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quinta-feira, 11 de junho de 2026

MAIS QUE COPA DO MUNDO - GUERRAS E CONFLITOS DA GEOPOLÍTICA SEMPRE TABELARAM COM A COPA DO MUNDO

 















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FONTE:https://www.uol.com.br/flash/c=d5115574715f98b69e5e3356da1fb72a20260611 - [Acesso em 11/06/2026, às 10h:43min]

domingo, 7 de junho de 2026

Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU

 Por Olímpio Ribeiro Fialho.

Imagem meramente ilustrativa

Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU 

Com a modestia de uma vida de trabalho, ordem e honestidade que tem merecido respeitoso acatamento de quantos homens de bem se me tem aproximado, Cotonière Brasil Limitada foi encontrar-me na minha Barra do Corda, aproveitando-me nos meus serviços de expansão commercial naquela região do Mearim.

Em julho do ano próximo passado, confiara-me com uma remuneração inicial de 1:000$000para o período de de 15 de Julho a 31 de Agosto daquele anno e 600$000 mensaes de então por diante, os estudos preliminares dependentes de sua aprovação, da execução de um plano de estradas, para peões e tropas em sentido convergente, aos centros de producção da zona do Japão – margem direita do Mearim – oito léguas acima de Pedreiras – hoje ponto commercial importantíssimo onde viera ser localizada a mais movimentada das filiaes da firma naquela região – serviço esse em que eu deveria receber sugestões e numerários do gerente de S. Raymundo, Osvaldo Teixeira Mendes.

A 21 de Julho já referido, tive expediente da importante casa franceza para atacar aquelles serviços assegurando-me o Sr. P. Jordain que no curso dos mesmos, melhorariam a minha remuneração assas minguada, que comprehendia funcção technica e administrativa, pois todo o serviço era estudado, dirigido e fiscalisado por mim.

Das instrucções transmitidas ao gerente de S. Raymundo, a quem me apresentei 5 dias depois, resultou o plano em que em 21 de Setembro immediato já lhe era por mim apresentado, inclusive a demarcação de um terreno com a área de 1 quilometro quadrado em utensílios, reclamada por aquelle gerente.

Os estudos preliminares comprehenderam o reconhecimento de toda a região que podia interessar ao futuro ponto comercial de Marianopolis, cuja aquisição ficara como que dependendo da praticabilidade daquelle systema de communicação e transporte, com o aproveitamento do respectivo porto de embarque. Esse serviços preliminares, foram em detalhe, os caminhamentos de S. Raymundo, pela margem direita do Mearim a Marianopolis, com referencia aos núcleos intermediários (S. Felix, Pau D’Arco, Maribondo, S. Miguel, Sapucaia, Mocegos, Pacas, Guariba) – Marianopolis á região das mattas do Japão, a Curador, n’uma oercorrida de 66 Kilometros, com referencia a numerosos núcleos de população agrícola (Mandacaru, Itaipoca, Latada, Lago do Coco, Capim, Siunauma, Couro D’Anta, Lagoa Queimada, Genipapo, S. Joé dos Basilios, Santa Luzia, Centro do Cypriano, Tambory, Fazenda Nova, Coco do Manoel, Estevam, Lustrão, Sapucais (próximo a Curador), Fortaleza, Curador, Matta Velha, Pedro II, Tum-Tum, Arroz, São Paulo, Mucunã) com “croquis” das configurações de trechos, inclusive rio e levantamentos parciaes que orientaram e mereceram aproveitamento na execução das obras ahi projectadas, com a despeza geral (pessoal e material) de rs. 3.463.300 – importância essa comprehensiva do meu ordenado, no total de rs. 1:420.000. Verifica-se que o custo de todos os estudos e trabalhos de campo, inclusive o da demarcação de utensílios, com o respectivo mappa topographico realizado em 51 dias, é simplesmente de Rs. ....... 2:076.300.

As distancias vencidas por mim, acompanhado de um homem, á diária de 1.500, ora a pé, ora montado, cerca de 600 Kilomentros, sendo distancias de ida e volta aos pontos de referencia 255 kls, 800 ao que se devem tomar addicionar as distancias, de volta aos pontos de partida, desvios e retificações approximadamente de 350 Kilomentros. Dessa despeza a parcella de 813$800 corresponde a viveres, utensílios, ferramentas, de 30 de Julho a 18 de Setembro, tendo a demarcação occupado 14 homens que prestaram 113 dias de serviço ao preço de 3$000 e alimentação.

Approvado o plano de despezas desse relactorio-projecto bem assim o da demarcação, cujas referencias especiaes constam do relactorio de 15 de Outubro dirigido àquelle gerente, passei a phase executora.

A 28 DE Setembro, quando dei por terminado o resto de serviço que consistia na colheita de dados para o respectivo esboço topographico enoctei, com a turma que serviu na demarcação, a restauração da antiga e abandonada estrada que, naquella região, desce de Barra do Corda, no trecho comprehendido entre Bom Logar e Marianopolis. O trecho Utensilios a Marianopolis – 11, kls. 260 foi beneficiado por 29 trabalhadores em 109 dias-operarios. O de Utensilios a Bom Logar (rio acima) mede 3kls.260 e foi beneficiado por empreita a razão de 35$060 o Kilomentro.

Nesse trecho e no outro até Marinopolis encontra-se Bom Logar, Frito, Utensilios, Cazuza, Lambedouro, Beira do Flores e Mandacaru. De Bom Logar a Marianopolis o total de estrada beneficiada, mede 14kls.460 inclusive a parte que liga a velha estrada ao ponto fronteiro do porto de Utensilios. O serviço entre esses dois logares conclui-se a 18 de Outubro, ficando a estrada convenientemente alargada, levantada e medida.

A 19 de Outubro dei começo ao levantamento e medição da estrada que divergindo se em Mandacarú, da velha estrada que desce de Barra do Corda a Pedreiras, se dirige ao Japão, passando por S. José dos Basílios e Curador.

Levei o serviço de, edição e levantamento até S. José do Basilios, a 28 kls.500 de Marinopolis, tendo chegado a este povoado, a 6 de Novembro. Nos dias 3, 4 e 5 estive ausente por determinação da firma, para tratar de interesses relativos ao serviço, em Pedro II, sem, todavia, suspender o serviço. Por esse tempo concluía-se o alargamento do trecho Mandacarú a Itaipoca, com extensão de dois Kilomentros empreitados a 40$000, cada.

A 8 organisei uma turma de 30 trabalhadores com a daria de 5$000 á custa dos mesmos e dei começo ao serviço de restauração da estrada que, de S. José dos Basilios parte para Tum-Tum. Era cabo dessa turma, Antonio Barroso Soares com o jornal de 8$000.

A 16, organisei outra turma nas mesmas condições, composta de 12 homens aplicada no mesmo trecho, partindo de Tum-Tum ao encontro da primeira. Era cabo da turma, João Francisco Nougueira.

A 14 de Dexembro, organisei a terceira turma de 22 operarios, confiada ao cabo João Francisco da Costa, também em idênticas condições e que se ocupou do trecho de Tum-tum de cima a Tum-Tum de baixo.

Conclui-se a 26 de Dezembro o serviço da estrada de S. José do Basilios a Tum-Tum, com o numero de 1506 dias trabalho e a despeza de rs. 7:706$400.

Ao mesmo tempo que se realizava o serviço acima, idêntico trabalho se fazia na estrada S. José do Basilios a Marianopolis: a seção de 5$000 acima e abaixo de Lagoa Queimada fora atacada por empreita á razão de 400$000 o kilometro, e o trecho de S. José, na direcção do Genipapo era trabalhado por uma turma que manteve a media de dez homens em serviço, ainda a 5$000 diarios, realizando-o com 130 dias-operarios.

Essa turma, era chefiada pelo empregado auxiliar Pedro Maranhão, encontrou-se com o serviço de empreita, tendo feito ainda a 4 kls. 160 de carreto beneficiamento.

Por “memorandum” de 10 de Dezembro fui chamado para entender-me, em Marianopolis, com o Sr, Camillo Thiriot, que me pediu informações sobre o serviço e a quem igualmente prestei contas, em presença do gerente Oswaldo Teixeira Mendes, das despezas até então realizadas.

Em seguida acompanhei-o n’uma viagem de observação, de Marianopolies a Anjelim, de onde atravessamos a matta entre o Mearim e o Flores, até Tum-Tum. Consta, tudo isso, no relatório de 21 de Dezembro entregue pessoalmente ao mesmo, que não opôz restricções. Só uma semana depois, concluiu-se a estrada S. José do Basilios a Tum-Tum, que montou á cifra já referida.

Até então as despesas geraes, desde a prestação de contas de 21 de Setembro a 21 de Dezembro, foram de rs. 11:771$900, que reunidas ao saldo de 290$000, então apresentado, fazem rs. 12:062$100, correspondentes ao total das quantias diversas que, naquelle período, me foram fornecidas pelas filiaes da firma.

Resumo das despesas da

Cosinha .......................... 1:059$600

Utensílios........................      49$800

Ferramentas....................    878$500

Salarios de jornaleiros......5.769$400

Empreitas---------------------    180$000

Desp. Diversas.................    130$500

Salarios de mensalistas.... 3.712$100

Rs. ................................. 11:771$900

 

Os serviços ocorridos de 21 de Dezembro a 8 de Janeiro foram: o resto do renovamento da estrada S. José dos Basilios a Tum-Tum, cujo o pagammento deveria constar, como  constou no relatório, ou, antes, da prestação de contas firmada a 16 de Fevereiro de 1937, e mais a que se efectou de 27 de Dezembro a 8 de Janeiro, com relação a estrada de S. José dos Basilioa a Curador, cuja a remuneração até hoje não foi feita, por se ter a firma, recusado, sem razões plausíveis, ao pagamento do pobres laboriosos jornaleiros que tanto se esforçaram para tanto bem cumprir o seu dever.

Esse trecho de estrada não foi medido mas o avalio em 15 kilometros e realizou-se em 11 dias.

De 21 de Dezembro a 16 de Fevereiro, as despesas ocorridas foram:

Da  cosinha........................,,155$200

Salarios de jornaleiros .....4.027$900

Pequena empreita --------------- 41$500

Telegramas............................18$500

Cabo de ferramenta............... 14$500

Pequenas despezas................10$600

Relativas a trnsportes......... 232$200

Fornecimento a mensalista..889$700

Rs.  ..................................5:390$100

 

Essa quantia comprehende, as que, em diversas datas, nesse período, me foram fornecidas pelas filiaes.

As contas que se não solveram, por manifesta má vontade de Coton, foram as que se refere ao saldo dos mensalistas, 1:380$950; fornecimento de viveres e ferramenta 51$700; aluguel de uma burra por dois meses 200$000, importância de uma facrura de gêneros fornecida pela filial de Marianopolis 323$200 salario de jornaleiros em numero aproximado de cem (cem), a 5$000 em 11 dias 5:500$000.

Estão ahi, os 7:455$850 quantia que é o debito da Cotonnière Brasil Limitada, a grande casa franceza que, meus coestadanos, que me apresentar como um desonesto qualquer, a quem se julga com o direito de avaliar e prejudicar, ficando-se, ademais, com as fofas de grande Victoria sobre os pobres que commigo derramaram o seu suor naquelles duros serviços de cammpo, sob o sol e tantas vezes fustigados pela horrível falta dagua.

Não ha de ficar assem.

 

OLÍMPIO FIALHO

4-5-937.

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Fonte: O Imparcial (MA) - 1926 a 1946 -            Ano 1937\Edição 05574 (1) –quarta-feira,              13/05/1937.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Olímpio Ribeiro Fialho: o homem que ajudou a desenhar o Maranhão

Por Jean Carlos Gonçalves e
 colaboração do pesquisador 
Creomildo Cavalhedo Leite.

Olímpio Ribeiro Fialho

    A história da Geografia maranhense possui diversos nomes de destaque, mas poucos alcançaram a dimensão intelectual e o legado deixados por Olímpio Ribeiro Fialho. Reconhecido por estudiosos como um dos maiores geógrafos do Maranhão, ele foi muito mais que um pesquisador: foi engenheiro, agrimensor, administrador público, explorador do território e um dos principais responsáveis pelo conhecimento e pela organização espacial do estado ao longo do século XX.

     Nascido em Barra do Corda, em 24 de agosto de 1889, Olímpio Ribeiro Fialho era filho de Fortunato Ribeiro Fialho, primeiro intendente municipal, cargo equivalente ao de prefeito, daquele município. Desde cedo, desenvolveu profundo interesse pelas paisagens, pelos rios, pelas serras e pela ocupação humana do Maranhão, interesses que mais tarde se converteriam em uma das mais notáveis trajetórias intelectuais do estado.

    Sua formação técnica permitiu-lhe atuar como engenheiro de estradas e agrimensor em uma época em que grande parte do território maranhense permanecia pouco conhecida e de difícil acesso. Participou da abertura de estradas (inclusive para Tuntum-MA), construção de pontes e realização de levantamentos topográficos fundamentais para a integração de regiões isoladas. Essas atividades o levaram a percorrer praticamente todas as regiões do Maranhão, experiência que se transformaria em valiosa fonte de conhecimento geográfico, histórico e arqueológico.

       O ponto alto de sua carreira administrativa ocorreu quando assumiu a direção do Departamento de Terras, Geografia e Colonização do Maranhão. À frente desse importante órgão estadual, realizou extensos trabalhos de reconhecimento territorial, medições de terras, estudos cartográficos e levantamentos geográficos que contribuíram para o planejamento e a ocupação do espaço maranhense.

   Seu conhecimento do território era tão profundo que participou ativamente da análise, orientação e correção dos limites administrativos dos municípios maranhenses. Em uma época marcada por imprecisões cartográficas e indefinições territoriais, seus estudos forneceram bases técnicas para a organização político-administrativa do estado, ajudando a definir fronteiras municipais e a reduzir conflitos de jurisdição. Por essa razão, pode-se afirmar que Olímpio Ribeiro Fialho foi um dos principais arquitetos da divisão territorial moderna do Maranhão.

  Paralelamente ao trabalho técnico e administrativo, desenvolveu intensa atividade científica. Suas constantes viagens pelo interior permitiram-lhe registrar aspectos do relevo, da hidrografia, da geologia e dos ecossistemas maranhenses, produzindo estudos pioneiros sobre a geografia física do estado. Muitos desses trabalhos serviram de referência para pesquisadores das gerações seguintes.

      Entre suas obras mais importantes destaca-se o estudo A Casa de Pedra, publicado em 1956 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Nesse trabalho, descreveu e analisou um dos mais importantes sítios arqueológicos do estado, registrando inscrições rupestres e vestígios de antigas ocupações humanas. A pesquisa é considerada uma das primeiras contribuições sistemáticas para a arqueologia maranhense.

  Também realizou levantamentos sobre cavernas, formações rochosas e ocorrências geológicas existentes em diversas regiões do Maranhão. Seu pioneirismo foi reconhecido posteriormente quando pesquisadores atribuíram seu nome à Caverna Olímpio Fialho, homenagem à sua contribuição para o conhecimento do patrimônio natural maranhense.

   Sua produção intelectual estendeu-se a numerosos artigos, relatórios técnicos e comunicações científicas publicados pelo Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, instituição da qual foi membro destacado. Nesses trabalhos abordou temas relacionados à geografia regional, à ocupação territorial, à arqueologia, à história local e aos recursos naturais maranhenses.

     O reconhecimento de sua importância levou-o a ocupar posição de destaque no meio intelectual do estado. Foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 30 do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, cujo patrono é o engenheiro Justo Jansen Ferreira. Posteriormente, sua própria trajetória tornou-se referência para novas gerações de estudiosos, sendo escolhido patrono da Cadeira nº 59 da mesma instituição.

    Sua vida pública também incluiu serviços prestados à administração da justiça. Em 1937, foi nomeado suplente de juiz em Barra do Corda para o biênio 1937-1938. Contudo, foi no campo da ciência, da engenharia e da geografia que construiu sua contribuição mais duradoura.

    Em 8 de março de 1944, sofreu um grave acidente automobilístico quando se encontrava em serviço como engenheiro de campo. No veículo viajavam seus filhos Polo e Orfal, além de outros companheiros de trabalho. A tragédia resultou na morte de Orfal, então com apenas 17 anos, episódio que marcou profundamente sua vida familiar.

    Casado com Anísia Lima Fialho, Olímpio viveu até os 89 anos, falecendo em São Luís, em 23 de junho de 1979. Deixou uma obra construída não apenas em livros, relatórios e pesquisas, mas também nas estradas abertas, nos mapas elaborados, nos limites municipais definidos e no conhecimento produzido sobre o território maranhense.

      Mais do que um geógrafo, Olímpio Ribeiro Fialho foi um verdadeiro intérprete do Maranhão. Como engenheiro, ajudou a integrar o estado; como agrimensor, mediu e registrou suas terras; como gestor público, contribuiu para organizar sua divisão territorial; e, como pesquisador, revelou aspectos fundamentais de sua geografia, arqueologia e história.

     Seu legado permanece vivo na cartografia, na memória institucional e nos estudos sobre o Maranhão. Poucos homens conheceram tão profundamente o território maranhense e poucos contribuíram tanto para que ele fosse compreendido, organizado e valorizado. Por isso, Olímpio Ribeiro Fialho ocupa lugar de destaque entre os grandes construtores da identidade geográfica e histórica do Maranhão.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

CONTONIÈRE BRÉZIL

Por *João Francisco Batalha
Ao fundo, o prédio da antiga fábrica da Cotonière Brésil Ltda, em Arari-MA.
     A Cotonière Brésil Ltda, foi uma empresa de capital francês com matriz em Lille, cidade do norte da França que comercializava a produção de algodão do Mearim, descaroçada e prensada em Arari e após, este beneficiamento primário, exportado para a Europa.

     No Brasil tinha matriz no Rio de Janeiro. No Maranhão, filial em São Luis, à Av. Pedro II.

   Seu capital originário pertencia aos irmãos Marcel Schwob, André Schwob e James Schwob, judeus proprietários de diversas empresas têxteis em Paris e Lilli, na França e da filial brasileira.

    A construção do seu edifício em Arari teve início em 21 de agosto de 1936, com a presença de Paul Jordain, um maçom francês e empresário de grande visão e bem sucedido na carreira empresarial.


Paul Jotdain, Marçom e empresário frances que foi gerente da Cotonière Brésil Ltda., no Maranhão

1 Vistoriando os trabalhos da empresa Paul Jordain estava sempre em Arari.

2 Em dezembro de 1946 a empresa foi vendida para o grupo Chames Aboud.

   Em Arari, situada na Praça do Cruzeiro, destinava-se ao armazenamento do algodão bruto que era prensado e descaroçado nesta unidade. O transporte do Alto e Médio Mearim era feito por batelões até esta cidade. Neste ponto após passar por um processo de descaroçamento e prensa era feito o transbordamento através de lanchas motorizadas, até São Luis e de lá exportado.

   A semente introduzida pela Cotonière era selecionada e de melhor qualidade. Impedia o hibridismo. E assim a empresa fomentou plantações experimentais nos municípios de Bacabal, Ipixuna (São Luís Gonzaga), Pedreiras e em Verdum, na Boa Esperança do Mearim (atual Esperantinópolis), desmembrado de Barra do Corda em 1954.

    Teve também, escritório de representação em Codó, onde os produtores da herbácea, por desconfiança, discordaram da chegada da empresa ao local, supondo que prejudicaria a produção dos cultivadores da região.

  Ao mesmo tempo em que a Cotonière instalava usinas e armazéns ao longo do rio Mearim, monopolizando o mercado e proporcionando ao Maranhão responder à alta dos preços do mercado internacional da época. Adquiria o produto no local de origem e assumia o encargo do transporte nas suas próprias embarcações.

  Além, de manter plantações, usinas de descaroçar e prensar o algodão possuía as embarcações (lanchas e batelões) para transportá-lo e distribuía sementes selecionadas aos agricultores. Na instalação de Arari, que era gerenciado pelo descendente sírio-libanês Jorge Santos, o produto passava por um processo de classificação.

   O pretexto da venda foi a ocupação da França pela aliança do Eixo na Segunda Guerra Mundial e o processo de desativação que a levou a fechar as portas foi a falta de mão de obra qualificada para mantê-la em pleno funcionamento.
João Francisco Batalha

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Jornalista, pesquisador e escritor arariense. Membro-fundador emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Arari. Autor dos livros Arari, Maçons & Maçonaria (2011), Um Passeio pela História do Arari (2011 e 2014), Arari em Datas (2019), Comigo Aconteceu (2020) e várias outas obras sobre Arari.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Entre as Serras da Fazenda Santa Clara e os Valores do Tiradentes XI, Brilha Kesia Vilarinho

Por Remy da Mata
Em pé: os proprietários da Fazenda Santa Clara, Remy da Mata e Adélia Araújo. Sentados: Capitão Rurik, Kesia Vilarindo, Profª Gilvana e a sd. Marcelina.


   O Colégio Militar Tiradentes XI realizou, ontem, 02 de junho, a gravação que oficializa a candidatura de Kesia Vilarinho à Musa dos JETS (Jogos Escolares Tuntuenses).

    O cenário escolhido para este registro foi a Fazenda Santa Clara, que, com sua beleza exuberante e serras abraçadas pela mata, serviu como moldura perfeita para a elegância da nossa candidata.

    A escolha do ambiente e a participação de Kesia refletem o espírito do Colégio Tiradentes: uma instituição que vai além da disciplina rigorosa, incentivando o protagonismo de seus alunos. Ao observarmos a preparação de Kesia, relembramos que, desde as décadas de 60 e 70, os jogos escolares possuem um papel fundamental na formação da juventude brasileira. Se antes esses eventos serviam como ferramentas de integração e civismo, hoje, eles seguem sendo o palco onde o talento e a dedicação dos nossos estudantes se encontram.


   A trajetória dos Jogos Estudantis Brasileiros (JEBs), criados em 1969, deixou um legado de valores que ainda hoje vemos brilhar no olhar de jovens como Kesia, que carregam o orgulho de representar sua instituição com honra.

    Esta ação foi coordenada pelo Capitão Rurik Trinta, Diretor Adjunto do Tenente-Coronel Alípio Alves, um entusiasta que, incansavelmente, promove a cultura esportiva no colégio. A briosa equipe, composta pela monitora Soldado Marcelina e pela professora Gilvana, dedicou-se a cada detalhe das gravações, garantindo que a luz da nossa candidata brilhasse em harmonia com a natureza da Fazenda Santa Clara — onde as águas dançam e beijam as árvores sob o olhar atento da serra.

   Agora, a expectativa de toda a comunidade escolar e de Tuntum recai sobre a participação de Kesia Vilarinho. Ela não leva apenas a faixa de candidata, mas o orgulho e os valores de um Colégio que forma cidadãos completos, prontos para brilhar tanto nos campos esportivos quanto na vida.

Remy da Mata

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*José Remy Alves e Silva, o Remy da Mata, natural de Tuntum e filho da união das tradicionais famílias da Mata e Benvinda. É escritor de Alto Solimões - Crônicas I e II, Miscelâneas, Inspiração e Crônicas Maçônicas. Atualmente, está aposentado como Superintendente da Infraero no Amazonas, estado que reside atualmente.

III PARTE – O ALGODÃO NO MARANHÃO

 Por Moema de Castro Alvim*


    Até meados do século XX, o algodão foi o produto econômico mais importante do Maranhão. Nos séculos anteriores foi utilizado na fabricação de roupas de colonos e de escravos. A partir da segunda metade do século XVIII, em decorrência da Revolução Industrial na Inglaterra, ocasionando grande desenvolvimento na fabricação de tecidos para atender a grande demanda europeia, houve uma corrida para os centros produtores da malvácea. O algodão brasileiro, pelos preços razoavelmente baixos teve uma grande procura, sendo produzido nas lavouras nordestinas, principalmente do Maranhão, considerado um dos melhores. Como consequência houve uma importante acumulação de capital, representando um fator determinante das diferentes fases do desenvolvimento do estado.
   O ciclo econômico do algodão, essencialmente em nosso estado, iniciou-se e desenvolveu-se no modelo mercantilista, com a utilização da mão-de-obra escrava, constituída por negros africanos, cuja aquisição foi financiada pela Companhia do Comércio do Maranhão, criada em 1682 para promover a Colônia, com base na monocultura.
   No século seguinte (1755), no governo de D.José I, foi criada a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão que assentou as bases e definiu a nossa vocação agrícola para fornecimento de produtos para a Coroa e outros mercados europeus.
    Em 1895 existiam 27 unidades fabris, sendo 17 pertencentes a Sociedades Anônimas e 10 a particulares. Desse total, 10 fabricavam e teciam; 1 só de fiação; 1 de cânhamo, 1 de tecidos de lã e sedas e 1 de meias. Além da indústria têxtil, havia 1 de fósforo, 1 de chumbo e pregos, 1 de calçados, 1 de produtos de cerâmicas, 4 de pilar arroz, 2 de pilar arroz e fabricar sabão, 1 só de sabão e 2 de açúcar e aguardente.
  A 1ª a ser instalada fora a Companhia Industrial Caxiense, em 1887, com capital de 1000 contos de reis, incorporada pelo dr. Francisco dias Carneiro e era munida de 130 teares manipulados por 250 operários, produzindo tecidos crus e tintos.
  Em 1889 foi instalada a União Caxiense, investimento de 850 contos de reis, 220 teares e 350 operários, fabricando tecidos crus. O dr. Dias Carneiro também participava deste empreendimento com mais dois empresários, Antônio Joaquim Ferreira Guimarães e Manuel Correia Bayma do Lago.
  Mais tarde, Caxias contou com a Fábrica Sanharó, com investimento de 150 contos de reis, 26 teares, 60 operários, fabricando panos de algodão.
   Em São Luís a 1ª fábrica foi aberta em 1890. Era a Companhia de Fiação e Tecidos Maranhenses, na Camboa do Mato, às margens do Rio Anil. Investimento inicial de 1.200 contos de reis, 300 teares produzindo tecidos em geral, riscados grossos e finos e fios em novelos.
    A Companhia de Fiação e Tecidos Cânhamo, foi instalada em 1891 com capital de 900 contos de reis, 105 teares para fabricar tecidos de cânhamo ou juta.
 A Companhia Progresso Maranhense, instalada em 1892, empregava 160 operários que trabalhavam em 150 teares, fabricando panos de algodão.
  A Companhia Fabril Maranhense Santa Isabel, começou com um capital de 1.77 contos de reis, 450 teares manipulados por 600 operários que fabricavam riscados e domésticos de algodão.
   Em 1893 foi inaugurada a Companhia de Fiação e Tecidos Rio Anil, com investimento de 1.600 contos de reis, 172 teares, 60 máquinas de fiação e 18 de branqueamento, 209 operários fabricavam morins e madapolões. Eram seis sócios nesse empreendimento: Antônio Cardoso Pereira, Francisco Xavier de Carvalho, Manuel José Francisco Jorge, José Francisco Viveiros, Jerônimo Tavares Sobrinho e o escocês Henry Arlie, cônsul da Grã-Bretanha.
      Ainda nesse ano foi instalada em São Luis a Fábrica de Tecidos de Malha Ewerton, empregando 30 operários que fabricavam meias e tecidos para camisas.
 Em Codó foi instalada a Companhia Manufatureira e Agrícola, com um investimento de 100 contos de reis, 150 teares, fazendas, fios e cordas e empregando 250 operários.
  Em 1894 foi inaugurada, em São Luis, a Companhia Industrial Maranhense, com capital de 250 contos de reis, empregando 50 operários que fabricavam fios, punhos e linhas de pesca.
  A Companhia de Lanifícios Maranhenses Santa Amélia, com investimento de 600 contos de reis, instalada em 1892, começou a funcionar em 1895. Fabricava tecidos de lãs, sedas e algodão, em 22 teares manuseados por 50 operários. Foi arrematada pelo empresário Cândido Ribeiro que morreu na década de 1930, antes da fábrica atingir o auge, entre as décadas de 50 e 60. Fabricava riscados e brins e funcionou até 1966.
  Algumas fábricas não resistiram à crise resultante da I Guerra Mundial encerrando essas atividades, diversificando-as para o babaçu, a essa época, no auge do seu beneficiamento para exportar para os países em guerra. A extração da borracha, no Amazonas, atraia levas de nordestinos, principalmente maranhenses, em busca de uma atividade mais promissora.
   Em 1921, após o fim do conflito, a indústria têxtil maranhense contava com um capital investido na ordem de 8.028 contos de reis, 3.537 operários 2.336 teares e 71.608 fusos, com uma produção estimada em 11.776 metros de tecidos.
   Desde o Período Colonial até o século XX, o Brasil centrou sua atividade econômica no cultivo de produtos primários, para exportação. O Maranhão não chegou a participar dos grandes ciclos econômicos, pelos percalços enfrentados, devidos, principalmente, às oscilações do mercado importador. Diferente dos ciclos da cana-de-açúcar, do ouro e do café, o algodão era cultivado quase que exclusivamente para suprir o mercado interno. 
    Esse modelo agroexportador permaneceu até a ruptura do modelo econômico, vigente até a República Velha, em 1930 e mantido pelas classes dominantes, principalmente dos latifundiários e exportadores de matéria-prima para abastecer mercados estrangeiros. O mercado interno diversificou-se com a fabricação de cachaça, produtos farmacêuticos, chapéus, calçados, utensílios domésticos, e outros bens de consumo. Foi só a partir desse período que houve realmente uma estruturação econômica em todo o Brasil.
    Entre 1921-45 essa produção alcançou 4 milhões e meio de metros de tecidos, ocupando 3.871 operários.
  A tecnologia e os equipamentos de procedência inglesa, movidos a vapor ainda operavam na década de 1960, quando a última fábrica foi fechada. Os teares e fusos obsoletos fabricados no século anterior foram utilizados em nossas fábricas até os anos 50.
  A fraca competição de outros estados nordestinos, devida a escassez da matéria-prima e a restrição da mão-de-obra decorrente das novas leis trabalhistas, o não favorecimento de investimentos para renovação dos equipamentos, resultaram na estagnação da nossa indústria têxtil. A concorrência com as fábricas do Sudeste e do Sul com mercado mais promissor, foi uma das causas da decadência do nosso parque fabril, somados à falta de atualização técnica, escassez de mão-de-obra qualificada e impossibilidade material de renovação e modernização do maquinário. Acrescente-se a essa situação caótica para os empresários, os elevados custos dos encargos sociais, que tiveram de arcar, depois da Revolução de 30 com a criação do Ministério do Trabalho, que ocasionou grandes conquistas e tranquilidade para o trabalhador, com contrato assinado na carteira profissional, redução da jornada de trabalho, férias remuneradas, licença-maternidade.
   O Maranhão experimentou um período de intensa redução da produção e dos investimentos que aos poucos foram direcionados para a fabricação de fibras nas novas fábricas do Sudeste.
  Foram pouco expressivos os resultados desses tímidos financiamentos até 1970, devidos os elevados índices de obsolescência do parque fabril no tocante à fiação e tecelagem de algodão. A partir dessa década, houve o deslocamento do eixo agrícola das regiões da Baixada, Itapecuru, Mearim para o sul, com a ocupação das chapadas, resultante da política de valorização das terras agrícolas. O BNDS implantado nos anos 80, deu um novo alento para o setor têxtil, nos grupos preferenciais de financiamento. Nesse período, o algodão teve um novo surto, declinando em 1985, quando foi substituída pelo cultivo da soja e atividades pecuárias.
    Atualmente há poucas fábricas de fiação que apesar de demonstrar relativo dinamismo empresarial não traduzem a potencialidade estadual para o setor e, principalmente quando a produção de algodão voltou a assumir posição de relevo no setor primário maranhense. Em Paço do Lumiar funciona uma fábrica de malhas.
  A cultura do algodão em nosso estado contribuiu para o desenvolvimento econômico, propiciando acúmulo de capitais gerando divisas, abertura de mercado para produtos não agrícolas, contribuindo na diversificação da economia, além de fornecer matéria-prima para a indústria. Esse aporte de recursos foi, durante a Monarquia, malbaratado pelas elites que não foram capazes de reformar seu maquinário, mantendo equipamentos obsoletos e até inadequados às nossas condições ecológicas e climáticas. Não conseguimos competir sequer com o mercado interno, do Sul e Sudeste.
    Em 2013 a colheita de algodão na Maranhão, segundo dados do IBGE, atingiu 4,083 kg/ha, conseguindo ocupar o 1° lugar em produtividade no país, colocando-o acima da média nacional de 3.615kg/ha. Foi a 4ª maior safra, abaixo de Mato Grosso, Bahia e Goiás. O prognóstico sobre a produção agrícola nacional para 2014, é de um quadro praticamente inalterado no Maranhão. O rendimento deverá avançar 4.089kg/ha, resultado de uma produção de 76.009 t, numa área colhida de 18.588 ha.
     Atualmente a nossa produção algodoeira é de 75,1 mil toneladas, com previsão para os próximos anos, de um crescimento mais acentuado. Não estamos mais na relação dos maiores produtores como Mato Grosso, Bahia e Goiás, mas ainda estamos em vantagem em relação aos outros estados nordestinos.
    Antes de concluir esta rápida pesquisa, quero fazer um tributo às tecelãs da Baixada, principalmente de São Bento, Bequimão, Perimirim, pelas bonitas, macias e confortáveis redes saídas dos seus teares, Também são conhecidas as redes de linha feitas em Pastos Bons, São João dos Patos e adjacências.
  Além do algodão, o Maranhão continua a cultivar arroz, milho, mandioca, feijão, cana-de-açúcar e na região de Balsas, a soja. Há fábricas de óleo de babaçu; cerâmicas, pisos, móveis, calçados, malharias, refrigerantes, cachaça, sabão, farinha, doces, papel, vestuário, uniformes, artesanato, estruturas metálicas, serralherias, fibra de vidro. Em relação ao extrativismo, além do babaçu, exploram-se tucum, fibra de buriti, madeira em toras, carvão vegetal, lenha, castanha de caju, pequi, açaí, cera de carnaúba, óleo de copaíba, de rícino, mutamba, água mineral, polpas de frutas. Princípios ativos extraídos do jaborandi, fava d´anta. Do solo extraem-se: calcários, gesso, bauxita, enxofre, sal marinho, gipsita, granito, mármore, urânio, ouro, cobre, diamante, opala.
     Na década de 1960 foram instaladas fábricas para beneficiamento do babaçu, a COPISA, em Pinheiro e uma de celulose em Coelho Neto, com recursos da SUDENE e da SUDAM, que infelizmente não prosperaram.
     Grandes fábricas foram instaladas na década de 80 como a ALUMAR, a Vale do Rio Doce. Na virada do milênio, a Suzano Papel e Celulose. Também de gás natural.
   Não esqueçamos a Pecuária, a Pesca e a coleta de mariscos, nossa promissora indústria naval e muitas outras atividades, em fase de projeto como a Refinaria Premium para derivados de petróleo.
Moema de Castro Alvem

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Farmacêutica, Mestra em Parasitologia, com especialização em Entomologia, Malacologia e Análises Clínicas. Acadêmica, fundadora da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciêmcias-APLAC. Falecida em 2014, a admirável intelectual era proprietária da renomada livraria Papiros do Egito, lcalizada no Centro Histórico em São Luís-MA.
Texto publicado em 2014.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

II PARTE: O ALGODÃO NO MARANHÃO

 Por Moema de Castro Alvim*

Antiga fábrica de beneciamento de algodão em São Luís-MA, no início do século XX.

   As primeiras referências sobre o algodão no Maranhão remontam ao Período Colonial, tendo sido feitas na época em que os franceses invadiram e se apossaram da ilha de Upaon-Açu, atualmente Ilha de São Luis, e plantavam a malvácea, segundo Diogo de Campos Moreno.
   Além de cultivarem, faziam escambo com os chefes das várias aldeias da tribo Tupinambá, espalhadas pela ilha. Alguns historiadores dizem que esse número se aproximava de trinta. Além de usarem o algodão, enviavam para a França. Provavelmente era o algodão amarelo. Também Simão Estácio de Sá se refere a essa cultura em seu livro: Relação Sumária das Cousas do Maranhão, considerado o primeiro marqueteiro das nossas riquezas naturais, como forma de atrair seus patrícios para a América Portuguesa.
   Também Francisco Dias Deiró, cúmplice de Bequimão na malograda Revolta, sugeriu à Câmara que não permitisse as exportações desse produto. Nessa época com 150 a 400 varas de algodão, comprava-se um escravo para a lavoura, multiplicando as colheitas e levando a Colônia a padecer com a falta do produto.
   Em 1682 foi criada uma companhia de gestão privada, em substituição à Câmara Municipal, gerando conflitos de interesses, culminando com a Revolta de Beckman, e reprimida energicamente com o enforcamento de Bequimão e seu cúmplice. Somente em 1688, o governador Gomes de Freire de Andrade atribuiu um valor, em réis, ao novelo e vara do algodão, confirmado pelo rei.
   Em 1693, Antônio Albuquerque de Carvalho taxou as exportações, impostos esses que destinados ao pagamento dos soldos dos soldados.
  Em 1703, o Senado da Câmara proibiu a exportação em caroço e rama, deixando para consumo local. A primeira resolução, anulada em 1699 foi revogada, em 1757, pelo gov. Gonçalo Pereira Lobato que proibiu sumariamente a exportação, atribuindo preços ao produto: o novelo passaria a valer entre 20 e 25 réis e um rolo por 10$000, usados como moeda-corrente. Permutava-se o nosso algodão por ouro em pó ou em barras com Goiás e Minas Gerais. Em 1724 o algodão já era falsificado, isto é, os fardos continham além da pluma, pequenas pedras, folhas, pedaços de troncos e outras sujeiras, o que aumentava a pesagem, exigindo-se, a partir daí que os custos do transporte fossem arcados pelo lavrador e a obrigatoriedade de uma marca por meio da qual se saberia a procedência de algodão e, consequentemente o nome do proprietário.


  As primeiras áreas cultivadas ficavam no Itapecuru, Alto Mearim, Coroatá, Codó, Tutoia, Barreirinhas, Brejo e durante os primeiros anos do reinado de d. José, na região de Cumã, atual Regiões da Baixada e Litoral Norte, onde se situam Viana, Guimarães, Pinheiro, Cururupu, Alcântara. As espécies mais cultivadas eram o “peruviano” e outros, conhecidos por crioulo, governo e quebradinho. Só mais tarde foram introduzidas sementes de Sea-Island, Upland e outras dos Estados Unidos, empregando-se, ainda no plantio, o sistema rotineiro, sendo de preferência escolhidos os terrenos mais elevados, propícios às espécies arbóreas que duram oito anos ou mais e atingem entre 5 e 7 m de altura.
  Inicialmente o algodão foi cultivado com o objetivo de suprir a necessidade de fabricar tecidos que pudessem ser utilizados para acondicionar produtos e usados como vestimenta dos escravos. Os integrantes da elite não utilizavam o produto da terra, preferindo importar os tecidos da Europa.
   No contexto da economia colonial, o algodão surge como mais um produto agrícola que se estabeleceu na base do trabalho escravo, inicialmente usando a mão-de-obra indígena, substituída pelos negros trazidos da África, em grandes propriedades, caracterizadas pela monocultura voltada para o comércio exterior.
 Por essa época a moeda circulante era o algodão em novelos, fios e rolos de panos.


   Em 1755, no reinado de D. José e por sugestão do seu primeiro-ministro, Sebastião de Carvalho, mais tarde Marquês de Pombal, foi criada a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, cuja produção foi incrementada através da disponibilidade de grandes recursos financeiros. Com a proibição da escravização dos silvícolas, houve necessidade de buscar braços mais vigorosos para aumentar a produção. Recorreu-se à mão-de-obra escrava, importando milhões de negros da África, auferindo grandes lucros para a Metrópole. Desse modo, a região foi integrada ao grande sistema comercial mantido por Portugal, mudando também, a fisionomia étnica da região. Cada negro colhia até duas arrobas diariamente. Os algodoais sofriam já as investidas do bicudo, também de aves, ratos, lagartos, percevejos ou pulgões e gafanhotos. A prensagem também era feita pelos escravos, comprimindo o algodão com os pés. Só mais tarde foram introduzidas as prensas de madeira ou bolandeiras puxadas por animais, substituídas pelas hidráulicas, melhorando a qualidade do produto. Até 1826 o descaroçamento era feito em maquinetas de madeira. Nesse ano foi instalada a primeira grande descaroçadora, na fazenda Barbados em Itapecuru, pelo proprietário o escocês Alfred Hall. Em 1831 já havia dezenas nas principais vilas da Província.
     Em 1820 com a queda da cotação do algodão no mercado europeu, houve esperas e falências de muitos negociantes que se entregaram a luxos desmedidos, fazendo grandes compras à longo prazo. Também, nessa época foi criado o cargo de inspetor de algodão, visando a melhoria da qualidade do produto.
    As exportações do algodão, em maior volume, tiveram relação direta com a crescente demanda industrial europeia. A primeira remessa deu-se em 1760, totalizando 651 arrobas de plumas de algodão arbóreo, perene, de fibras mais longas. Em 1778, outras colônias como Piauí e Ceará, se tornaram importantes produtoras. Com a morte de d. José, o banimento da corte do Marquês de Pombal, d. Maria que substituiu o pai no trono lusitano, mandou publicar um alvará extinguindo todas as indústrias manufatureiras do Brasil que competiam, com vantagem, com as de Portugal. Após a liberação o Maranhão voltou a ser um grande produtor-exportador, entre 1796 e 1806. Com a invasão francesa em território português, a arroba do algodão voltou a cair, subindo novamente em 1808 com a abertura dos portos brasileiros às nações estrangeiras.

    O primeiro e mais importante mercado consumidor foi a Inglaterra, aumentando, consideravelmente, o comércio em decorrência da Guerra da Independência dos EUA, para atender a grande demanda consequente da Revolução Industrial Inglesa. Com isso o Maranhão teve o seu primeiro surto econômico, havendo necessidade de construir a Praça do Comércio na Praia Grande, centro de ebulição econômica e cultural de São Luis. Pelas casas comerciais exportavam-se os produtos maranhenses, principalmente o arroz e o algodão. Em contrapartida, entravam produtos europeus como tecidos, móveis, azeite português, cerveja da Inglaterra e outras novidades do Velho Continente. Esse fluxo comercial tornou São Luis a terceira cidade mais populosa do país, abaixo apenas do Rio de Janeiro e de Salvador.
      O algodão maranhense cultivado no Vale do Itapecuru era considerado superior no mercado exportador, tendo sido classificado em 1° lugar na Exposição de 1867. Esse tipo de algodão era mais alvo, mais resistente com fibras iguais, prestando muito bem para fabricar tecidos de meia durabilidade e finura média, quer para chitas.
  Com uma área territorial de aproximadamente 333.000km², terras férteis, clima ideal e condições favoráveis de escoamento, o Maranhão tornou-se, em pouco tempo, um grande mercado exportador. As primeiras máquinas descaroçadoras eficientes, com dois cilindros, só entraram no fim do século XVIII.
       Entretanto com a recuperação da produção norte-americana, a entrada no mercado de algodão mais barato do Egito e da Índia, aliadas à abolição da escravidão, fizeram com que as nossas exportações despencassem de 30% em 1825, para 2,3% em 1880. No fim do século XIX, esse setor começou a entrar em decadência. Com o preço reduzido, o algodão começou a apodrecer nas lavouras e abarrotar os galpões e depósitos, transformando antigos lavradores em industriais. A produção agrícola foi aos poucos superada pela indústria têxtil que além de matéria-prima à mão, encontrou mercado consumidor, concorrendo para a expansão geográfica das cidades, pelo surgimento de novos bairros periféricos, geralmente ao redor das fábricas. Em 1880 estima-se que a exportação tenha sido de 2.630 toneladas, sendo cerca de 2.000t foram consumidas pelas fábricas de fiação e tecelagem.
    A Balaiada, conflito que se espalhou entre caboclos e escravos foragidos das fazendas das regiões do Itapecuru e Mearim paralisou a produção, reduzindo-se pela metade e causando grandes prejuízos não só aos lavradores como à economia da Província.
      O estabelecimento de uma ativa indústria de tecidos de algodão, no fim do período monárquico e princípio do republicano, com 10 fábricas de fiação e tecidos de lã, e mais algumas, diversificando o nosso parque industrial como as de produção de fósforo, sabão, de pilar arroz, chumbo, calçados, gerando a ilusão de uma nova e grande ascensão da lavoura . Em breve, no entanto, se dissiparam as esperanças. Os teares adquiridos por esses inexperientes industriais, não passavam de sucatas das fábricas têxteis inglesas. Convém registrar a falta de assistência técnica para orientar os plantadores que ainda o faziam de modo primitivo e rudimentar, a ausência de infraestrutura para a construção das fábricas, carência de operários e técnicos especializados, ficando-se à mercê dos técnicos ingleses que permaneciam pouco tempo aqui, queixando-se do clima, da alimentação, da falta de diversões. Até a determinação do pH da água usada para lavagem do algodão, era feita na Inglaterra.
     Com todos esses óbices, na virada do século, o número de fábricas instaladas subiu para dez, não só na capital, mas em municípios como Caxias e Codó. Na esteira desse processo houve necessidade de aumentar o número de equipamentos descaroçadores, para separar as ramas ou plumas que eram enfardadas e remetidas para os mercados consumidores. Essa atividade era realizada em vilas e povoados, perto dos centros produtores, e não muito distante das fábricas, absorvendo grande contingente de mão-de-obra para esse mister.
    Foram abertas quatro fábricas de prensar os caroços de algodão, para extração do óleo e obtenção da torta, para consumo de ruminantes. . No primeiro quinquênio do século XX as exportações atingiram 25 toneladas, decrescendo nos anos posteriores, em decorrência da dinâmica econômica mundial. Os principais fatores dessa falência começaram com a quebra da Bolsa de Nova York, elevação dos juros dos empréstimos, geralmente feito em libras esterlinas, a ausência de investimentos, o baixo padrão de qualidade do algodão, ocorrendo a completa desativação na década de 1960.

PRINCIPAIS FÁBRICAS TÊXTEIS INSTALADAS NO MARANHÃO

EM SÃO LUIS
   O primeiro projeto para a criação de uma instituição onde se ensinasse as técnicas de cultivo, manejo, transporte e avaliação do produto, assim como seu uso na fabricação de tecidos e extração do óleo das sementes por máquinas movidas a vapor, data de 1873, com a fundação da Casa dos Educandos, por vários motivos, não deslanchou.
  • 1891 – Companhia de Fiação e Tecidos Cânhamo, com capital de 900 contos, operando 105 teares, com o objetivo de fabricar tecidos de juta, também chamado estopa ou aniagem, para ensacar produtos.
  • 1892 – Companhia Progresso do Maranhão, com 160 operários manipulando 150 teares, para produção de panos de algodão.
  • Companhia Fabril Maranhense – Santa Isabel. Capital inicial 1.700 contos, 600 operários para trabalhar em 450 teares, produzindo riscados e domésticos de algodão.
  • 1893 - Companhia de Fiação e Tecidos Rio Anil. Capital inicial de 1.600 contos, 172 teares, 60 máquinas de fiação e 18 de branqueamento, produzindo morins e madapolões, com 209 operários.
  • 1893 – Fábrica de Tecidos de Malhas Ewerton, com 30 operários produzindo meias e tecidos para camisas.
  • 1894 – Companhia Industrial Maranhense, com capital inicial de 250 contos, com 50 operários. Destinada à manufatura de fio, punho de rede e rede de pesca.
  • 1895 - Companhia de Lanifícios Maranhenses com capital de 600 contos, 22 teares e outros equipamentos com 50 operários para fazer todos os produtos de lã e seda. Fundada desde 1892, mas suas atividades só começaram três anos depois, produzindo riscados e brins. Mais tarde foi arrematada pelo industrial maranhense Cândido Ribeiro que nomeou a rua onde foi construída a fábrica.

EM CODÓ


1892 - Companhia Manufatureira e Agrícola de Codó. Capital de 1000 contos, fazendas, com 250 operários, produzindo fios, punhos e redes de pesca.

EM CAXIAS

1883 – Companhia Industrial Caxiense foi a 1ª a ser instalada no Maranhão. Era uma indústria de fiação e tecelagem.
1889 – União Caxiense.
1891 – Fábrica Sanharó.
1892 – Companhia Manufatora de Caxias.

RESUMINDO: respaldada em dados de Fran Paxeco in Geografia do Maranhão, 1923 e repassados pela Prof. Lílian Leda:
A primeira fábrica no Maranhão foi a Companhia de Fiação e Tecidos Maranhenses de João Antônio Coqueiro. Mais tarde, em 1883 foi criada a Indústria Caxiense. Em São Luis, organizou-se a Camboa (companhia de Fiação e Tecidos Maranhense). Em 1890 inaugurou-se a Fabril que reuniu as Fábricas de São Joaquim e Santa Isabel. Em 1891, foi instalada a Cânhamo que trabalhava com a juta. Em 1893, a Companhia de Fiação e Tecidos Rio Anil, que fabricava morins.
Nesse mesmo ano estabeleceram-se, em Caxias, a Sanharó e a Companhia Manufatureira Caxiense.
As Fábricas São Luis de Fiação Santa Amélia que fabricavam brins e riscados, pertenceram a Cândido Ribeiro & Cia e iniciaram suas atividades entre 1894 e 1895.
Em Codó foi instalada a Manufatureira Agrícola, completando o Parque Têxtil.

- Companhia de Tecidos Maranhenses – 1888-89, localizava-se na Camboa. Faliu em 1894.
- Companhia de Fiação e Tecidos de São Luis – 1894. Localizava-se na rua São Pantaleão, ao lado da Cânhamo.
- Companhia Lanifícios Maranhenses – Rua as Crioulas. Mais tarde passou a chamar-se Santa Amélia, integrando o Grupo Cotonífico Cândido Ribeiro. Faliu em 1969.
- Companhia Progresso Maranhense – 1892. Localizava-se no prédio onde até bem pouco tempo funcionava o SIOGE. Teve vida efêmera,
- Companhia Manufatureira e Agrícola de Codó – 1893.
- Companhia Fabril Maranhense – 1893 – Rua Senador José Pedro, no local onde funciona um depósito da Lusitana, perto do edifício do Ministério da Fazenda.
- Companhia de Fiação Rio Anil – 1893. Localizava-se no Anil onde atualmente funciona o CINTRA. Faliu em 1969.
- Companhia de Fiação e Tecidos Cânhamo - 1891. Rua São Pantaleão atual CEPRAMA. Faliu em 1969.
- Companhia Industrial Caxiense – 1880.
- Companhia de Fiação e Tecidos – 1889. Era instalada à Avenida Pedro II.
- Companhia de Fiação e Tecidos. 1889 – Caxias, Faliu em 1950.
- Sanharó – Trizidela, Caxias.
- Companhia industrial Maranhense – 1894. Rua dos Prazeres.
- Fábrica de Tecidos e Malhas Ewerton – 1892. Rua de Santana.
- Fábrica São Thiago. Antigo prédio da CINORTE.
- Cotonière Brasil Ltda. Década de 1930.

Este tema terá continuidade, numa III Parte para abranger as atividades fabris do século XX.
Moema de Castro Alvim.
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Farmacêutica, Mestra em Parasitologia, com especialização em Entomologia, Malacologia e Análises Clínicas. Acadêmica, fundadora da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciêmcias-APLAC. Falecida em 2014, a admirável intelectual era proprietária da renomada livraria Papiros do Egito, lcalizada no Centro Histórico em São Luís-MA.