais estados nordestinos.

       O ano de 1952 foi marcado por uma grande seca, que contribuiu para uma grande explosão demográfica na região. Daí a necessidade e exigência da emancipação de São Domingos.
        No início do ano seguinte o governador do Maranhão, assina o um decreto que prevê a criação de uma subdelegacia de polícia no Creoli do Sinhá, conforme o texto da imagem abaixo.
Retirado do Livro de Leis e Decretos da gestão Governador do Estado Eugênio Barros, 1953.

      O texto consta no Livro de Leis e Decretos do ano de 1953, quando governava o Estado do Maranhão o Sr Eugênio Barros, determinando a criação da subdelegacia de polícia. Mais uma prova documental da relevância histórica do centenário povoado Creoli do Sinhá, do então recém criado município de São Domingos do Maranhão, hoje pertencente ao de Graça Aranha-MA.


segunda-feira, 28 de julho de 2025

Uma Carta, O Retrato de Um Gigante – Coronel Frederico Figueira.

 Por Creomildo Cavalhedo Leite

Frederico Pereira de Sá Figueira

É prazeroso perceber que, os registro do passado da 'Villa de Santa Cruz da Barra do Corda, desperta vivo interesse dos cidadãos(ãs) barra-cordenses. A Princesinha do Sertão, fez História, e os seus heróis realizaram feitos gigantescos, para além das muralhas do tempo, que chegaram aos nossos dias.
Segue um pequeno trecho de uma carta escrita pelo próprio Coronel Frederico Figueria, endereçada ao Acadêmico Publio de Mello, em Recife Pernambuco que dizia:

“Esta nossa incessante faina de lidar com os Livros e os Jornaes, torturando-nos o espírito em locubrações eternas, tem prazeres compensadores. De vez em vez, quando, externuados, relanceamos o olhar pelo horisonte em fóra, procurando, sem achar o termino da viagem. e, desanimados queremos retroceder ou parar, encontramos de súbito na jornada ingrata, o alento de um amigo, de um companheiro não vencido, de um forte, de um esperançoso que nos toma pela mão e nos encoraja a caminhar para diante.
São os vigilantes, as sentinellas, os guardas avançadas dessa legião de obreiros que vivem pelo espírito, a cada passo tropeçam na desillusão, e cedo retrocederiam do caminho emmaranhado de enganos, a si aquelles apóstolos da Idea, os moços, sonhando sempre com o porvir, fortes pela crença, não viessem montar guarda de proteção e abrigo aos que tendem á fraquejar”

Uma pequena partícula de tinta de uma grande tela do Artista das Letras Coronel Frederico Figueira, que lança um pouco de luz sobre este grande líder que, segundo consta em relato seu, escrito e publicado na imprensa maranhense, em defesa da honra, nos fala da terra que ele adotou desde os seus 21 anos, e como utilizou seus talentos e sua pena para deixar para a posteridade um legado. Ele mesmo transmite através de uma reportagem épica, que nos trás detalhes da sua vida, conforme segue:

Explosão de Ódio.
Um excesso de colera fez o sr. Manoel Bandeira, da Imperatriz, atirar-nos pelas columnas do <Diário do Maranhão> as mais acerbas injúrias, os mais grosseiros impropérios.
Tudo quanto uma imaginação doentia possa conceber de mais ofensivo á dignidade alheia, ali se acha estampada".
Desde os 21 annos à velhice, a nossa vida se tem passado modesta e obscuramente nesta cidade (Barra do Corda), que é testemunho insuspeito do nosso procedimento.
Nascido em Picos do Alto Itapecurú, aos 9 annos seguimos para Caxias, aos 16 para S. Luiz do Maranhão e aos 21 para esta cidade, onde desde 1871 fixamos rezidencia.
(...)
Dos 21 aos 57 annos a nossa actividade, a nossa vida particular e pública se tem desenrolado, nesta cidade, onde constituímos família e temos exercido cargos públicos e de eleição popular. Estão ahi os cartórios em que podem ser pedidas folhas corridas do nosso passado, sem receio de serem negadas, porque não pertencemos á cituação dominante. Si esse attestado pode ser francamente pedido acerca da nossa vida pública, da particular o póde da esta localidade.
(...)
Sem ambições de renome, nunca alardemos conhecimento que não possuimos, contentando-nos com o juizo imparcial e sincero da opinião que nos julga. Collaborando em “O Norte”, ao lado do dr Izaac Martins após a ascenção da República, assumimos depois do fallecimento desse intemerato democrata, direcção do semanário que tanto horror causa ao Sr Manoel Bandeira.
A nossa modesta Penna, nós que nos fizemos pelo próprio esforço e que a nós devemos o que somos, tem estado sempre a serviço da causa pública, advogando interesses da zona a que servimos, defendendo direitos postergados, profligando erros e pugnando pela reivindicação da justiça e do direito do Cidadão.
(...)
Aqui moramos a 36 annos; a 14 aqui assentamos em “O Norte” a nossa tenda de trabalho
As nossas aptidões nunca estiveram no serviço de uma causa indigna e nem nossa Penna se rendeu jamais apoliticagem. Combatemos em terreno elevado, digno, superior às paixões partidárias em que, até os sentimentos filiaes são esquecidos para levar em holocausto a dignidade de velho e honrado pae.
Conservamos intactos os nossos princípios políticos sem nunca termos descido ao crime para afastar a luz que obumbra a incapacidade dos nullos.
As nossas mãos nunca se mancharam no sangue de indefesas victimas, que cahem nas emboscadas de planos tenebrosos para deixarem na posição cômoda de depositários do poder público, sicários que deveriam estar arrastando grilhões em infectas galés.
(...)
Aqui, a 36 annos vivemos, podemos ostensivamente dizer que temos sido um elemento de ordem, cooperando com o nosso diminuto prestigio para que a família barracordense continue unida e acatada como uma collectividade que se presa e em cujo seio todos os direitos são respeitados.
Intactos, portanto, devolvemos ao sr. Manoel Bandeira as injúrias e infâmias que nos tem dirigido.
De ora em diante pode caluniar-nos á vontade, inventar factos, architectar injúrias, exgoltar o abjecto vocabulário dos seus doestes pestilentos e impropérios indecentes - que não mais desceremos a responder-lhe. Desejamos empregar em cousas mais úteis o nosso tempo e não queremos aos nossos leitores páginas de escândalo, em vez de conduzil-os por um caminho são, elevado, digno da nossa conduta jornalística.
Além disso, já comprehendemos que o sr. Manoel Bandeira quer fazer celebridade à nossa custa.
De hoje em deante não lhe daremos mais este prazer.
Descomponha-nos muito e á vontade, que não mais o pertubaremos.

Frederico Figueira.
(De “O Norte”, da Barra do Corda.)"

Fonte: Pacotilha (MA) - 1880 a 1909 - Ano 1907\Edição 00234 (1)


Um abraço fraterno.
Palmas-Tocantins, 27 de julho de 2025.
Republicação com acréscimos.
Creomildo Cavalhedo Leite
E-mail: creomildo04@gmail.com

Pesquisador Creomildo Cavalhedo Leite

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Acta da Organização do Partido Republicano da comarca da Barra do Corda.

Por Creomildo Cavalherdo Leite*
Página do Jornal Pacotilha (MA) - 1880-1909 - Ano: 1892\Edição 00094 (1)

Apresento uma página memorável sobre a história de Barra do Corda, escrita pelas mãos do líder politico Frederico Pereira de Sá figueira, o qual registra os fatos de sua época e ao dar publicidade na imprensa maranhense imortalizou, através da sua pena, os nomes dos cidadãos, que no exercício de cidadania, dos direitos políticos, participaram daquela reunião, uma Assembleia Extraordinária, para deliberarem sobre a organização do Partido Republicano de Barra do Corda, em pleno domingo, dia 20 de março de 1892, um ano bissexto que entrou para a história.

Leiamos o relato extraído do Jornal Pacotilha (MA) - 1880-1909 - Ano: 1892\Edição 00094 (1) Página 3/4.

"Aos 20 dias do mês de março de 1892, nesta Villa da Barra do Corda, Estado do Maranhão, reunidos em casa do cidadão Antônio da Rocha Lima, os cidadãos abaixo assignados para o fim de organizarem o Partido Republicano nesta comarca, foi pelo cidadão Rocha Lima declarado o motivo da reunião, salientando a necessidade que tem os povos cultos de si dividirem em partidos arregimentados, que pela sua disciplina, moralidade e união sirvam de óbice aos desmandos do partido que ocupa o poder, o qual sem receio de oposição aos seus actos, jamais governam com o direito e a justiça.
Declarou mais que, estando os cidadãos, presentes em oposição ao actual governo, esta é a ocasião em que se devem agremiar em partido forte e unido para, pelos meios legais, opor resistência moral à política que sustenta o actual governo; pois só assim se podem compreender sinceras e dignas as agremiações politicas e não na ocasião em que se reúnem os bandos precatórios que disputam os proventos oficiais.

Submetido à aprovação dos membros presentes o programa do Partido Republicano desta comarca, foi elle, depois de discutido unanimemente aprovado, e como lei que fica sendo do mesmo partido, vae aqui transcripto.
1º - O Partido Republicano e a agremiação de cidadãos patriotas e independentes residentes na comarca da Barra do Corda.
2º - Seu fim em geral é sustentar as instituições republicanas, as constituições Federal e do Estado; pugnar pela independência, autonomia, manutenção da ordem, paz e felicidade do Estado e do município, de acordo com o systema federativo, que jura defender e manter.
3º - Sendo o município a base do systema federativo a elle consagra o partido toda sua atenção em particular, promovendo o seu desenvolvimento material e moral.
4º - Como agremiação politica atenderá na manifestação do voto ao mérito à capacidade e a virtude, única qualidade que distinguem os cidadãos entre si.
5º - As suas deliberações serão tomadas por uma junta eleita pela maioria dos agremiados. Esta junta obedecerá à um centro Diretor na capital do Estado, com quem se comunicará nas suas relações politicas, e ao ínclito chefe do Partido Republicano em toda a Republica Quitino Bocayuva.

Em seguida pediu a palavra o cidadão Frederico Filgueira e em rápida analise fez o histórico do nosso actual systema de governo, demonstrando que elle mais do que outro qualquer precisa ser vigilante e unida a oposição; que esta é a ocasião de todos os cidadãos patriotas dedicarem à causa pública os seus serviços, trabalharem com denodo e civismo para a organização da Pátria, de modo assegurar nela as instituições republicanas.

Procedida a eleição da comissão directora e seus suplentes, recaio ella nos cidadãos seguintes:
1- Epifanio Moreira de Souza
2- Antônio da Rocha Lima
3- José Francisco dos Santos Vasconcellos
4- Frederico Pereira de Sá Figueira
5- Manoel Ferreira de Mello Falcão
6- Vicente Ferreira d'Araújo Leitão
7- João Manoel de Queiróz Câmara.

Suplentes
1- João Resplandes d'Araújo
2- Manoel Joaquim de Mello Albuquerque
3- Manoel de Araújo Chaves
4- Annibal Nogueira de Souza
5- José Pinto de Souza
6- Raymundo Rodrigues Guimarães
7- Aprigio Escôto Muniz.

Constituída por esta forma a comissão directora, elegeu ella o cidadão Frederico Figueira para servir o cargo de secretário e deliberou que a comissão oficiasse ao Directorio do Partido Republicano nesta villa e pondo a sua disposição os seus serviços.
E para que tudo ficasse constando se lavrou a presente acta que vai assignada por todos os presentes. - Eu, Frederico Pereira de Sá Figueira, secretário, a escrevi.

1- Epifanio Moreira de Souza
2- Antônio da Rocha Lima
3- Frederico Pereira de Sá Figueira
4- Manoel Ferreira de Mello Falcão
5- José Francisco dos Santos Vasconcellos
6- Vicente Ferreira d'Araújo Leitão
7- João Manoel de Queiróz Câmara
8- Manoel Joaquim de Mello Albuquerque
9- Raymundo Rodrigues Guimarães
10- João Resplandes d'Araújo
11- Antônio Pinto de Almeida
12- Annibal Nogueira de Souza
13- José Pinto de Souza
14- Aprigio Escôto Muniz
15- Alvaro Augusto de Figueiredo Breda
16- Izaac Martins Reis
17- Amâncio José Rodrigues
18- Manoel Jerônimo dos Santos
19- Antônio Aureliano Pires
20- Ricardo Leão Pires
21- Luiz d'Araújo Pinto
22- Narciso Francisco dos Santos
23- Sabino Câmara
24- Leovigildo Bernardo da Silva
25- Brígido Alves de Moraes
26- José da Silva Teixeira
27- José do Patrocínio Martins Jorge
28- Felinto de Souza Milhomem
29- Manoel Milhomem de Souza
30- Luiz Henrique Zaine
31- Antonio Manoel Pinto
32- José Lázaro Teixeira
33- Antônio da Silva Teixeira
34- Júlio da Silva Teixeira
35- Epifanio Ferreira da Costa Parrião
36- Pedro Ferreira da Silva
37- José de Paiva Cavalcanti
38- Victoriano Forjó Brabo
39- Thomé Vieira Passos
40-Pretextato Antônio Dino
41- Scipião de Souza Milhomem
42- José Aureliano Pereira
43- Diogo Leão d'Araújo Chaves
44- João de Souza Carvalhêdo
45- Jose de Souza Carvalhêdo
46- Antônio de Souza Carvalhêdo
47- Francisco de Souza Carvalhêdo
48- Trajano Alves Pereira
49- Júlio de Mello Albuquerque
50- João de Mello Albuquerque
51- José de Mello Albuquerque
52- Joaquim de Mello Albuquerque
53- Rodolpho de Mello Albuquerque
54- Cosmo de Mello Albuquerque
55- Ugulino Ferreira da Silva
56- Casimiro Antônio da Silva
57- Martiniano Ferreira da Silva Doce
58- Amaro Pinto Brandão
59- Pedro Bento d'Araújo
60- João Pinto d'Araújo
61- Conrado Resplandes d'Araújo
62- Zacharias Torres Pinto
63- Luiz Bezerra Lima
64- Emiliano Ferreira da Silva
65- Pedro Ferreira da Silva
66- José Vieira de Mello
67- José Ferreira da Costa Parrião
68- José Marques de Negreiros
69- Severo Marques de Negreiros
70- Liberalino Marque de Negreiros
71- Henrique de Souza Negreiros
72- Oliveiros Lopes d'Araújo
73- Torquato Rodrigues da Costa."

       Conhecer a história e seus personagens, para poder preservar o legado, cujo patrimônio imaterial, e cultural, não tem como ser medido e calculado com valores monetários.
Por último, deixo convite, para um exercício genealógico, à geração atual de Barra do Corda, que posam buscar, e identificar seus ancestrais, se foram citados nesta matéria.

Palmas - Tocantins, 6 de junho de 2025.
Creomildo Cavalhedo Leite
E-mail: creomildo04@gmail.com
Creomildo Cavalhed Leite, pesquisador.


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Uma carta em defesa da honra, escrita por Antônio de Souza Carvalhêdo.

Por Creomildo Crvalhedo Leite.

Dez anos depois da imprensa Maranhense, noticiar em suas páginas:

“Um triste acontecimento em Barra do Corda, ocorrido em 27 de maio de 1860, eis que surge uma carta publicada pelo Major Antônio de Souza Carvalhêdo no Jornal: “A Imprensa”, no dia 15 de setembro de 1870, em Teresina, Capital do Piauí, e neste testemunho, evocando lembranças de quando ele ainda bem jovem chegou na Província do Maranhão, nos idos de 1826.

O testemunho da História escrita, é um verdadeiro farol, para melhor iluminar os fatos e feitos dos nossos Ancestrais que, há muito nos precederam e deixaram seu legado.

Eis o teor das linhas publicadas no “Jornal:

‘A Imprensa’ - Publicações Gerais - Ao público.

Senhores Redatores da "Imprensa" - No Jornal "Piauhy" nº 132 de 4 de junho deste ano foi inserido um extenso comunicado, assinado pelo Sr. coronel Antônio Fernandes de Vasconcellos, no qual entre outras asserções, imputa ele ao Sr. João da Cunha Alcanfor o assassinato de uma Índia no Distrito da Barra do Corda, Província do Maranhão! Não posso ser indiferente à vista de uma imputação que além de acintosa, é por demais caluniosa, e propalada contra uma pessoa, cuja honradez nunca foi metida em dúvida pelas pessoas que de perto o conhecem;

Passo portanto a dizer quanto sei a este respeito, visto como sou residente na Província do Maranhão desde o ano de 1826, e creio (que) o Sr. Alcanfor foi habitar aquela Província em 1846, sei do quanto a respeito de suas desavenças lá se deu; sei que ele pode ter alguns erros em sua carreira política, crimes decididamente não.

Em (27 de) maio de 1860, na aldeia dos Índios Guajajaras houve uma grande sedição contra a pessoa de seu diretor o Sr. Alcanfor, na qual houve mortes, ferimentos, roubos e incêndios; e foi tão forte o alarme que o governo mandou o chefe de polícia sindicar do fato. E eu fui seu companheiro de viagem.

Era neste tempo presidente do Maranhão o Sr. Dr. João Silveira de Souza, e chefe de polícia o Sr. Manoel Clementino Carneiro da Cunha, que instaurou o processo sobre o caso ocorrido e pronunciou a 25 indivíduos, inclusive o meu amigo capitão Frederico Augusto de Souza, este como mandante e outros, os índios, como mandatários. Eu fui nomeado pelo chefe de polícia curador dos ditos índios no processo que se lhes instaurou.

Alguns dos inimigos políticos do Sr. Alcanfor despeitados com seus triunfos no vai e vem da revolta, pretenderam tomar uma outra desforra, e ei-los no campo em voltas com a calunia, que apenas serviu para dar-lhe um novo triunfo. Na verdade, assalariaram um mestiço de nome José Lazaro Teixeira para dar em Juízo uma denúncia, indiciando-o criminoso de uma índia no ano de 1856, a pretexto de estar esta (aquela) furtando legumes em sua roça!

Note-se que o denunciante era um cabra patranheiro e que só serviu para apresentar uma denúncia em Juízo, e lá não mais apareceu! Sofreu o Sr. Alcanfor dois processos por esta imputação caluniosa, um em virtude desta denuncia, e o outro por ordem superior, e ambos saíram improcedentes, não obstante estarem seus inimigos no poder.

Note-se mais que ele assistiu pessoalmente à ambos os processos e nenhum dos Juízes processantes o prendeu previamente, como sua inocência se achava gravada na consciência de todos. No último processo depuseram 26 testemunhas, sendo 8 oferecidas na ordem oficial e 18 referidas; quase todas juraram contraproducente, de maneira que o triunfo do acusado foi completo, e o embuste descoberto; e é por um fato desta ordem que se vai a imprensa manchar a reputação de um cidadão que merece consideração social?!

É, pois, evidente que o Sr. Coronel Fernandes foi mal-informado, e seria para desejar, que n'um caso grave, como é este, houvesse mais critério e prudência em descrevê-lo! É quanto me cumpre dizer em abono da verdade.

Independência, 30 de julho de 1870.

Antônio de Souza Carvalhêdo. 

Fonte: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=783765&pesq=%22Barra%20do%20Corda%22&pasta=ano%20186&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=807 

Jornal ‘A Imprensa’: periódico político (PI) - 1865 a 1889

Ano 1870\Edição 00264 – Theresina, Quinta-feira 15 de setembro de 1870, Pág 4/4. 

Palmas – Tocantins, 27 de maio de 2025.

Creomildo Cavalhedo Leite. 

E-mail: creomildo04@gmail.com

Creomildo Cavalhedo Leite


terça-feira, 13 de maio de 2025

Emerson Araújo tomou posse como presidente da Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes (ATLEA), na noite desta sexta-feira, 09/05, no Maison Mineiro em Tuntum-MA.

 

Emerson Araújo tomou posse como presidente da Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes (ATLEA), na noite desta sexta-feira, 09/05, no Maison Mineiro em Tuntum-MA.


Na noite desta sexta-feira, 9 de maio, Tuntum celebrou um marco histórico com a instalação da Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes (ATLEA). O evento, realizado no espaço Maison Mineiro, reuniu autoridades, intelectuais, artistas e membros da comunidade para prestigiar a posse dos acadêmicos fundadores e, especialmente, do professor Emerson Araújo, que assumiu a presidência da instituição.

A criação da ATLEA representa um avanço significativo para a valorização da cultura, da educação e das artes no município. Durante a solenidade, os membros fundadores ocuparam suas cadeiras acadêmicas, cada uma representando personalidades históricas e culturais relevantes para a região. O professor Emerson Araújo, reconhecido por sua dedicação à literatura e à educação, destacou em seu discurso a importância da academia como um espaço de resistência cultural e incentivo à produção artística.

Além da cerimônia de posse, a programação incluiu apresentações culturais, homenagens a educadores e artistas locais, além de pronunciamentos de autoridades municipais e estaduais ligadas à cultura e à educação. A ATLEA nasce com o propósito de fomentar a criatividade e a formação de novos talentos, promovendo concursos literários, saraus, palestras e parcerias com escolas e instituições educacionais.

A fundação da academia representa o desejo coletivo de fortalecer a identidade cultural de Tuntum, resgatando e projetando o patrimônio imaterial do povo tuntuense. A presença da comunidade foi essencial para que essa iniciativa ganhasse força e se consolidasse como referência no estado do Maranhão.

Com a posse de Emerson Araújo e dos demais acadêmicos, a Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes inicia sua trajetória com grandes expectativas e uma agenda repleta de ações voltadas para o fortalecimento da cultura e da educação na região.


terça-feira, 6 de maio de 2025

190 anos depois da Gênese da Fundação de Santa Cruz da Barra do Corda

Por Creomildo Cavalhedo Leite.*
Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Praça Manoel Rodrigues de Melo Uchôa. Esta em homenagem ao fundador de Barra do Corda-MA.

     Tenho cópias de Testamentos, Inventários, Arrolamento e Partilhas de Bens de vários personagens que estiveram presentes na  segunda Povoação Oficial, a partir da segunda quadra do século XIX, com a leva de desbravadores que partiram da antiga Freguesia São Bento dos (de) Pastos Bons, passando pelo Arraial de Campo Largo, à esquerda das barrancas do rio Alpercatas, subindo pela pioneira estrada real que dava acesso as Fazendas São Bernardo e Fazenda São Miguel de Gado vacum e cavalar.

         Implantadas com autorização expressa e às custas do Império após 1820, conforme é citado de forma sucinta e instigante, pelo valoroso Antônio Bernardino Pereira do Lago, Tenente-Coronel do Real Corpo de Engenheiros, nomeado por decreto de 21 de novembro de 1818 de Dom João VI, para servir na Capitania do Maranhão com a missão: 

"de levantar a Carta topográfica da Capitania, (...) acompanhado por seu desenhista, o Tenente Joaquim Cândido Guilhobel, e guiado pelo piloto Cipriano José de Almeida,..." 

"No mesmo ano (1820), fez estabelecer, no distrito de Pastos Bons, duas Fazendas de gado, que em poucos anos aumentaram a produção..." (LAGO, 2001, p. 59-60)

     A Fazenda São Bernardo, cuja abrangência alcançava às cabeceiras do riacho Ourives que deságua no então, Rio da Corda e também nas proximidades da Aldeia Mucura (mais tarde seria batizada com o nome São Lourenço), e também no Povoado Leandro o qual é citado pela autora Carlota Carvalho na sua Obra: "O SERTÃO Subsídios para a História e a Geografia do Brasil." 

         Já o antigo povoado de São Joaquim dos Mellos (atualmente pertencente ao municpio de Tuntum-MA), seria fincado bem como muitos outros, deixo aqui exarado um em especial: o povoado Maracanã. Foi lá que, o Major Antônio de Souza Carvalhêdo (meu Tataravô Materno) e sua família implantaram a sua Fazenda Jacoca, em 1849, e nela o meu Bisavô Materno, Anastácio de Souza Carvalhêdo, Trabalhou com sua família e pelo menos dois dos seis filhos nasceram na sede da grande Fazenda Jacoca, o meu Avô Materno, Hortêncio de Sousa Carvalhêdo e sua irmã Anália de Sousa Carvalhêdo.

     Antes de mergulhar nesta pesquisa, eu tinha curiosidade e indagava: Por que o bravo e destemido Manoel Rodrigues de Mello Uchôa, teria penetrado pela região das Areias em busca do local conhecido como "Forquinha do Rio da Corda"?

          Até então não fazia sentido para mim, hoje vislumbro que para o visionário Mello Uchôa, era a rota mais prática, bem diferente do roteiro empreendido, nas palavras de Carlota Carvalho, que cita: 

"Em 1831, Raimundo Maciel Parente, nascido no Baixo Mearim, subiu este Rio levando muitos escravos africanos e fundou uma fazenda agrícola na confluência de um riacho que nominou Corda." (CARVALHO, 2006, p, 138)

        Raimundo Maciel Parente e muitos outros abnegados e  bravos heróis que permanecem às sombras e merecem, também, o brilho da coroação e reconhecimento pelo legado e das muitas realizações efetuadas naquele tempo cheio de desafios, porém, não fraquejaram., pois os seus feitos até hoje merecem um lugar especial no Panteão dos Heróis de Barra do Corda.

    Parabéns a todos que amam esta bela Cidade e sua rica e profícua história e pelo seu Aniversário de 190 anos.

Palmas Tocantins, 1° de maio de 2025.
Creomildo Cavalhedo Leite.
E-mail creomildo04@gmail.com
Pesquisador Creomildo Cavalhedo Leite.

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(*) Creomildo Cavalhedo Leite, é Funcionário Público do Estado do Tocantins, Pesquisador, Cronista e Genealogista.