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quarta-feira, 13 de maio de 2026
A Relevância Histórica da Abolição oficial da Escravidão no Brasil
13 de Maio de 1974: o mais trágico acidente automobilístico da história de Tuntum-MA
Por Jean Carlos Gonçalves.
| Imagem meramente ilustrativa para fins desta publicação. |
Vanduy, 80 anos, estava em pleno gozo de suas faculdades mentais, pois tinha uma memória invejável. Infelizmente nos deixou uma semana após aquela nossa conversa pelo Whatszaap e por ligação direta, vítima de um AVC, ocorrido num logradouro público próximo a sua residência em São Luís-MA.
O conteúdo de nosso diálogo mais uma vez era sobre o tempos idos de Tuntum e o dia 13 de maio evoca muitas lembranças coletivas. Algumas agradáveis, outras tristes, aliás, trágicas e, mesmo ante aos dissabores compreendo que não se pode abdicar de lembrar. Pois reconhecemos que a morte e as tragédias assumem significados além da dor e do sofrimento. Para os existencialistas, como Albert Camus, o sofrimento não possui um significado pronto; o ser humano é quem constrói sentido diante do absurdo da vida. Outros filósofos, como Friedrich Nietzsche, entendiam que a dor pode fortalecer, amadurecer e revelar profundidades da existência que o conforto nunca mostraria. Na psicologia, especialmente em estudos sobre luto e resiliência, observa-se que algumas pessoas conseguem transformar experiências traumáticas em crescimento humano: valorizam mais os vínculos, desenvolvem empatia, mudam prioridades ou passam a enxergar a vida com maior profundidade. Isso não torna a tragédia “boa”, mas mostra que algo positivo pode nascer depois dela. Historicamente, tragédias coletivas também costumam gerar memória, união e consciência social. Muitas comunidades fortalecem sua identidade ao preservar a lembrança de perdas dolorosas. Monumentos, livros, homenagens e relatos históricos existem porque os vivos tentam dar sentido à ausência dos que partiram.
Amante da cultura, o também ex-professor de matemática do Grupo Escolar do Maranhão (Colégio Bandeirante), Vanduy se tornou um precioso amigo e interlocutor sobre a memória coletiva tuntuense, e, uma das temáticas mais provocadas por mim sempre foi o fatídico e mais trágico acidente automobilístico da história de Tuntum-MA.
O dia 13 de maio de 1974 permanece gravado na memória do povo de Tuntum como uma das datas mais dolorosas de sua história. Naquela manhã, um grupo de servidores municipais e professoras seguia viagem rumo a São Luís-MA, em missão ligada à administração pública e à educação. O destino, porém, foi interrompido por uma tragédia que abalaria profundamente toda a sociedade tuntuense.
Segundo Vanduy Morais, que à época além de vereador e presidente da Câmara Municipal, era responsável pelo emplacamento dos veículos do município, também deveria partir naquela madugada de segunda-feira, porém fora convencido por Zeca Coelho, a ficar e, aasim, priorizar a ida de senhoras que tinham pedências mais urgentes a resolver na Capital. O vereador concordou e aceitou serenamente a justificativa.
O ex-vereador Edino Gonçalves relatou que conversou com Zeca Coelho, juntamente com o também saudoso, Mestre Elias, até altas horas da noite que antecedeu a viagem. Gonçalves presenciou quando o primeiro-cavalheiro, convidou a Dona França para fazer a viagem, determinando que a Prefeita Rita Maria, permanecesse na cidade, o que não a agradou, contudo, aceitou. Edino, também relatou que o motorista oficial era o Dedé do Leó, mas em razão das pazes celada entre os irmãos Zeca Coelho e Luis Coelho Neto, o Coelho, que tiveram um pequeno desentendimento, também ficou acertado que Dedé não seria o motorista da viagem, o Coelho.
| Recebendo um mimo de meu dileto amigo e guardião da memória de Tuntum, Edino Gonçalves. |
| Professora Gilza Leda, foi convidada para fazer a viagem, mas decidiu ir noutro veículo dias antes. |
Entretanto, cerca de 5 quilômetros antes da cidade de Miranda do Norte, na BR-135, o veículo em que estavam colidiu violentamente com um caminhão. O impacto foi devastador e provocou a morte de seis ocupantes, além de deixar uma sobrevivente gravemente ferida.
As vítimas fatais foram:
- José Pinheiro Coelho, contador, filho de Alípio e Ana Rita Pinheiro e esposo da então prefeita Rita Maria Saraiva Pinheiro;
- Luís Coelho Neto, o Coelho, contador, irmão de José Pinheiro e motorista do veículo no momento do acidente;
- Marina Morais, professora e secretária do Ginásio Comercial;
- Maria do Socorro Saraiva, professora e esposa do padeiro Osano Saraiva;
- Aparecida Lima, professora e esposa de Antônio Soares Teixeira, o “Teixeirinha”, vice-prefeito (1977-1983), irmão do ex-prefeito Bento Teixeira;
- Aldaíres, costureira bastante conhecida na cidade.
A única sobrevivente foi a comerciante Dona Francisca Ferreira, conhecida popularmente como “França do Neném Barateiro”. Embora tenha sobrevivido ao acidente, carregou sequelas físicas e emocionais pelo resto da vida, vindo a falecer apenas em janeiro de 2023. Sua trajetória tornou-se símbolo vivo da dor e da resistência diante daquela tragédia.
Edino recebeu a notícia pelo rádio. A notícia correu, se espalhou como um um rastíliho de pólvora. Vanduy estava em sala de aula no Colégio Bandeirante. A informação é de que não havia sobreviventes. Morais saiu rápido para Presidente Dutra, onde encontrou a vereadora Maria Amélia Carneiro, a Maroca, que já munida de informações mais precisas lhe confirmou a tragédia.
O acidente causou enorme comoção em Tuntum. Em uma época em que as estradas eram precárias e os recursos de socorro limitados, notícias como essa se espalhavam rapidamente entre famílias e vizinhos, mergulhando a cidade em profundo luto. Muitas das vítimas eram pessoas bastante conhecidas e estimadas, ligadas à educação, à administração pública e à vida social do município.
Os corpos foram velados no auditório do antigo prédio da prefeitura, com excessão de Zeca, que fora velado em sua residência a pedido da jovem esposa, a prefeita Rita Maria. Vanduy afirmou que nunca tinha visto tanta gente num cortejo. Indubitavelmente, a cidade mergulhou numa profunda tristeza e comoção.
Mais de cinco décadas depois, o episódio ainda é lembrado por moradores antigos como o mais grave acidente automobilístico envolvendo munícipes tuntuenses. A tragédia marcou uma geração inteira e permanece como memória coletiva de um tempo difícil, quando sonhos foram interrompidos de maneira abrupta na estrada que levava à capital maranhense.
De modo algum, queremos aqui reduzir o impacto trágico do maior acidente automobilítico em solo tuntuense, que ocorreu em setembro de 2024, quando cinco pessoas da mesma família do povoado Ipu-Iru morreram após um veículo Celta colidir com um caminhão na BR 226. Entretanto, pela quantididade de vítimas, pelas circunstâncias e contexto histórico, o fatídico acidente de 1974 é muito lembrado e deve ser objeto de conhecimento das futuras gerações.
Recordar os nomes dessas vítimas, inclusive agora do meu saudoso amigo Vanduy Moroais e de tantos outros citadinos que viveram e ainda rememoram com consternação um fato tão marcante é também preservar a história de Tuntum e homenagear pessoas que faziam parte da construção social, educacional e humana do município. O 13 de maio de 1974 continua sendo uma data de silêncio, saudade e respeito na memória do povo tuntuense.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
O RIO ALPERCATAS NAS PÁGINAS DO JORNAL “NOTÍCIAS” EM 1934
Por Jean Carlos Gonçalves
De
vida efêmera, o periódico ludovicense Notícias, fundado em março de 1932
pelo jornalista Astolpho Henrique de Barros Serra, o Padre Astolpho Serra, e
fechado em 19 de agosto de 1934. O jornal tinha como redator chefe o
conceituado jornalista e professor do Liceu Maranhense, José Nascimento de
Moraes. Em sua edição do dia 27 de junho de 1934 publicou o interessantíssimo
artigo sobre o Rio Alpercatas de autoria do também jornalista, geógrafo e renomado
advogado grajauense, o Hinterland¹ Maranhense Cândido Pereira de Souza
Bispo.
O texto versa sobre o potencial da navegabilidade do Rio Alpercatas, considerando as suas características e das terras de seu vale, em plena década de 1930, cujo período os nossos sertões ainda enfrentavam grandes dificuldades de comunicação, transporte e, por conseguinte, escoamento das produções agrícolas, em face das poucas e precárias estradas carroçais, além disso, a matéria faz referências a momentos marcantes do Maranhão, como espaço de ocupação e disputas como fora o evento histórico da Balaiada (1839-1841).
Portanto, uma publicação riquíssima
de informações, a qual julgo muito relevante para os todos aqueles que apreciam
a geo-história maranhense, especialmente, e, em nosso caso, a tuntuense, pois
como se sabe 21% das terras do município de Tuntum, ao sul, tem suas águas
drenadas para o Alpercatas, que forma a mais significativa sub-bacia da grande
bacia do Itapecuru. Então, com satisfação compartilho aqui mais uma das pérolas
encontras nas jazidas da perquirição histórica do Sertão maranhense. Segue a artigo, o qual procuramos manter a grafia original. Boa leitura.
Recorte do cabeçalho do períodico da Capital maranhense NOTÍCIAS. Edição de 27/06/1934 |
O
Rio Alpercatas
A sua navegabilidade
Do
sol-poente para o sol levante, molhando o solo dos soberbos pastos-bons da
formosa terra maranhense, corre, as águas cristalinas e friorentas, o Rio
Alpercatas, rumo ao Itapecuru.
O
mais possante, o mais caudaloso tributário daquele vigoroso conduto fluvial, o
Alpercatas tem a sua nascente na encosta oriental do paredão rubro e pedregoso,
em cujo cimo demora, ha mais de século, a fazenda Morro-Vermelho, teatro das
sangrentas e lúgubres façanha dos “bemtevis” contra os rebeldes e ainda hoje
caluniados de balaios, A suas águas perenes matam a sede dos gados nédios² que
pastam ao longo do vale recortado por dezenas de córregos e brejos.
Banhando
três ricos municipios – Barra do Corda, Mirador e Picos – o Alpercatas, em cuja
bacia habitam milhares de pessoas que aguardam a facilidade de transportes para
demonstrar que coragem e energias não faltam aos filhos do sertão desamparado.
– não é inascessível.
Núcleos
de gente laboriosa e bôa se adunam nas ribanceiras e se irradiam pelos baixões
verdosos – onde as terras de lavrança humentes, gordas, são aproveitadas ainda
por processos rotineiros que não pagam a pena do esforço gasto.
O
automóvel aligero e fonfonante, já rodou pelos cumes divisórios da vertentes do
Mearim e do Itapecuru. Mas não logrou aliviar o fardo do lavrador e creador
sertanejos.
As estradas carroçáveis, as rodovias, no interior longinquo apenas teem servido para viagens de recreio de quem não trabalha de sol a sol como o filho daquelas alti-planuras queimadas pelas soalheiras inclementes.
Sem metodo, sem a responsabilidade do transporte em viagens regulares, os poucos que se aventuram á exploração rodoviaria, abandonam-na por falta de renda.
E
se não pensa nas arterias fluviais. Os rios são relegados ao esquecimento. De
longe em longe uma igaraté ao impulso de remos, ou de varas, sobe a corrente
sem um fim lucrativo e sério: é o divino espirito santo a fazer o seu giro de
morada em morada; é a visita a pessôas amigas nos dias santificados.
As
emprezas de navegação não se formam, por falta de estimulo. A iniciativa
particular a não ser o Tocantins, Mearim e Itapecuru, Parnaíba e Balsas não se
anima ao grande cometimento.
O
rio Turiassu é navegavel até muito acima de Santa Helena.
O
Maracassumé e os demais do noroeste só refletem no espelho de suas aguas, assim
mesmo até onde inflam as marés, as velas remendadas de barcos princitivos.
Assim é o Munim.
No
Alpercatas, nem isso. Só as balsas, prenhes de produtos de lavaura, descem para
Picos duas leguas á jusante de sua barra.
Um
rio que permite viagens a balsas – póde ser estreito, ou voltívolo³,
nunca inavegável. Pois no formoso Alpercata com mais de 50 leguas de curso, as
balsas viajam, sem tropeços, carregadas, da fazenda Genipapo a Picos,
percorrendo de “bubuia”ᶣ, mais de 25 leguas.
Sem
uma só itaipaba⁵, o leito do principal afluente do Itapecuru é cavado
entre ribanceiras firmes. O rio já fez o seu leito, e não se perde pelos campos
e matas, na faina mortífera de vomitar pantanos.
As
populações que habitam as suas margens são laboriosas: criam gados, e plantam
não só algodão e legumes, mas exportam tambem o delicioso café. A a terra é
propria para o seu cultivo.
Em
vez de estradas carroçaveis para se encherem de matos nas primeiras chuvas, o
que convem aos poderes municipaes é cuidar da navegação.
O
Itapecuru até Mirador, e o Alpercatas até o Genipapo⁶ ou mais acima – até Guariba,
são francamente navegáveis.
Limpem-se-lhes
os leitos e teremos navegação proveitosa, eficiente durante os dôze meses do
ano.
Cumpre
ao dr. Acesio Rego, digno prefeito de Picos⁷, trabalhar para tornar
realidade este sonho fagueiro.
Substituir
as balsas por barcos tangidos a motores, é descobrir inesgotavel fonte de renda
nos rios Alpercatas e Itapecuru.
SOUZA BISPO
________________________
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A ATLEA RECEBE PROFESSORA E ESTUDANTE POETA DO COLÉGIO MILITAR TIRADENTES DE TUNTUM-MA
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A
Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes (ATLEA) teve a honra de receber,
em sua sede, a visita do jovem estudante Wasley
Lima, de apenas 14 anos, aluno do 9º ano do Colégio Militar Tiradentes
de Tuntum – MA. Acompanhado da professora Rose
Vieira, o visitante protagonizou um momento de grande significado para a
valorização da juventude e da produção artística local.
Durante o encontro, Wasley, que reside com os pais no povoado Cigana, município de Tuntum, apresentou suas
poesias e desenhos, revelando sensibilidade, criatividade e um olhar atento
sobre o mundo que o cerca. A recepção foi conduzida pelo presidente da ATLEA, Emerson de Araújo Silva, e pelo vice-presidente,
Jean Carlos Gonçalves, que acolheram o
jovem com entusiasmo e reconhecimento pelo seu talento precoce.
Em um diálogo produtivo e inspirador, que
se estendeu por mais de uma hora, foram compartilhadas experiências, reflexões
e orientações voltadas ao incentivo da leitura, da escrita e da continuidade
dos estudos. O jovem poeta demonstrou notável interesse, disciplina e foco,
características que apontam para um futuro promissor no campo das letras e das
artes.
Como forma de incentivo e reconhecimento, o
presidente presenteou Wasley Lima com dois livros de sua autoria, gesto
simbólico que reforça o compromisso da Academia com a formação de novos leitores
e escritores.
A visita reafirma o papel da ATLEA como espaço de acolhimento, diálogo e estímulo à cultura, especialmente entre as novas gerações, fortalecendo os laços entre educação, arte e comunidade.
![]() |
| O jovem poeta Wasley Lima |
sábado, 18 de abril de 2026
Extra! Extra! Extra! Leia no Correio de Picos!! - ARTIGO DO ENGENHEIRO JULIO JANSEM SOBRE A MATA DO JAPÃO - 1913.
A matéia mais uma vez aborda sobre a Mata do Japão numa riqueza de detalhes impressionante. Aprecie a leitura, cujo texto conservamos sua escrita original.
Assim sendo, aprecie o texto, faça reflexões e tire suas próprias conclusões. Se possível, deixe comentários.
"NÚCLEO AGRICOLA
Concentração de trabalhadores
nacionais na Terras devolutas do Japão, comarca do Alto Itapecuru, Picos,
Maranhão.
Distando da cidade de Picos 50
kilometros, está situado o povoado de São Domingos. A estrada que para ahi
conduz é completo de sinuosidades e passa pelas fazendas Canto do Talhado,
Caraybas e Cachimbos. É esta a estrada comercial para a cidade de Pedreiras no
rio Mearim como tambem para o Codó no rio Itapecurú. O povoado compõe-se de
cerca de 80 cazas situadas nas imediações das lagôas seguintes: S. Domingos, S.
Cruz, Comprida e Descanço, lagôas estas q’ secam no verão, apenas as duas
primeiras sustentam agua de um ano para o outro. A agua é boa e a não ser
tirada das lagoas, encontra-se ella em abundancia com pouca profundidade,
podendo dar optimo resultado os poços tubulares.
Em quase todo o percurso da estrada,
desde Picos observamos que os terrenos são ferteis, salvo em raros trechos, que
não são de nenhuma sorte improductivos.
Todo terreno é cortado por poucos
extensos baixões que são fertilissimos e frescos como demonstram as roças de
arroz, algodão, milho e mandioca que as cobrem.
Quanto a estação chuvosa é
favorável, a produção de cereaes é extraordinaria e não se receia de comparação
com a dos frescos e uberrimos terrenos muitas de serranias.
Em S. Domingos e mais moradias dos
aredores é incontestavel a lavoura que mais interesse disperta.
Estamos convencidos de que nella
repousa, de facto, o futuro do Japão. O seu clima, as suas condições
meteorológicas, a natureza de suas terras, tudo indica que a lavoura pode
desenvolver em grande escala, graças a um certo numero de circumstacias que lhe
são favoráveis. Podemos citar entre estes: clima quente temperado, temperatura
media de 28 a 30°C, altitudes oscilantes entre 180 a 250 mtrs., chuvas
abundantes apenas durante 4 mezes pos anno, dias de sol intenso e muita luz.
São em geral terrenos avermelhados argilosos-siliciosos e em logares em que esta terra com certa porcentagem de
areia, são ellas aproveitadas com magnifico resultado para o cultivo do
algodão, mandioca, fumo maniçoba. Infelizmente não nos é possivel dar uma ideia
de todos os recursos que as terras devolutas do Japão despoem para o seu
desenvolvimento futuro. Faltam-nos para isso dados exactos, informações dignas
de fé, isentos desses exageros tão communs entre nós e principalmente uma
observação pessoal, demorada dessa região.
A industria pastoril nesta zona vai
declinando dia a dia devido a grande peste de carrapatos e bernes que
infecciona as mattas e cerrados, peste como na ha igual em todo o Brazil.
Devido a esta circumstancia tão prejudicial a criação do gado vacum, ainda
impera entre nós a queima dos mattos. Dizem os criadores que no anno em que não
se torna geral a queima, a criação não progride, o gado conserva-se magro e a
venda da boiada é nulla, não alcançando preços rasoaveis. Demonstra claramente
que a zona do Japão sendo propria para a lavoura, não deveria ser utilizada
para a creação que para esta industria temos campos apropriados no extremo sul
do Estado onde não existe berne nem carrapatos.
Torna-se forçoso que os poderes
publicos attendam a uma organização florestal e que os povos se convençam da
utilidade de conservarem determinadas áreas de mattos, não somente por si uma
riqueza, como tambem um conservador dos mananciais.
Somos de parecer que a colonização
do trabalhador nacional nesta zona não está sujeita a máo êxito. Bom solo,
clima saudavel, mercado próximo, pois dista da cidade de Picos 50 kilometros,
relativa facilidade de se aperfeiçoar o caminho vicinal e grande abundancia de
madeira para obras.
Embora afastado algumas couza do
mercado consumidor pode-se entretanto por em comunicação o centro com o rio
Itapecurú por uma estrada de rodagem, diminuindo assim a distancia em 20
kilometros.
Não desejamos nos alongar em
considerações, que numeros não podem positivar sobre o futuro do Japão tão
imperfeitamente estudado. Sobre ele repousam em grande parte as esperanças de
quanto desejam ver prosperas e felizes estas terras incultas.
Concorria com bom contijente o
levantamento de um mappa da área por ele abrangida, (pois todas que existem são
imperfeitas,) na qual ficassem devidamente determinadas as coordenadas dos seus
pontos importantes, projectados, mediantes levantamentos parciais, o curso de
seus rios e seus afluentes, e verificadas as distancias exactas entre nucleos
povoados e as cidades na margem do Itapecurú e Mearim, para onde escoam todos
os produtos de sua industria.
Claro é que, dispondo o Japão de
terras de uma fertilidade incontestavel e cobertos em maior parte de mattas
virgens, riquezas mineraes e vejetaes as mais variadas terá um futuro imenso
diante de si no dia em que ondas de imigrantes acompanhando de perto o
estabelecimento de vias férreas, se derramarem por estes sertões disertos ainda
e ignorados em maior parte.
Elles constituirão de futuro, em
recurso para o extravasamento das populações de outros estados.
Consideramos como terminados, sob o
ponto de vista geral à descripção da zona de S. Domingos situada entre o
Itapecuru e o Mearim, e conscios do bom acolhimento do exposto, ficamos
convencidos de que o Dr, Ministro da Agricultura tome em consideração tão justo
pedido o qual fica tambem extendido aos dignos representantes federaes por este
Estado, dotando as terras do Japão com estes melhoramentos afim de concentrar o
pobre lavrador nacional, protegendo-o contra os abusos do forte encaminhando
assim o emigrante nacional para as terras devolutas desta zona.
O Governo do Estado podia ceder ao
Governo Federal em troco de outros favores, áreas determinas no Japão pois
nenhuma vantagem aparece, tem actualmente sobre as ditas terras devido sobre a
falta de regulamentação para a venda e aforo dellas.
Se o poder competente julgar conveniente
aproveital as para a colonização nacional, é necessario percorrel-as mais
demoradamente para se escolher mais precisamente os locaes mais apropriados.
Completando o presente artigo, vamos
dizer duas palavras sobre a cidade de Picos. Esta cidade é incontestavelmente,
a que, por todos os pontos de vista melhor impressiona o viajente da zona do
extremo sul do Maranhão. Bem collocada, bem arejada, dispondo de casas
regulares e ruas largas, tudo aqui produz agradavel impressão. O rio itapecurú
faz o seu abastecimento d’agua. A cultura do algodão se faz aqui em grande
escala. Alem disto; Picos compra quasi todo producto dos municipios vizinhos.
Os seus arredores são muito povoados. É de lastimar a falta de transporte rapido
pondo em comunicação directa esta cidade com a de Caxias. Ella é merecedora de
ser favorecida pelo Governo do Estado, a vista da fertilidade de seu solo e condições
climatericas.
Julio Jansem
ENGENHEIRO."
___________
Fonte: Jornal Correio de Picos. Edição de 1º de novembro de 1913. Ano IV; nº 98.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
EXTRA! EXTRA! LEIA NO CORREIO DE PICOS! A MATA DO JAPÃO SOB AS LENTES DE JULIO JANSEM - 1913
Por Jean Carlos Gonçalves. |
| Recorte do cabeçalho de um exemplar do jornal impresso Correio de Picos. Edição de 18/10/1913. |
O povoamento do Maranhão limita-se
exclusivamente à facha do literal, região onde a salubridade é subordinada, em
geral ao grão de paludismo, visto ser baixa, humida, quente e palustre.
Tudo é differente nas terras
elevadas do interior. O clima é; pouco secco e temperado, e pode se affirmar
sem receio de contestação que o mesmo se presta, como outro qualquer, a vida
vegetativa, tanto para o proprio filho da regiao como para o oriundo de
outras paragens. O paludismo que reina temporariamente nos habitantes, é devido
em boa parte da vida que os mesmos levam, residindo em chopanas de palha
situadas nas margens dos rios e riachos perennes, e apparece somente nos mezes
das primeiras enchentes; é também devido á extrema idiossincrasia para os mais
elementares principios de hygiene. A não ser as enfermidades originadas nalguns
pontos, por causas locaes ou pela imprudencia de muitos. O interior do Maranhão
oferece aos que o procuram, vida longa e proveitosa, pela riqueza de suas mattas
e urberdade de seu solo.
Infelizmente isto é quasi desconhecido
e o interior do Maranhão passa aida hoje por doentil, esteril e mesmo
inhospito. O contrario entretanto e exacto e parece que os primeiros povoadores
prefcriram as rcgiões do littoral, sem duvida pela maior facilidade do
commercio com a capital e só muito tempo depois trataram de explorar o
interior, encontrando se ainda hoje enormes áreas de terra proprias para a
cultura quase deshabitada em sua maior extensão. A fertilidade e exhuberancia
do solo é proverbial, soberbas madeiras de
construcção encontram-se em abundancia, assim como preciosos metaes e diversas
essencias.
Queremos-nos referir a região de
terras de propriedade do Estado chamadas Japão. Situadas entre os rios
Itapecuru, Mearim e Alpercatas, numa enorme facha de 200 kilometros de extenção, nenhum desenvolvimento apresentam, somente aqui e acolá encontram-se algum
povoado izolado, em distancias de 20 a mais leguas, e desperças, pobres
chopanas de algum roceiro. Tudo isso devido a falta de regulamentação da venda
ou ou aforo das terras publicas, occupadas, porem inultimente, pela rezidência
habitual, cultivo do solo e exploração de suas riquzas naturaes. Os habitantes,
posseiros das ditas terras com a boa fé de estarem beneficiando a terra inculta que acharam, supondo-a sua, não a tendo
devidamente medida e demarcada, com titulos de dominio pleno passado pela autoridade
competente, ignoram onde começa o termo que lhe pertence e onde começa o dos
visinhos, de forma a estabelecer numa situação o cheia de duvida e nociva a
ordem publica.
Frequentemente chegam queixas, mais
ou menos fundadas às autoridades de invasões por parte de visinhos dos mesmos
acobertados pela natural ignorancia dos seus respectivos limites, dando causa a
luctas e represálias.
As terras do JAPÃO são de uma
fertilidade espantosa para a polycultura. As produções agricolas são: arroz,
algodão, milho, mandioca, feijão e canna de assucar etc. sendo facil de prever
muitas outras especies como café, cacau etc. ahi produzirão com excellente
resultado. Tambem para o cultivo da Maniçoba estas terras são excelentes e ja
existem diversas plantações, umas novas e outras ja sangradas ha anos.
O nosso fito e attrair as vistas do
digno e incançavel Ministro da Agricultura sobre esta zona enorme, em proveito
do colono nacional, para amparal-o contra o forte, dando-lhes meios para não
precisar emigrar. Essa emigração so tem lugar, quando o trabalhador não pode
absolutamente ganhar o seu sustento na terra que lhe servio de berço ou quando
precisa buscar fora o dinheiro que necessita para o pão de cada dia. A
intensidade dessa emigração natural e forçosa iria deminuindo lentamente a
proporção que os melhoramentos executados na zona fosse tomando o trabalho
menos forçado e consolidando a fortuna dos negocios dos nossos caboclos.
Com a desvarolisação da borracha,
muitos dos nossos emigrantes estão imigrando novamente em busca do lar antigo
procurando no cultivo do solo o que não possível obter na extração da borracha.
Para a concentração destes homens
nesta zona, seria de grande utilidade, o estabelecimento de um Centro Agricola,
n’um ponto apropriado nas terras devolutas do JAPÃO em beneficio do trabalhador
nacional e organisado segundo os moldes da lei Nº 6455 de 1907 sobre o
povoamento do Solo, identicos aos que já estão instalados em diversos Estados
da União, inclusive o Maranhão. No numero seguinte trataremos de indicar locaes
apropriados para Nucleos Coloniaes; nas terras do Japão.
Julio Jansem
ENGENHEIRO."
______________sábado, 21 de março de 2026
DIA INTERNACIONAL PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL
O dia 21 de março é reconhecido
mundialmente como o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação
Racial, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas com o objetivo
de promover a reflexão, o combate ao racismo e a construção de uma sociedade
mais justa e igualitária.
A escolha dessa data remete a um episódio
trágico da história contemporânea: o Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960,
na África do Sul, quando dezenas de manifestantes negros foram mortos durante
um protesto pacífico contra as leis segregacionistas do regime do apartheid. O
acontecimento chocou o mundo e tornou-se símbolo da luta contra a discriminação
racial em escala global.
No Brasil, o 21 de março assume um
significado ainda mais profundo, considerando a formação histórica do país,
marcada pela escravidão e por desigualdades raciais persistentes. A data é um
convite à reflexão sobre o racismo estrutural, as desigualdades de
oportunidades e a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção da
igualdade racial. Instituições públicas, escolas e movimentos sociais realizam
atividades educativas, debates e campanhas que buscam conscientizar a população
sobre a importância do respeito à diversidade étnico-racial.
No contexto do Maranhão, essa discussão
ganha relevância especial. O estado possui uma forte herança cultural
afro-brasileira, presente nas tradições, na religiosidade, na música e nas
manifestações populares. Entretanto, também enfrenta desafios relacionados à
desigualdade social e racial, o que torna o 21 de março uma data essencial para
reforçar a valorização da identidade negra e o combate a todas as formas de preconceito.
Assim, o Dia Internacional para a
Eliminação da Discriminação Racial não é apenas um marco simbólico, mas um
chamado à ação. Ele nos lembra que a luta contra o racismo é contínua e exige o
compromisso de toda a sociedade na construção de um mundo mais inclusivo, onde
a diversidade seja reconhecida como um valor fundamental.








