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quinta-feira, 16 de abril de 2026

EXTRA! EXTRA! LEIA NO CORREIO DE PICOS! A MATA DO JAPÃO SOB AS LENTES DE JULIO JANSEM - 1913

Por Jean Carlos Gonçalves.

Recorte do cabeçalho de um exemplar do jornal impresso Correio de Picos. Edição de 18/10/1913.
A temática da Mata do Japão sempre me chamou atenção desde os tempos de criança, pois ouvia de meu pai muitas histórias relacionadas à vasta região natural do centro-maranhense, localizada entre os rios Itapecuru e Mearim, assim denominada pelos antigos desbravadores e colonos do sul maranhense e para onde ele migrou partindo do povoado Bacari dos Tavares, município de Barão de Grajaú (região denominada Lá Fora) para o então povoado da Palestina, hoje cidade de Graça Aranha (Mata do Japão), no início de 1952.

Em junho de 1992, meu pai  Martinho Tavares, partiu para o outro plano, aos 74 anos, enquanto eu contava apenas 13. Desde então, ficou uma lacuna insuperável e as hstórias sobre a Zona do Japão ficaram na memória, mas adormecidas até eu iniciar o curso de História na UEMA em 2002. 

A partir dessa nova experência, logo no primeiro período curso fui instigado pelos professores a lançar o olhar para o entorno, a cortejar a história local e regional, ainda pouco investigadas e, assim, a Mata do Japão despertou em mim novamente o desejo de continuar aprendendo sobre estas paragens e passou a ser objeto de minhas preocupações acadêmicas, até porque ninguém, até os dias atuais, se aventurou em pesquisar e publicar um trabalho mais específico e rigoroso sobre a área geográfica da região central do Maranhão. Muito embora, encontremos referências em algumas obras clássicas de nossa historiografia, como em História do Sul do Maranão (1979) e Geo-História do Maranhão (1985) de Eloy Coelho Netto; Caminhos do Gado (1992), de Maria do Socorro Coelho Cabral; Barra do Corda na História do Maranhão (1994), de Galeno Edgar Brandes; Memória das Passagens, de Fonseca Neto(2006); Viajando do Curador à Presidente Dutra (2007), de José Pedro de Araújo Filho. No ano de 2025, o ilustre tuntuense Adilon Alves, em obra autobiográfica sez um breve, mas excelente comentário sobre a área geográfica.

Desse modo, já são mais de duas décadas pesquisando, compilando fontes, referências, enfim, bucando qualquer evidência documental que possa lançar luzes sobre a geografia e a história da Mata do Japão, termo praticamente desconhecido pelas novas gerações, pois desde as últimas décadas do século XX e neste primeiro quartel do século XXI caiu em desuso, no quase esquecimento.

Por outro lado, com o advento das novas tecnologias da comunicação e da informação, especialmente a internet, assistimos a uma nova era no tocante ao acesso a fontes documentais, pois atualmente é considerável o número de instituições como museus, fundações, bibliotecas, etc., que estão digitalizando livros, relatórios, decretos, leis, mapas, jornais, revistas registros de casamento, de nascimento e batismo, etc.

Assim, temos conseguido algumas referências importantes sobre a Mata do Japão e nessa saga ao longo desses anos destaco a Hermeroteca da Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, a Plataforma Internacional de Genealogia Family Search com sede em Salt Lake City, Utah, nos Estados Unidos, e, o Acervo Digital da Biblioteca Benedito Leite, de São Luis-MA. Desta última, consegui há alguns anos edições do jornal da cidade de Picos (hoje a vizinha Colinas-MA), o Correio de Picos, do ano de 1913.

Esse periódico publicou alguns textos do Engenheiro Julio Jansem, que prestou serviço naquele municípo à epoca. O mesmo fora responsável por algumas construções e por demarcações e medições de terras na região, especialmente, no municípios de Colinas e Mirador.

Pouco sabemos sobre o ilustrado Engenheiro, não temos dados biográficos, mas reconhecemos que a família Jansem no Maranhão se destacou nos séculos XIX e XX com membros do clã atuando em setores estratégicos, como na Engenharia, Medicia e no campo do Direito. 

No caso do Drº Julio Jansem, cujos serviços, até onde sabemos, se estenderam ao Piauí e ao Ceará, assinou alguns artigos sobre a Mata do Japão, em que apresentou o potencial natural da região como a abundância de manacias d'água, a regularidade das chuvas, as boas condições climáticas, a riqueza das matas e a fertilidade do solo, mas também do esquecimento/abandono da região pelo Estado, o isolamento resultante das dificuldades de transporte e comunicação em relação ao litoral, e, sobretudo, as condições de vida dos seus habitantes e sobre a necessidade de organizar núcleos de colonização para manter o sertanejo na terra e evitar a migração e também os conflitos agrários em razão da ausência da regularização das propriedades e das terras devolutas do Estado ocupadas pelos posseiros lavradores, além de potencializar o desenvolvimento de várias culturas agrícolas. 

O artigo também tinha explícita necessidade de sensibilizar o Ministro da Agricultura para planejar e executar o sugerido projeto de colonização num momento em que o ciclo da borracha estava em declínio e muitos maranhenses estavam fazendo movimento migratório inverso, regressando à Mata do Japão.

Então compartilho abaixo, mantendo literalmente a grafia original, um dos registros* na íntegra, do Drº Júlio Jansem, a quem a Sociedade Geográfica de Berlim, na Alemanha, conferiu-lhe o título de sócio correspondente, em setembro de 1913.

"NÚCLEO AGRICOLA

Concentração de trabalhadores nacionais na Terras devolutas do Japão, comarca do Alto Itapecuru, Picos, Maranhão.

MARANHÃO

O povoamento do Maranhão limita-se exclusivamente à facha do literal, região onde a salubridade é subordinada, em geral ao grão de paludismo, visto ser baixa, humida, quente e palustre.

Tudo é differente nas terras elevadas do interior. O clima é; pouco secco e temperado, e pode se affirmar sem receio de contestação que o mesmo se presta, como outro qualquer, a vida vegetativa, tanto para o proprio filho da regiao como para o oriundo de outras paragens. O paludismo que reina temporariamente nos habitantes, é devido em boa parte da vida que os mesmos levam, residindo em chopanas de palha situadas nas margens dos rios e riachos perennes, e apparece somente nos mezes das primeiras enchentes; é também devido á extrema idiossincrasia para os mais elementares principios de hygiene. A não ser as enfermidades originadas nalguns pontos, por causas locaes ou pela imprudencia de muitos. O interior do Maranhão oferece aos que o procuram, vida longa e proveitosa, pela riqueza de suas mattas e urberdade de seu solo.

Infelizmente isto é quasi desconhecido e o interior do Maranhão passa aida hoje por doentil, esteril e mesmo inhospito. O contrario entretanto e exacto e parece que os primeiros povoadores prefcriram as rcgiões do littoral, sem duvida pela maior facilidade do commercio com a capital e só muito tempo depois trataram de explorar o interior, encontrando se ainda hoje enormes áreas de terra proprias para a cultura quase deshabitada em sua maior extensão. A fertilidade e exhuberancia do solo é proverbial, soberbas madeiras de construcção encontram-se em abundancia, assim como preciosos metaes e diversas essencias.

Queremos-nos referir a região de terras de propriedade do Estado chamadas Japão. Situadas entre os rios Itapecuru, Mearim e Alpercatas, numa enorme facha de 200 kilometros de extenção, nenhum desenvolvimento apresentam, somente aqui e acolá encontram-se algum povoado izolado, em distancias de 20 a mais leguas, e desperças, pobres chopanas de algum roceiro. Tudo isso devido a falta de regulamentação da venda ou ou aforo das terras publicas, occupadas, porem inultimente, pela rezidência habitual, cultivo do solo e exploração de suas riquzas naturaes. Os habitantes, posseiros das ditas terras com a boa fé de estarem beneficiando a terra inculta que acharam, supondo-a sua, não a tendo devidamente medida e demarcada, com titulos de dominio pleno passado pela autoridade competente, ignoram onde começa o termo que lhe pertence e onde começa o dos visinhos, de forma a estabelecer numa situação o cheia de duvida e nociva a ordem publica.

Frequentemente chegam queixas, mais ou menos fundadas às autoridades de invasões por parte de visinhos dos mesmos acobertados pela natural ignorancia dos seus respectivos limites, dando causa a luctas e represálias.

As terras do JAPÃO são de uma fertilidade espantosa para a polycultura. As produções agricolas são: arroz, algodão, milho, mandioca, feijão e canna de assucar etc. sendo facil de prever muitas outras especies como café, cacau etc. ahi produzirão com excellente resultado. Tambem para o cultivo da Maniçoba estas terras são excelentes e ja existem diversas plantações, umas novas e outras ja sangradas ha anos.

O nosso fito e attrair as vistas do digno e incançavel Ministro da Agricultura sobre esta zona enorme, em proveito do colono nacional, para amparal-o contra o forte, dando-lhes meios para não precisar emigrar. Essa emigração so tem lugar, quando o trabalhador não pode absolutamente ganhar o seu sustento na terra que lhe servio de berço ou quando precisa buscar fora o dinheiro que necessita para o pão de cada dia. A intensidade dessa emigração natural e forçosa iria deminuindo lentamente a proporção que os melhoramentos executados na zona fosse tomando o trabalho menos forçado e consolidando a fortuna dos negocios dos nossos caboclos.

Com a desvarolisação da borracha, muitos dos nossos emigrantes estão imigrando novamente em busca do lar antigo procurando no cultivo do solo o que não possível obter na extração da borracha.

Para a concentração destes homens nesta zona, seria de grande utilidade, o estabelecimento de um Centro Agricola, n’um ponto apropriado nas terras devolutas do JAPÃO em beneficio do trabalhador nacional e organisado segundo os moldes da lei Nº 6455 de 1907 sobre o povoamento do Solo, identicos aos que já estão instalados em diversos Estados da União, inclusive o Maranhão. No numero seguinte trataremos de indicar locaes apropriados para Nucleos Coloniaes; nas terras do Japão.

Julio Jansem

ENGENHEIRO."

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*Artigo publicado no Jornal Correio de Picos em 18 de outubro de 1913. Ano IV; nº 97.

sábado, 21 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL


O dia 21 de março é reconhecido mundialmente como o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de promover a reflexão, o combate ao racismo e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A escolha dessa data remete a um episódio trágico da história contemporânea: o Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na África do Sul, quando dezenas de manifestantes negros foram mortos durante um protesto pacífico contra as leis segregacionistas do regime do apartheid. O acontecimento chocou o mundo e tornou-se símbolo da luta contra a discriminação racial em escala global.

No Brasil, o 21 de março assume um significado ainda mais profundo, considerando a formação histórica do país, marcada pela escravidão e por desigualdades raciais persistentes. A data é um convite à reflexão sobre o racismo estrutural, as desigualdades de oportunidades e a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. Instituições públicas, escolas e movimentos sociais realizam atividades educativas, debates e campanhas que buscam conscientizar a população sobre a importância do respeito à diversidade étnico-racial.

No contexto do Maranhão, essa discussão ganha relevância especial. O estado possui uma forte herança cultural afro-brasileira, presente nas tradições, na religiosidade, na música e nas manifestações populares. Entretanto, também enfrenta desafios relacionados à desigualdade social e racial, o que torna o 21 de março uma data essencial para reforçar a valorização da identidade negra e o combate a todas as formas de preconceito.

Assim, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial não é apenas um marco simbólico, mas um chamado à ação. Ele nos lembra que a luta contra o racismo é contínua e exige o compromisso de toda a sociedade na construção de um mundo mais inclusivo, onde a diversidade seja reconhecida como um valor fundamental.


domingo, 15 de março de 2026

SOUZA BISPO SOB AS LENTES DE EUGES LIMA


Conforme anunciei na última postagem, compartilharei abaixo o texto do historiador Euges Lima sobre o septuagésimo aniversério de falecimento de Sousa Bispo, ainda em 2020. Entretanto, consideramos uma importante síntese sobre o intelectual, aventureiro de longas travessias pelo nosso sertão, que deixou vários escritos acerca do interior maranhense, especialmente no periódico O Sertão que fundou e dirigiu em 1921-22. Uma trajetória breve, pois foram apenas 54 anos neste plano (1896-1950), mas de muita intensidade e entrega ao Maranhão. 

Imagem da primeira edição do periódico O Sertão, fundado em junho de 1921.

A seguir, leiam o texto do renomado historiador Euges Lima.

"70 anos sem Sousa Bispo, o 'raidman' maranhense

Por Euges Lima*

       Há 70 anos, num 15 de julho como este, nos deixava para fazer a sua derradeira viagem, um dos maranhenses mais valorosos daquela primeira metade do século XX, trata-se do ilustre grajauense, Cândido Pereira de Sousa Bispo, mais conhecido nos meios intelectuais como "Sousa Bispo". Ele nasceu no município de Grajaú aos 3 de outubro de 1896 e faleceu em São Luís em 15 de julho de 1950.

       De origem humilde, ele forjou sua própria trajetória, sua "inquietude singular" e o desejo de conhecer o Maranhão e o Brasil o fez percorrer e desbravar caminhos e terras desconhecidas numa raide quase sem precedente. De suas inúmeras viagens pelo interior do Maranhão e do Brasil, Sousa Bispo tomou gosto pela geografia que em sua visão era uma ciência objetiva e causal. Num dos maiores feitos do pedestrianismo brasileiro, o "raidman" maranhense, veio a pé do Rio de Janeiro ao Maranhão, cortando o Brasil central. Levou oito meses para completar sua incrível jornada, chegando conforme havia planejado no dia 28 de julho de 1923, a tempo de comemorar o centenário da adesão do Maranhão a causa da Independência do Brasil.

  O nosso aventureiro do hinterland maranhense e brasileiro, foi advogado, promotor público, geógrafo, historiador, jornalista, escritor, membro consultor do Diretório Regional de Geografia do Maranhão, membro da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, onde ocupou a cadeira de número 11, patroneada por Sebastião Gomes da Silva Belfort. Foi autor de inúmeros artigos em jornais maranhenses e brasileiros, entre seus trabalhos mais importantes e publicados, podemos destacar : "Espinhos de Mandacaru", 1925; "o Dia da Justiça", 1944; "A Ilha do Maranhão", 1947; "A estrutura geológica do Maranhão e a experiência do petróleo", 1949 e "Sertão Judiciário", 1940. Como jornalista, colaborou nos jornais " Folha do Povo"; "Imparcial; " Diário do Norte"; e " Diário de São Luís". Sousa Bispo é um maranhense, antes de tudo, um sertanejo de boa cepa, um forte como disse Euclides da Cunha, que deve ser lembrado e homenageado."


Professor e historiador Euges Lima.

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*Especialista em Teoria e Metodologia para o Ensino de História pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA(2003); ministrou as disciplinas de História Moderna I e História da América II no Programa de Capacitação de Docentes da Universidade Estadual do Maranhão - PROCAD (2001/2002); é graduado em licenciatura plena em história pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (2000). Atualmente é professor de história do ensino médio da Rede Pública Estadual do Maranhão e da Rede Municipal de São Luís; ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM; Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES); Sócio Correspondente Nacional do Instituto Histórico, Geográfico, Genealógico de Sorocaba (IHGGS); Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV); Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias/MA (IHGC); Sócio Correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Goiana (IAHGGO); Sócio Correspondente da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA); membro do Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS/Portugal); Membro efetivo do Conselho Estadual de Cultura do Maranhão, biênio 2017/2019. Tem interesse por História do Maranhão, História do Brasil, História do Cristianismo Primitivo, Nova História Cultural e História Social.

(RE)DESCOBRINDO SOUSA BISPO E A NECESSIDADE DE CONHECER A NOSSA HISTÓRA

 Por Jean Carlos Gonçalves.

Há poucos anos encontrei casualmente um texto de autoria do historiador maranhense Euges Lima, o qual registra os 70 anos de falecimento do exponencial intelectual da primeira metade do século XX, o sertanejo, filho de Grajaú, Sousa Bispo.

Para surpresa de muitos afirmo que o Alto Sertão Maranhense também concebeu grandes intelectuais, que tiveram como inspiração a própria matéria do sertão, seu patrimônio natural, a sua gente. São eles, infelizmente ignorados pela grande maioria, especialmente, pelas gerações mais recentes e, não causa estranheza, se agentes públicos e até profissionais da Educação também ignorarem os memoráveis filhos que lançaram mão da pena e do tinteiro para “cantar” o nosso Sertão, o Maranhão.

Nomes como Parsondas de Carvalho, Carlota de Carvalho, Maranhão Sobrinho, Euclydes Maranhão, Olímpio Cruz, Eloy Coelho Neto, Maria do Socorro Coelho Cabral, Sálvio Dino, e tantos outros, são evidências de que o Alto Sertão distante, historicamente isolado, com grandes dificuldades de comunicação com o litoral e os centros considerados mais dinâmicos, de efervescência cultural, também fora uma região de filhos amantes das letras, da poesia, da história e da geografia, especialmente a nossa, para apresentar aos demais irmãos da Capital e do Brasil as “Bellezas do Meu Sertão”  (1910) como fizera o barra-cordense Frederico Figueira.

O texto de Euges Lima sobre Souza Bispo me direcionou à reflexão: Por que se reluta tanto em ignorar a história, uma vez que se precisa da memória para atribuir sentindo a própria existência?

É substancial conhecer os fatos marcantes, os seus impactos para a vida atual. É preciso reconhecer os sujeitos históricos, os homens e mulheres que deixaram um legado para a cultura do Estado, bem como os processos históricos, especialmente, os movimentos do presente. Aliás, é o processo em curso que resulta nas problemáticas que a humanidade enfrenta, que tanto incomoda e também inquieta nos induzindo a conferir respostas, explicações, soluções para sanar, atenuar os flagelos, de buscar a cura, mas também de buscar o progresso material e institucional.

Assim sendo, iniciaremos conhecendo a nós mesmos!

Na próxima postagem publicarei o breve texto, contudo rico em informações sobre o grande Sousa Bispo, de autoria do historiador Euges Lima.

Até Breve!


quarta-feira, 11 de março de 2026

NOSSO DESAFIO, NOSSA MISSÃO!

 Por Jean Carlos Gonçalves

Já passamos do primeiro quartel do século XXI e persiste, em Tuntum-MA, o problema da falta de produção historiográfica sobre o município.

Embora se encontre alguns trabalhos acadêmicos sobre temáticas específicas, a história do município ainda é passível de investigações mais rigorosas sob o ponto de vista téorico-metodológico, posto que os estudos históricos, até então, tem se limitado a pesquisas aleatórias ou produções de artigos e/ou monografias, objetivando obtenção de notas em trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós-graduação, o que evidencia, portanto, a necessidade de produções mais analíticas acerca de nossa memória histórica.

Tal lacuna, passados 70 anos de emancipação política de Tuntum, urge em ser preenchida.

Neste ano já está em curso o nosso projeto para "arriscar um pouco mais" nesse caminho íngreme (muitas vezes, no escuro) de construção fidedigna de representação do passado, em face da necessidade: 

  • de lembrar do que ora esquecem; 
  • de apresentar o desconhecido; 
  • de (re) interpretar os fatos mediante novos vestígios e evidências;
  • de conservar o patrimônio histórico-cultural;
  • de garantir às futuras gerações o direito "inalienável" a memória.

Assim sendo, sigamos para superar o desafio e cumprir a missão.



sábado, 7 de fevereiro de 2026

VISITA À ANTIGA LAGOA DA JACOCA

Por Creomildo Cavalhedo Leite

Da esquerda para a direita: Jean Carlos, Domingos, José Venâncio e Creomildo Cavalhedo.

Dia 25 de outubro de 2025 - Oitava viagem ao Maranhão em busca das minhas origens e dos meus Ancestrais.

Este registro fotográfico da visita ao Sr José Venâncio, nascido no dia 21 de abril de 1944, é filho de Alexandre D'lamarck, o Galego casado que foi com Dona Luisa Venâncio, proveniente de Mirador e Pastos Bons, chegando na antiga Data Jacoca, em meados de 1937, próximo ao Povoado da Invenção.

O Sr José Venâncio, nasceu dentro da propriedade chamada Jacoca, do seu genitor e nos relatou várias histórias da "Lagoa da Jacoca", e o que no período das chuvas, a mesma cobria grande extensão de terras e lançava suas águas no rio Preguiça.

O Sr José Venâncio, é um gigante visionário, um verdadeiro guerreiro do Sertão, e nos contou que no dia 26 de outubro de 1986, fez uma bela e corajosa aquisição que, foi a compra de um trator, para trabalhar a terra, atendendo as demandas dos donos de fazendas, sendo um dos primeiros a possuir um trator naquela região.

Fica exarado o meu agradecimento ao Professor Jean Carlos, por gentilmente nos acompanhar até a propriedade do Sr. José Venâncio, adquirida com muita garra e determinação, com objetivo de preservar o legado dos seus pais.

Fiquei de retornar e ouvir outras histórias daquela região que por ali residiram, meus pais:

Laudimiro Leite Neto, 1934-2022, e Maria de Lurdes Santana Carvalhêdo Leite, 1943-2019;

e meus Avós Paternos:

Melchíades de Souza Leite, 1910 e Raimunda Francelina de Carvalho, 1911;

e Avós Maternos:

Hortêncio de Sousa Carvalhêdo, nascido na Sede da antiga Fazenda Jacoca, em 20 de novembro de 1901, falecido em 21 de outubro de 1994, em Santa Vitória município de Barra do Corda Maranhão, casado que foi com Maria Santana Pastora Carvalhêdo 1919-1952.

Todos residiram, nesta grande região, próximos e/ou dentro da grande extensão da área da antiga Data de Sesmaria chamada Jacoca;

Para mim foi um momento singular, a realização de sonho acalentado ao longo de 19 anos de pesquisas empreendidas na busca das minhas origens, hoje posso afirmar que conheço um pouco mais sobre a "Lagoa da Jacoca".

Palmas Tocantins, 8 de fevereiro de 2026.

Creomildo Cavalhedo Leite
Pesquisador genealogista


quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

VESTÍGIOS DA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO POVOADO CREOLI DO SINHÁ

Por Jean Carlos Gonçalves.   

MAPA DO MUNICÍPIO DE COLINAS-1949

À esquerda, foi retirado do Cartograma municipais do Estado do Maranhão, publicado  em 1949, sob a responsabilidade do Instituto Cartográfico Cana Brava,sediado na cidade do Rio de Janeiro, etão capital federal. À direita o mesmo mapa ampliado com destaque na parte superior para o povoado Creoli do Sinhá, município de Graça Aranha-MA, atualmente.

    Recentemente, revirando velhos papiros me deparei com evidências da relevância histórica do povoado Creolí do Sinhá, do município de Graça Aranha-MA. 

      Uma delas é o mapa acima, que representa o município de Colinas no ano de 1949. Ampliando a imagem na parte superior se perceberá o destaque da povoação que se localiza a 6 Km da atual sede de seu município, que sequer fora assinalada na representação cartográfica.

      Acredito que isso não seja suficiente para minimizar a importância história na velha Palestina (Hoje cidade Graça Aranha), até porque temos outras evidências de que na década de 1940, estava consideravelmente povoada, sendo local de desobriga dos missionários religiosos de Colinas, a exemplo do Padre Eurico Bogéa, grande protagonista, que convenceu a comunidade da necessidade de mudar do topônimo de Centro dos Periquitos para Palestina, este também proposto pelo rekigioso. Contudo, por outro lado, o mapa em questão pode ser, ou melhor, é uma prova documental da expressividade do Creoli naquele contexto socioespacial.

     Neste ano de 2025, o povoado está completando 100 anos, pois segundo a memória oral, os primeiros moradores teriam chegado em 1925, ideia que é corroborada pelo Professor José Basílio, o Dedé, que mora no Creoli desde 1972 e sempre teve a curiosidade de conversar com antigos moradores, investigar sobre o início da ocupação do lugar.

Professor José Basílio, guardião da memória do
Creoli do Sinhá e de Graça Aranha-MA.
     Considera-se como pioneiros na ocupação os Srs. Silvestre Cavalcante e Antônio Sebastião da Gama, o Sinhá, que chegaram em 1925 com suas respectivas famílias. Mais tarde chega, por intermédio dos primeiros, o Sr Valentim Rolins, que era tio de Silvestre Cavalcante e cunhado de Sebastião Gama. Valentim, pai do primiro prefeito de Graça Aranha, Nacor Rolins, era deficiente visual, razão pela qual o povoado também é conhecido como Creoli do Cego.

     Cabe ressaltar que o Centro dos Periquitos (depois Palestina e, atualmente, cidade de Graça Aranha), assim como o povoado São Francisco, o Conduru e Os Piaus (Santa Luzia das Matas), já se encontravam estabelecidos.

   Na época do desbravamento daquela parte da Mata do Japão, as supracitas povoações pertenciam desde o final do século XIX ao vasto território de Picos, atual município de Colinas, nome adotado em 1943. Neste mesmo ano, foi elevado categoria de município, o Curador (Presidente Dutra, a partir de 1948), distrito de Barra do Corda desde 1896. Assim, aqueles povoados passaram a pertencer ao novo município em razão da proximidade geográfica.

     Entretanto, no ano de 1952, a Assembeia Estadual aprovou e o governador Eugêncio Barros sancionou a:

"LEI N.° 756 DE 24 DE SETEMBRO DE 1952.

CRIA o Municipio de São Domingos do Maranhão. 
      O Governador do Estado do Maranhão 
    Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte lei: 
   Art. 1.° - é criado o Municipio de São Domingos do Maranhão, constituido pelo atual Distrito de Pucumã, antigo São Domingos, desmembrado dos municipios de Colinas e Presidente Dutra, de acôrdo com os limites fixados na presente Lei.
     Art. 2.° - O municipio de São Domingos do Maranhão fica subordinado ao têrmo séde da Comarca de Colinas.
   Art. 3.° - elevada à categoria de cidade e convertida em sede de Municipio o atual povoado de Pucumă." (GOVERNO DO ESTADO DO MARANHÃO, 1952)

       Dentre outras questões, destaca-se do excerto o fato de que o novo município tem o seu território formado a partir de áreas pertencentes ao município de Colinas e de Presidente Dutra. E por esta razão o Creoli, a então Palestina* e povoações adjacentes passaram a integrar o municipio de São Domingos, cuja sede era o portal de entrada da Mata do Japão, para migrantes, especialmente, flagelados pela seca nos demais estados nordestinos.

       O ano de 1952 foi marcado por uma grande seca, que contribuiu para uma grande explosão demográfica na região. Daí a necessidade e exigência da emancipação de São Domingos.
        No início do ano seguinte o governador do Maranhão, assina o um decreto que prevê a criação de uma subdelegacia de polícia no Creoli do Sinhá, conforme o texto da imagem abaixo.
Retirado do Livro de Leis e Decretos da gestão Governador do Estado Eugênio Barros, 1953.

      O texto consta no Livro de Leis e Decretos do ano de 1953, quando governava o Estado do Maranhão o Sr Eugênio Barros, determinando a criação da subdelegacia de polícia. Mais uma prova documental da relevância histórica do centenário povoado Creoli do Sinhá, do então recém criado município de São Domingos do Maranhão, hoje pertencente ao de Graça Aranha-MA.