Por Olímpio Ribeiro Fialho.
| Imagem meramente ilustrativa |
Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU
Com a modestia de uma vida de trabalho, ordem e honestidade que tem
merecido respeitoso acatamento de quantos homens de bem se me tem aproximado,
Cotonière Brasil Limitada foi encontrar-me na minha Barra do Corda,
aproveitando-me nos meus serviços de expansão commercial naquela região do
Mearim.
Em julho do ano próximo passado, confiara-me com uma remuneração
inicial de 1:000$000para o período de de 15 de Julho a 31 de Agosto daquele
anno e 600$000 mensaes de então por diante, os estudos preliminares dependentes
de sua aprovação, da execução de um plano de estradas, para peões e tropas em
sentido convergente, aos centros de producção da zona do Japão – margem direita
do Mearim – oito léguas acima de Pedreiras – hoje ponto commercial
importantíssimo onde viera ser localizada a mais movimentada das filiaes da
firma naquela região – serviço esse em que eu deveria receber sugestões e
numerários do gerente de S. Raymundo, Osvaldo Teixeira Mendes.
A 21 de Julho já referido, tive expediente da importante casa franceza
para atacar aquelles serviços assegurando-me o Sr. P. Jordain que no curso dos
mesmos, melhorariam a minha remuneração assas minguada, que comprehendia
funcção technica e administrativa, pois todo o serviço era estudado, dirigido e
fiscalisado por mim.
Das instrucções transmitidas ao gerente de S. Raymundo, a quem me
apresentei 5 dias depois, resultou o plano em que em 21 de Setembro immediato
já lhe era por mim apresentado, inclusive a demarcação de um terreno com a área
de 1 quilometro quadrado em utensílios, reclamada por aquelle gerente.
Os estudos preliminares comprehenderam o reconhecimento de toda a
região que podia interessar ao futuro ponto comercial de Marianopolis, cuja
aquisição ficara como que dependendo da praticabilidade daquelle systema de
communicação e transporte, com o aproveitamento do respectivo porto de
embarque. Esse serviços preliminares, foram em detalhe, os caminhamentos de S.
Raymundo, pela margem direita do Mearim a Marianopolis, com referencia aos
núcleos intermediários (S. Felix, Pau D’Arco, Maribondo, S. Miguel, Sapucaia,
Mocegos, Pacas, Guariba) – Marianopolis á região das mattas do Japão, a
Curador, n’uma oercorrida de 66 Kilometros, com referencia a numerosos núcleos
de população agrícola (Mandacaru, Itaipoca, Latada, Lago do Coco, Capim,
Siunauma, Couro D’Anta, Lagoa Queimada, Genipapo, S. Joé dos Basilios, Santa
Luzia, Centro do Cypriano, Tambory, Fazenda Nova, Coco do Manoel, Estevam,
Lustrão, Sapucais (próximo a Curador), Fortaleza, Curador, Matta Velha, Pedro
II, Tum-Tum, Arroz, São Paulo, Mucunã) com “croquis” das configurações de
trechos, inclusive rio e levantamentos parciaes que orientaram e mereceram
aproveitamento na execução das obras ahi projectadas, com a despeza geral
(pessoal e material) de rs. 3.463.300 – importância essa comprehensiva do meu
ordenado, no total de rs. 1:420.000. Verifica-se que o custo de todos os
estudos e trabalhos de campo, inclusive o da demarcação de utensílios, com o
respectivo mappa topographico realizado em 51 dias, é simplesmente de Rs.
....... 2:076.300.
As distancias vencidas por mim, acompanhado de um homem, á diária de
1.500, ora a pé, ora montado, cerca de 600 Kilomentros, sendo distancias de ida
e volta aos pontos de referencia 255 kls, 800 ao que se devem tomar addicionar
as distancias, de volta aos pontos de partida, desvios e retificações
approximadamente de 350 Kilomentros. Dessa despeza a parcella de 813$800
corresponde a viveres, utensílios, ferramentas, de 30 de Julho a 18 de
Setembro, tendo a demarcação occupado 14 homens que prestaram 113 dias de
serviço ao preço de 3$000 e alimentação.
Approvado o plano de despezas desse relactorio-projecto bem assim o da
demarcação, cujas referencias especiaes constam do relactorio de 15 de Outubro
dirigido àquelle gerente, passei a phase executora.
A 28 DE Setembro, quando dei por terminado o resto de serviço que
consistia na colheita de dados para o respectivo esboço topographico enoctei,
com a turma que serviu na demarcação, a restauração da antiga e abandonada
estrada que, naquella região, desce de Barra do Corda, no trecho comprehendido
entre Bom Logar e Marianopolis. O trecho Utensilios a Marianopolis – 11, kls.
260 foi beneficiado por 29 trabalhadores em 109 dias-operarios. O de Utensilios
a Bom Logar (rio acima) mede 3kls.260 e foi beneficiado por empreita a razão de
35$060 o Kilomentro.
Nesse trecho e no outro até Marinopolis encontra-se Bom Logar, Frito,
Utensilios, Cazuza, Lambedouro, Beira do Flores e Mandacaru. De Bom Logar a
Marianopolis o total de estrada beneficiada, mede 14kls.460 inclusive a parte
que liga a velha estrada ao ponto fronteiro do porto de Utensilios. O serviço
entre esses dois logares conclui-se a 18 de Outubro, ficando a estrada
convenientemente alargada, levantada e medida.
A 19 de Outubro dei começo ao levantamento e medição da estrada que
divergindo se em Mandacarú, da velha estrada que desce de Barra do Corda a
Pedreiras, se dirige ao Japão, passando por S. José dos Basílios e Curador.
Levei o serviço de, edição e levantamento até S. José do Basilios, a 28
kls.500 de Marinopolis, tendo chegado a este povoado, a 6 de Novembro. Nos dias
3, 4 e 5 estive ausente por determinação da firma, para tratar de interesses
relativos ao serviço, em Pedro II, sem, todavia, suspender o serviço. Por esse
tempo concluía-se o alargamento do trecho Mandacarú a Itaipoca, com extensão de
dois Kilomentros empreitados a 40$000, cada.
A 8 organisei uma turma de 30 trabalhadores com a daria de 5$000 á
custa dos mesmos e dei começo ao serviço de restauração da estrada que, de S.
José dos Basilios parte para Tum-Tum. Era cabo dessa turma, Antonio Barroso
Soares com o jornal de 8$000.
A 16, organisei outra turma nas mesmas condições, composta de 12 homens
aplicada no mesmo trecho, partindo de Tum-Tum ao encontro da primeira. Era cabo
da turma, João Francisco Nougueira.
A 14 de Dexembro, organisei a terceira turma de 22 operarios, confiada ao
cabo João Francisco da Costa, também em idênticas condições e que se
ocupou do trecho de Tum-tum de cima a Tum-Tum de baixo.
Conclui-se a 26 de Dezembro o serviço da estrada de S. José do Basilios
a Tum-Tum, com o numero de 1506 dias trabalho e a despeza de rs. 7:706$400.
Ao mesmo tempo que se realizava o serviço acima, idêntico trabalho se
fazia na estrada S. José do Basilios a Marianopolis: a seção de 5$000 acima e
abaixo de Lagoa Queimada fora atacada por empreita á razão de 400$000 o
kilometro, e o trecho de S. José, na direcção do Genipapo era trabalhado por
uma turma que manteve a media de dez homens em serviço, ainda a 5$000 diarios,
realizando-o com 130 dias-operarios.
Essa turma, era chefiada pelo empregado auxiliar Pedro Maranhão,
encontrou-se com o serviço de empreita, tendo feito ainda a 4 kls. 160 de
carreto beneficiamento.
Por “memorandum” de 10 de Dezembro fui chamado para entender-me, em
Marianopolis, com o Sr, Camillo Thiriot, que me pediu informações sobre
o serviço e a quem igualmente prestei contas, em presença do gerente Oswaldo
Teixeira Mendes, das despezas até então realizadas.
Em seguida acompanhei-o n’uma viagem de observação, de Marianopolies a
Anjelim, de onde atravessamos a matta entre o Mearim e o Flores, até Tum-Tum.
Consta, tudo isso, no relatório de 21 de Dezembro entregue pessoalmente ao
mesmo, que não opôz restricções. Só uma semana depois, concluiu-se a estrada S.
José do Basilios a Tum-Tum, que montou á cifra já referida.
Até então as despesas geraes, desde a prestação de contas de 21 de
Setembro a 21 de Dezembro, foram de rs. 11:771$900, que reunidas ao saldo de
290$000, então apresentado, fazem rs. 12:062$100, correspondentes ao total das
quantias diversas que, naquelle período, me foram fornecidas pelas filiaes da
firma.
Resumo das despesas da
Cosinha .......................... 1:059$600
Utensílios........................
49$800
Ferramentas....................
878$500
Salarios de jornaleiros......5.769$400
Empreitas---------------------
180$000
Desp. Diversas.................
130$500
Salarios de mensalistas.... 3.712$100
Rs. ................................. 11:771$900
Os serviços ocorridos de 21 de Dezembro a 8 de Janeiro foram: o resto
do renovamento da estrada S. José dos Basilios a Tum-Tum, cujo o pagammento
deveria constar, como constou no
relatório, ou, antes, da prestação de contas firmada a 16 de Fevereiro de 1937,
e mais a que se efectou de 27 de Dezembro a 8 de Janeiro, com relação a estrada
de S. José dos Basilioa a Curador, cuja a remuneração até hoje não foi feita,
por se ter a firma, recusado, sem razões plausíveis, ao pagamento do pobres
laboriosos jornaleiros que tanto se esforçaram para tanto bem cumprir o seu
dever.
Esse trecho de estrada não foi medido mas o avalio em 15 kilometros e
realizou-se em 11 dias.
De 21 de Dezembro a 16 de Fevereiro, as despesas ocorridas foram:
Da cosinha........................,,155$200
Salarios de jornaleiros .....4.027$900
Pequena empreita --------------- 41$500
Telegramas............................18$500
Cabo de ferramenta............... 14$500
Pequenas despezas................10$600
Relativas a trnsportes......... 232$200
Fornecimento a mensalista..889$700
Rs.
..................................5:390$100
Essa quantia comprehende, as que, em diversas datas, nesse período, me
foram fornecidas pelas filiaes.
As contas que se não solveram, por manifesta má vontade de Coton, foram
as que se refere ao saldo dos mensalistas, 1:380$950; fornecimento de viveres e
ferramenta 51$700; aluguel de uma burra por dois meses 200$000, importância de
uma facrura de gêneros fornecida pela filial de Marianopolis 323$200 salario de
jornaleiros em numero aproximado de cem (cem), a 5$000 em 11 dias 5:500$000.
Estão ahi, os 7:455$850 quantia que é o debito da Cotonnière Brasil
Limitada, a grande casa franceza que, meus coestadanos, que me apresentar como
um desonesto qualquer, a quem se julga com o direito de avaliar e prejudicar,
ficando-se, ademais, com as fofas de grande Victoria sobre os pobres que
commigo derramaram o seu suor naquelles duros serviços de cammpo, sob o sol e
tantas vezes fustigados pela horrível falta dagua.
Não ha de ficar assem.
OLÍMPIO FIALHO
4-5-937.
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Fonte: O Imparcial (MA) - 1926 a 1946 - Ano 1937\Edição 05574 (1) –quarta-feira, 13/05/1937.
