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quinta-feira, 18 de junho de 2026

DESCRIÇÃO E SIMBOLOGIA DO BRASÃO DA ATLEA

 Por Jean Carlos Gonçalves

    O brasão da Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes – ATLEA

    O brasão da Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes – ATLEA foi concebido com elementos que representam a identidade cultural, histórica e intelectual de Tuntum, reunindo símbolos ligados ao conhecimento, à produção literária, à educação e ao patrimônio local. A seguir, uma interpretação institucional de suas cores e elementos:

    Descrição Heráldica e Simbólica do Brasão da ATLEA

A Coroa Dourada
    Posicionada na parte superior do brasão, a coroa simboliza a excelência, a dignidade e a nobreza do saber. Representa o reconhecimento do valor da cultura, da educação e das artes como patrimônios superiores da sociedade. O dourado remete à luz do conhecimento, à sabedoria e às conquistas intelectuais.

O Escudo
    O escudo constitui o elemento central do brasão e representa a proteção e a preservação da memória histórica, literária e cultural de Tuntum. É o símbolo da missão da Academia de guardar, valorizar e difundir o legado intelectual do município.

A Cor Azul
    Presente na pena, no livro e na faixa superior, o azul simboliza:
  • Conhecimento e inteligência;
  • Verdade e justiça;
  • Serenidade e equilíbrio;
  • Educação e desenvolvimento humano.
    A escolha dessa cor reforça o compromisso da Academia com a formação intelectual e a produção do saber.

A Cor Branca
    Utilizada nas letras, no mapa e no livro, o branco representa:
  • Pureza de propósitos;
  • Ética e integridade;
  • Paz e harmonia;
  • Universalidade do conhecimento.
    Expressa o ideal acadêmico da busca pela verdade e pelo aprimoramento humano.

A Cor Marrom (Campo Central)
    O fundo marrom do escudo simboliza:
  • As raízes históricas de Tuntum;
  • A terra que sustenta sua população;
  • A ligação com o território e suas tradições;
  • A memória dos pioneiros que construíram a identidade local.
    É uma referência à história, à ancestralidade e ao pertencimento.

O Livro Aberto
    O livro aberto representa:
  • O conhecimento acessível a todos;
  • A educação como instrumento de transformação social;
  • A pesquisa, a leitura e o ensino;
  • A transmissão do saber entre gerações.
    Simboliza ainda a própria produção intelectual dos acadêmicos e educadores.

A Pena de Escrita
    A pena é um dos mais tradicionais símbolos das academias de letras. Representa:
  • A literatura e a criação intelectual;
  • A escrita como instrumento de preservação da memória;
  • A pesquisa histórica e científica;
  • O compromisso dos acadêmicos com a palavra escrita.
    Sua posição sobre o livro reforça a união entre conhecimento e produção cultural.

O Mapa de Tuntum
    Ao centro do brasão encontra-se a silhueta do município de Tuntum, símbolo da razão de existir da Academia. Representa:
  • A identidade territorial;
  • A valorização da história local;
  • O compromisso com a memória coletiva do povo tuntuense;
  • O reconhecimento do município como espaço de produção cultural e educacional.

A Faixa com o Nome da Academia
    A inscrição “Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes” identifica oficialmente a instituição e expressa seus três pilares fundamentais:
  • Letras;
  • Educação;
  • Artes.
O Lema em Latim
    “Maior Litterarum, Educatio et Artis”

    Pode ser interpretado como uma exaltação da grandeza das letras, da educação e das artes, sintetizando os ideais que orientam a Academia.

   O uso do latim segue a tradição das academias e instituições culturais, conferindo solenidade, permanência e universalidade à sua missão.

O Ano de Fundação – 2025
    Registrado na lateral direita, o ano marca o nascimento institucional da Academia, tornando-se referência histórica para as futuras gerações de acadêmicos e estudiosos.

O Fundo Geométrico
    A trama geométrica que envolve o escudo simboliza:
  • A multiplicidade dos saberes;
  • A integração entre diferentes áreas do conhecimento;
  • A construção coletiva da cultura;
  • A expansão contínua da educação e das artes.
    Sugere uma rede de conexões intelectuais que une passado, presente e futuro.

Os dois círculos em preto
    Os dois círculos pretos que envolvem o brasão da Academia Tuntuense de Letras, Educação e Artes simbolizam a proteção, a unidade e a permanência dos valores institucionais. O círculo externo representa a defesa do patrimônio histórico, cultural e educacional de Tuntum, enquanto o círculo interno delimita o espaço do saber, da criação intelectual e da produção artística. Juntos, formam um símbolo de continuidade, expressando a missão da Academia de preservar a memória coletiva e promover o conhecimento como legado permanente para as futuras gerações.

Síntese Institucional 
    O brasão da ATLEA representa a união entre memória, conhecimento, educação, literatura, arte e identidade tuntuense. O mapa de Tuntum, o livro aberto e a pena constituem o núcleo simbólico da instituição, enquanto as cores e demais elementos expressam os valores de sabedoria, ética, cultura, pertencimento e compromisso com a preservação e difusão do patrimônio intelectual do município. Trata-se de um emblema que traduz visualmente a missão da Academia: cultivar as letras, promover a educação, incentivar as artes e preservar a história de Tuntum para as gerações.


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Morre aos 87 anos o historiador italiano Carlo Ginzburg

Por Lilia Schwarez*
Existem historiadores que explicam a história a partir dos grandes acontecimentos e estruturas. Outros, seguem as pistas deixadas por pessoas comuns. O historiador italiano Carlo Ginzburg, que acaba de nos deixar, pertence a esse segundo grupo.

Nascido em 1939, na cidade deTurim, Ginzburg revolucionou a escrita da história ao desenvolver a chamada micro-história: uma forma de investigação que parte de casos aparentemente pequenos para iluminar grandes questões.

Seu livro mais conhecido, “O Queijo e os Vermes” reconstrói a trajetória de Menocchio, um moleiro do século XV que vivia em Friuli na Itália e foi perseguido pela Inquisição. Ginzburg mostrou como é possível trabalhar com arquivos da repressão a partir do conceito de dialogia: reconhecendo como mesmo em posições desiguais é possível recuperar vozes perdidas e diversas. A partir dos interrogatórios da Inquisição, o historiador revelou um universo intelectual complexo, mostrando que a cultura popular não era uma receptora passiva das ideias das elites. Basta ler “História Noturna” para conhecer um ritual do sabá executado por homens na calada da noite.

Ginzburg criou também o “paradigma indiciário”. Inspirado na atividade de caçadores, psicólogos (como Freud) e detetives (como Sherlock Holmes), Ginzburg argumenta que o conhecimento muitas vezes nasce da interpretação de vestígios: um gesto, uma palavra, um ato falho, uma imagem. Como um investigador, o historiador aprende a ler sinais, indícios, pistas.

Exímio crítico de arte, em seu livro sobre Piero de la Francesca desmontou a tela da “Anunciação” a partir de um detalhe de cor presente na figura do filho morto do mecenas que financiou a obra. Com muita sofisticação.

Além de ter tido o privilégio de conhece-lo pessoalmente, considero a obra de Ginzburg uma das minhas maiores referências. Ele era um historiador erudito, inovador, curioso dono de uma metodologia original e muito divertido. Além de uma pessoa gentil, atenta e sempre muito inteligente. “Deus está nos detalhes” dizia ele. A história também …

Vai fazer muita falta. Mas seus livros continuarão ensinando — junto com ele.

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*Antropóloga, historiadora, membra da Academia Brasileira de Letras, professora da USP e de Princeton.

domingo, 14 de junho de 2026

Jornal do Maranhão : Semanario de Orientação Catolica - Jornal a serviço da Familia e do Povo (MA) - 1954 a 1971

Por Jean Carlos Gonçalves

       Em minhas pesquisas tenho encontrado algumas fontes históricas importantes e interessantes acerca do passado do Maranhão e, especialmente, de Tuntum.

   Graças ao advento na internet e a consequente digitalização de acervos documentais, se tornou mais acessível algumas fontes escritas, as quais seria quase impossível de acessar ou ter que fazer longas viagens e, por conseguinte, gastos que indiscutivelmente inibiria a vontade e tentativa de (re)construir uma representação sistêmica dos tempos idos.

    Então, numa dessas investidas à rede, encontrei: O Jornal do Maranhão: Semanário de Orientação Católica (publicado entre 1954 e 1971), que é um objeto de estudo fascinante para compreender a história política, social e religiosa do Maranhão em meados do século XX.

    Para além de sua função estritamente doutrinária , o periódico atuou como um termômetro das intensas transformações que a Igreja Católica e a sociedade brasileira enfrentaram nesse período.

   Como o próprio subtítulo indica(va) ("Jornal a serviço da Família e do Povo"), o semanário nascia com uma missão clara: moldar a opinião pública maranhense sob a ótica dos valores cristãos tradicionais. Em seus primeiros anos (década de 1950), o foco era fortemente voltado para: a defesa da moral da família católica, o combate ao avanço do comunismo e das ideias seculares e a formação religiosa dos fiéis locais.
     O recorte temporal do jornal (1954–1971) abrange um dos momentos mais cruciais da história da Igreja: o Concílio Vaticano II (1962-1965). Esse evento propôs uma modernização e uma maior abertura social para a Igreja no mundo inteiro.

     No Maranhão, sob a liderança de figuras eclesiásticas marcantes (como Dom João José da Mota e Albuquerque e, posteriormente, o alinhamento com correntes da Igreja progressista do Nordeste), a linha do jornal começou a refletir essa transição. O foco, que antes era majoritariamente voltado para o moralismo e a liturgia, passou a dar mais espaço para: a justiça social e os direitos dos trabalhadores rurais, as denúncias das desigualdades socioeconômicas crônicas do estado e a educação de base (fortemente influenciada pelos movimentos de educação popular da época).
         A fase final do jornal coincide com os anos mais duros do regime militar no Brasil. A imprensa católica maranhense, assim como em outras partes do Nordeste, viu-se em uma posição delicada. Se por um lado o jornal defendia a ordem cristã, por outro, o avanço da repressão contra movimentos sociais e setores progressistas da própria Igreja forçou o semanário a adotar tons mais críticos — ou a sofrer as consequências da censura da época.

       O encerramento de suas atividades em 1971 não foi um fato isolado; refletiu o sufocamento de diversos canais de debate e as profundas reestruturações internas pelas quais a Arquidiocese e a mídia regional passavam naquele início de década de 1970.

     Hoje, as edições digitalizadas do Jornal do Maranhão (disponíveis em acervos como a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional) são fontes primárias valiosíssimas. Elas revelam não apenas a história da Igreja no Maranhão, mas os costumes da época, os anúncios comerciais da capital, a dinâmica política local e como o cidadão comum maranhense consumia informação e fé em um período de transição global.

     Na edição de domingo, 20 de outubro de 1963, encontrei uma lista de novos assinates do períodico, com nomes de personalidades muito conhecidas e outros que vou precisar da ajuda de vocês para (re)conhecer. Assim sendo, compartilho abaixo e aguardo a gentileza da avaliação ou retorno sobre os nomes que seguem.


       Até breve!


quinta-feira, 11 de junho de 2026

30 anos do adeus do poeta e escritor Olímpio Cruz (1909-1996)

Por Rubem Milhomem*

 Olímpio Martins da Cruz (20 de outubro de 1909 a 11 de junho de 1996) foi a primeira celebridade cultural da história da Barra. O primeiro poeta a ser reconhecido e festejado ainda em vida. Não só porque escreveu obras de excelência, mas porque sua literatura foi além da literatura. No tempo dele não havia internet, lacração de rede social nem dancinha de Tik Tok - influencer era quem tinha cérebro e contribuía decisivamente para a vida pública.

   Cruz foi quem traduziu o espírito do seu tempo e construiu na sua poesia e na sua prosa a identidade moderna da nossa terra, que se descobriu orgulhosa de si mesma e de seus valores. Foi a geração dele que deu à Barra o título de “Princesa do Sertão” (que muito antes era de outras cidades do Maranhão - e muitíssimo antes era de outras cidades do Ceará, mas não só).
   Ele foi o primeiro grande poeta a dedicar sua escrita a temas sobre Barra, seu cotidiano, sua história, sobre o jeito de ser e viver dos cordenses. Sua inspiração por excelência foram os sertões e as selvas, os sertanejos e os indígenas. Em síntese, o mundo no qual ele vivia e efetivamente conhecia. Entre realismo e romantismo, entre denúncia social e puro ufanismo, entre universalismo e bairrismo, colocou a Barra e suas contradições nos livros - para de lá nunca mais sair.
 Cruz dominou como poucos a temática indígena porque trabalhou décadas no SPI, depois renomeado como Funai. Daí vieram livros como “Clamor da Selva”, “Lendas indígenas” (escrita em parceria com Maria de Lourdes Reis) e “Vocabulário de quatro dialetos indígenas do Maranhão” (não houve o crédito no livro e aqui temos de fazer o registro histórico - a obra teve a decisiva colaboração de Nazaré Buritirana, que foi professora na aldeia indígena do Ponto e foi a primeira pessoa a colocar em texto de língua portuguesa, em anotações que fazia em cadernos, a linguagem indígena dos Guajajara e Canela). Cruz recebeu a Medalha Nacional do Mérito Indigenista, na categoria Pacificador, honraria concedida a vultos como Cláudio e Orlando Villas-Boas.
 Ele escreveu a obra definitiva sobre o Massacre de Alto Alegre em 1901 (“Cauiré Imana, o Cacique Rebelde”) porque tinha amplo acesso aos depoimentos orais de sobreviventes e seus descendentes e também a experiência de pesquisa jornalística de quem integrou a redação dos jornais “O Norte” (desde os 13 anos de idade) e “O Limiar” - foi assim que mostrou com isenção que para 111 cristãos mortos (jamais esquecidos porque a história é contada pelos vencedores) houve o assassinato de mais de 300 indígenas Guajajara (dos quais ninguem fala), deixando em aberto a inquietante pergunta sobre quem afinal massacrou quem. Em outro livro importante (Puturã) abordou o Massacre da Aldeia Chinela em 1913, no qual foram mortos mais de 150 indígenas Canela - um prenúncio do futuro Massacre do Sítio dos Arrudas em 1963.
  Cruz discorreu com autoridade sobre o homem sertanejo porque ele próprio foi um - de origem humilde, nascido na Fazenda Soledade, na região de Tuntum, que era povoado da Barra. Sua família não era de fazendeiros, mas de agricultores. Seus pais Zeferino Martins da Cruz e Vicência Craveiro, e seu único irmão Inácio, eram pessoas da roça. Há um poema autobiográfico no qual ele conta que saiu do interior e foi para a cidade, a Barra, a mando dos pais para estudar, mas não estudou - no sentido de que não teve formação acadêmica. Cruz tinha vasta cultura e sólida bagagem literária, mas era autodidata. Teve vida difícil e contava que quando menino chegou a buscar água no rio Corda com a lata na cabeça para encher os potes das donas de casa que lhe pagassem alguns trocados. Seu primeiro contato com a literatura foi lendo restos de folhas de jornais que achava nas ruas. Dessa formação pessoal vieram obras, publicadas ou não, como "Relatório Sertanejo”, “Vaqueiros e Arreios” e “Espinheiros Floridos”, por exemplo.
   Cruz influenciou gerações de poetas, com suas dezenas de livros de originalidade ímpar, poesia doce e inegável apelo às raízes cordenses - colocando abaixo a ideia de que somente gente erudita poderia ser poeta, a exemplo do que concebia a geração anterior à dele, como aquela de Olimpio Fialho. Desse contexto vieram obras como “Canção do Abandono”, "Cinzas do Tempo", “Trovas brancas”, “Retalhos de versos”, “Cantigas de outono”, “Rimas e flores”, entre outras. E assim foram incontáveis os seus discípulos numa longa linhagem cuja relevância foi mais ou menos até os livros do poeta Efe Brandes.
   Cruz tinha tudo para dar errado, pois do ponto de vista formal, fez a poesia da Barra do século 20 - aquela dos sonetos cheios de palavras difíceis e frases indiretas que desafiam a capacidade de leitura da mais destemida das criaturas. O problema dos sonetos é que os autores, literalmente contando sílabas, e devotadamente submissos à ditadura das rimas, em geral colocam a forma do poema acima da mensagem. Daí resulta não raro uma arquitetura sofisticada com pouca densidade de conteúdo. Cruz, porém, escapou dessa armadilha estilística por uma razão básica - tinha o que dizer e falava do que conhecia. E disse e falou. Falou e disse. Salvando os sonetos do cemitério do hermetismo. Ufa.
   Quem ainda não leu, leia. A poesia de Cruz tem música suave, ritmo cantante, métrica precisa, lirismo e conteúdo que alimentam a alma. São versos em valsa em poemas para declamação, pois no tempo dele se declamam poemas em saraus e eventos diversos. Poeta na época dele era figura ilustre que subia ao palco para discursar em tertúlias e vesperais, em festas cívicas e sociais, em bailes iluminados com petromax e serestas palpitantes nas quais borboleteavam os casais.
   Entre os autores clássicos da Barra, à altura dele, em termos literários, só esteve Maranhão Sobrinho - que quase ninguém leu, nem ontem, nem hoje, sejamos sinceros (uma pena - Kissyan Castro fez uma biografia monumental sobre ele). E Sobrinho nunca escreveu sobre a Barra - tem três livros póstumos publicados que na realidade são coletâneas de nítida inspiração européia. Cruz foi quem botou o povo na poesia e fez a poesia ir ao povo. Assim, em mais de um sentido, foi o primeiro poeta popular da Barra.
    Cruz escreveu as letras da “Canção Cordina”, do “Hino de Barra do Corda”, do “Hino do Cordino Esporte Clube” e do “Hino da Escola Pio XI”, cujas músicas foram do maestro maior Moisés da Providência Araújo - o genial e genioso índigena Guajajara, filho de Caetano da Providência, irmão de Ananias da Providência (outro grande músico de quem pouco se fala). Cruz influenciou o teatro, a exemplo de obras suas encenadas pelo grupo do ator e diretor Antônio José Ribeiro. Não há área cultural ou histórica que não tenha alguma repercussão da biografia de Olímpio Cruz. Ele foi inclusive vereador e presidente da Câmara de Vereadores da Barra (seu filho Nonato Cruz foi o único vereador cassado pelo Golpe de 1964). Na política Cruz teve embates, alianças e desalianças com personagens famosos como Perdigão Freire e Galeno Brandes.
   Cruz é patrono da Academia de Letras da Barra e foi membro fundador do Grêmio Cultural Maranhão Sobrinho e do Grêmio Machado de Assis, todos na terra cordense. Foi também membro da Academia de Letras de Brasília e da Academia Maranhense de Trovas.
Tive a honra de conhecer pessoalmente Olímpio Cruz. Ele foi meu padrinho de batismo e meu tio, casado com a tia Maria Gato, irmã da minha mãe Neuzinha Gato. Pai dos meus primos Nonato (falecido), Dalva, Dinalva, Lindalva e Olímpio Júnior - além de Rosilda, minha madrinha de batismo, que trabalhou décadas com ele, foi criada por ele e que se considera filha adotiva dele com todo louvor. Morei na casa dele por algum tempo no número 54 da Quadra 6 do Guará I, quando vim da Barra para o DF. Era um homem afável, terno, gentilíssimo. Como além de famoso era muito agregador, sua residência era uma verdadeira embaixada da Barra no DF - todo conterrâneo passava por lá para alguma visita, algum almoço, algum café. Sempre tinha a conversa comprida e animada.
   Lembro de seus últimos dias de vida. Esteve sereno até o fim. Margeando algum lugar entre o céu e a terra, dizia ver muitas crianças correndo pela casa - não havia crianças na casa. Certa vez passou um tempo considerável sozinho no portão como se conversasse com alguém e quando voltou falou com alegria que tinha acabado de receber a visita de Galeno Brandes, que havia morrido antes dele. Que tal? Olímpio Cruz partiu muito bem acompanhado. Pelos vivos e pelos mortos. Dele se pode dizer verdadeiramente - foi o homem, ficou a obra. Esse, aliás, é o conceito de quem é imortal. Palmas.



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*Rubem Milhomem é escritor e poeta, mora em Brasília (DF)
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Notas da Redação:
- As fotos em mosaico são do acervo do Rubem Milhomem;
- Na sexta-feira (12), é a vez do poeta Francisco Brito, afilhado do Olímpio Cruz, poeta maior de Barra do Corda.

MAIS QUE COPA DO MUNDO - GUERRAS E CONFLITOS DA GEOPOLÍTICA SEMPRE TABELARAM COM A COPA DO MUNDO

 















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FONTE:https://www.uol.com.br/flash/c=d5115574715f98b69e5e3356da1fb72a20260611 - [Acesso em 11/06/2026, às 10h:43min]

domingo, 7 de junho de 2026

Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU

 Por Olímpio Ribeiro Fialho.

Imagem meramente ilustrativa

Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU 

Com a modestia de uma vida de trabalho, ordem e honestidade que tem merecido respeitoso acatamento de quantos homens de bem se me tem aproximado, Cotonière Brasil Limitada foi encontrar-me na minha Barra do Corda, aproveitando-me nos meus serviços de expansão commercial naquela região do Mearim.

Em julho do ano próximo passado, confiara-me com uma remuneração inicial de 1:000$000para o período de de 15 de Julho a 31 de Agosto daquele anno e 600$000 mensaes de então por diante, os estudos preliminares dependentes de sua aprovação, da execução de um plano de estradas, para peões e tropas em sentido convergente, aos centros de producção da zona do Japão – margem direita do Mearim – oito léguas acima de Pedreiras – hoje ponto commercial importantíssimo onde viera ser localizada a mais movimentada das filiaes da firma naquela região – serviço esse em que eu deveria receber sugestões e numerários do gerente de S. Raymundo, Osvaldo Teixeira Mendes.

A 21 de Julho já referido, tive expediente da importante casa franceza para atacar aquelles serviços assegurando-me o Sr. P. Jordain que no curso dos mesmos, melhorariam a minha remuneração assas minguada, que comprehendia funcção technica e administrativa, pois todo o serviço era estudado, dirigido e fiscalisado por mim.

Das instrucções transmitidas ao gerente de S. Raymundo, a quem me apresentei 5 dias depois, resultou o plano em que em 21 de Setembro immediato já lhe era por mim apresentado, inclusive a demarcação de um terreno com a área de 1 quilometro quadrado em utensílios, reclamada por aquelle gerente.

Os estudos preliminares comprehenderam o reconhecimento de toda a região que podia interessar ao futuro ponto comercial de Marianopolis, cuja aquisição ficara como que dependendo da praticabilidade daquelle systema de communicação e transporte, com o aproveitamento do respectivo porto de embarque. Esse serviços preliminares, foram em detalhe, os caminhamentos de S. Raymundo, pela margem direita do Mearim a Marianopolis, com referencia aos núcleos intermediários (S. Felix, Pau D’Arco, Maribondo, S. Miguel, Sapucaia, Mocegos, Pacas, Guariba) – Marianopolis á região das mattas do Japão, a Curador, n’uma oercorrida de 66 Kilometros, com referencia a numerosos núcleos de população agrícola (Mandacaru, Itaipoca, Latada, Lago do Coco, Capim, Siunauma, Couro D’Anta, Lagoa Queimada, Genipapo, S. Joé dos Basilios, Santa Luzia, Centro do Cypriano, Tambory, Fazenda Nova, Coco do Manoel, Estevam, Lustrão, Sapucais (próximo a Curador), Fortaleza, Curador, Matta Velha, Pedro II, Tum-Tum, Arroz, São Paulo, Mucunã) com “croquis” das configurações de trechos, inclusive rio e levantamentos parciaes que orientaram e mereceram aproveitamento na execução das obras ahi projectadas, com a despeza geral (pessoal e material) de rs. 3.463.300 – importância essa comprehensiva do meu ordenado, no total de rs. 1:420.000. Verifica-se que o custo de todos os estudos e trabalhos de campo, inclusive o da demarcação de utensílios, com o respectivo mappa topographico realizado em 51 dias, é simplesmente de Rs. ....... 2:076.300.

As distancias vencidas por mim, acompanhado de um homem, á diária de 1.500, ora a pé, ora montado, cerca de 600 Kilomentros, sendo distancias de ida e volta aos pontos de referencia 255 kls, 800 ao que se devem tomar addicionar as distancias, de volta aos pontos de partida, desvios e retificações approximadamente de 350 Kilomentros. Dessa despeza a parcella de 813$800 corresponde a viveres, utensílios, ferramentas, de 30 de Julho a 18 de Setembro, tendo a demarcação occupado 14 homens que prestaram 113 dias de serviço ao preço de 3$000 e alimentação.

Approvado o plano de despezas desse relactorio-projecto bem assim o da demarcação, cujas referencias especiaes constam do relactorio de 15 de Outubro dirigido àquelle gerente, passei a phase executora.

A 28 DE Setembro, quando dei por terminado o resto de serviço que consistia na colheita de dados para o respectivo esboço topographico enoctei, com a turma que serviu na demarcação, a restauração da antiga e abandonada estrada que, naquella região, desce de Barra do Corda, no trecho comprehendido entre Bom Logar e Marianopolis. O trecho Utensilios a Marianopolis – 11, kls. 260 foi beneficiado por 29 trabalhadores em 109 dias-operarios. O de Utensilios a Bom Logar (rio acima) mede 3kls.260 e foi beneficiado por empreita a razão de 35$060 o Kilomentro.

Nesse trecho e no outro até Marinopolis encontra-se Bom Logar, Frito, Utensilios, Cazuza, Lambedouro, Beira do Flores e Mandacaru. De Bom Logar a Marianopolis o total de estrada beneficiada, mede 14kls.460 inclusive a parte que liga a velha estrada ao ponto fronteiro do porto de Utensilios. O serviço entre esses dois logares conclui-se a 18 de Outubro, ficando a estrada convenientemente alargada, levantada e medida.

A 19 de Outubro dei começo ao levantamento e medição da estrada que divergindo se em Mandacarú, da velha estrada que desce de Barra do Corda a Pedreiras, se dirige ao Japão, passando por S. José dos Basílios e Curador.

Levei o serviço de, edição e levantamento até S. José do Basilios, a 28 kls.500 de Marinopolis, tendo chegado a este povoado, a 6 de Novembro. Nos dias 3, 4 e 5 estive ausente por determinação da firma, para tratar de interesses relativos ao serviço, em Pedro II, sem, todavia, suspender o serviço. Por esse tempo concluía-se o alargamento do trecho Mandacarú a Itaipoca, com extensão de dois Kilomentros empreitados a 40$000, cada.

A 8 organisei uma turma de 30 trabalhadores com a daria de 5$000 á custa dos mesmos e dei começo ao serviço de restauração da estrada que, de S. José dos Basilios parte para Tum-Tum. Era cabo dessa turma, Antonio Barroso Soares com o jornal de 8$000.

A 16, organisei outra turma nas mesmas condições, composta de 12 homens aplicada no mesmo trecho, partindo de Tum-Tum ao encontro da primeira. Era cabo da turma, João Francisco Nougueira.

A 14 de Dexembro, organisei a terceira turma de 22 operarios, confiada ao cabo João Francisco da Costa, também em idênticas condições e que se ocupou do trecho de Tum-tum de cima a Tum-Tum de baixo.

Conclui-se a 26 de Dezembro o serviço da estrada de S. José do Basilios a Tum-Tum, com o numero de 1506 dias trabalho e a despeza de rs. 7:706$400.

Ao mesmo tempo que se realizava o serviço acima, idêntico trabalho se fazia na estrada S. José do Basilios a Marianopolis: a seção de 5$000 acima e abaixo de Lagoa Queimada fora atacada por empreita á razão de 400$000 o kilometro, e o trecho de S. José, na direcção do Genipapo era trabalhado por uma turma que manteve a media de dez homens em serviço, ainda a 5$000 diarios, realizando-o com 130 dias-operarios.

Essa turma, era chefiada pelo empregado auxiliar Pedro Maranhão, encontrou-se com o serviço de empreita, tendo feito ainda a 4 kls. 160 de carreto beneficiamento.

Por “memorandum” de 10 de Dezembro fui chamado para entender-me, em Marianopolis, com o Sr, Camillo Thiriot, que me pediu informações sobre o serviço e a quem igualmente prestei contas, em presença do gerente Oswaldo Teixeira Mendes, das despezas até então realizadas.

Em seguida acompanhei-o n’uma viagem de observação, de Marianopolies a Anjelim, de onde atravessamos a matta entre o Mearim e o Flores, até Tum-Tum. Consta, tudo isso, no relatório de 21 de Dezembro entregue pessoalmente ao mesmo, que não opôz restricções. Só uma semana depois, concluiu-se a estrada S. José do Basilios a Tum-Tum, que montou á cifra já referida.

Até então as despesas geraes, desde a prestação de contas de 21 de Setembro a 21 de Dezembro, foram de rs. 11:771$900, que reunidas ao saldo de 290$000, então apresentado, fazem rs. 12:062$100, correspondentes ao total das quantias diversas que, naquelle período, me foram fornecidas pelas filiaes da firma.

Resumo das despesas da

Cosinha .......................... 1:059$600

Utensílios........................      49$800

Ferramentas....................    878$500

Salarios de jornaleiros......5.769$400

Empreitas---------------------    180$000

Desp. Diversas.................    130$500

Salarios de mensalistas.... 3.712$100

Rs. ................................. 11:771$900

 

Os serviços ocorridos de 21 de Dezembro a 8 de Janeiro foram: o resto do renovamento da estrada S. José dos Basilios a Tum-Tum, cujo o pagammento deveria constar, como  constou no relatório, ou, antes, da prestação de contas firmada a 16 de Fevereiro de 1937, e mais a que se efectou de 27 de Dezembro a 8 de Janeiro, com relação a estrada de S. José dos Basilioa a Curador, cuja a remuneração até hoje não foi feita, por se ter a firma, recusado, sem razões plausíveis, ao pagamento do pobres laboriosos jornaleiros que tanto se esforçaram para tanto bem cumprir o seu dever.

Esse trecho de estrada não foi medido mas o avalio em 15 kilometros e realizou-se em 11 dias.

De 21 de Dezembro a 16 de Fevereiro, as despesas ocorridas foram:

Da  cosinha........................,,155$200

Salarios de jornaleiros .....4.027$900

Pequena empreita --------------- 41$500

Telegramas............................18$500

Cabo de ferramenta............... 14$500

Pequenas despezas................10$600

Relativas a trnsportes......... 232$200

Fornecimento a mensalista..889$700

Rs.  ..................................5:390$100

 

Essa quantia comprehende, as que, em diversas datas, nesse período, me foram fornecidas pelas filiaes.

As contas que se não solveram, por manifesta má vontade de Coton, foram as que se refere ao saldo dos mensalistas, 1:380$950; fornecimento de viveres e ferramenta 51$700; aluguel de uma burra por dois meses 200$000, importância de uma facrura de gêneros fornecida pela filial de Marianopolis 323$200 salario de jornaleiros em numero aproximado de cem (cem), a 5$000 em 11 dias 5:500$000.

Estão ahi, os 7:455$850 quantia que é o debito da Cotonnière Brasil Limitada, a grande casa franceza que, meus coestadanos, que me apresentar como um desonesto qualquer, a quem se julga com o direito de avaliar e prejudicar, ficando-se, ademais, com as fofas de grande Victoria sobre os pobres que commigo derramaram o seu suor naquelles duros serviços de cammpo, sob o sol e tantas vezes fustigados pela horrível falta dagua.

Não ha de ficar assem.

 

OLÍMPIO FIALHO

4-5-937.

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Fonte: O Imparcial (MA) - 1926 a 1946 -            Ano 1937\Edição 05574 (1) –quarta-feira,              13/05/1937.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Olímpio Ribeiro Fialho: o homem que ajudou a desenhar o Maranhão

Por Jean Carlos Gonçalves e
 colaboração do pesquisador 
Creomildo Cavalhedo Leite.

Olímpio Ribeiro Fialho

    A história da Geografia maranhense possui diversos nomes de destaque, mas poucos alcançaram a dimensão intelectual e o legado deixados por Olímpio Ribeiro Fialho. Reconhecido por estudiosos como um dos maiores geógrafos do Maranhão, ele foi muito mais que um pesquisador: foi engenheiro, agrimensor, administrador público, explorador do território e um dos principais responsáveis pelo conhecimento e pela organização espacial do estado ao longo do século XX.

     Nascido em Barra do Corda, em 24 de agosto de 1889, Olímpio Ribeiro Fialho era filho de Fortunato Ribeiro Fialho, primeiro intendente municipal, cargo equivalente ao de prefeito, daquele município. Desde cedo, desenvolveu profundo interesse pelas paisagens, pelos rios, pelas serras e pela ocupação humana do Maranhão, interesses que mais tarde se converteriam em uma das mais notáveis trajetórias intelectuais do estado.

    Sua formação técnica permitiu-lhe atuar como engenheiro de estradas e agrimensor em uma época em que grande parte do território maranhense permanecia pouco conhecida e de difícil acesso. Participou da abertura de estradas (inclusive para Tuntum-MA), construção de pontes e realização de levantamentos topográficos fundamentais para a integração de regiões isoladas. Essas atividades o levaram a percorrer praticamente todas as regiões do Maranhão, experiência que se transformaria em valiosa fonte de conhecimento geográfico, histórico e arqueológico.

       O ponto alto de sua carreira administrativa ocorreu quando assumiu a direção do Departamento de Terras, Geografia e Colonização do Maranhão. À frente desse importante órgão estadual, realizou extensos trabalhos de reconhecimento territorial, medições de terras, estudos cartográficos e levantamentos geográficos que contribuíram para o planejamento e a ocupação do espaço maranhense.

   Seu conhecimento do território era tão profundo que participou ativamente da análise, orientação e correção dos limites administrativos dos municípios maranhenses. Em uma época marcada por imprecisões cartográficas e indefinições territoriais, seus estudos forneceram bases técnicas para a organização político-administrativa do estado, ajudando a definir fronteiras municipais e a reduzir conflitos de jurisdição. Por essa razão, pode-se afirmar que Olímpio Ribeiro Fialho foi um dos principais arquitetos da divisão territorial moderna do Maranhão.

  Paralelamente ao trabalho técnico e administrativo, desenvolveu intensa atividade científica. Suas constantes viagens pelo interior permitiram-lhe registrar aspectos do relevo, da hidrografia, da geologia e dos ecossistemas maranhenses, produzindo estudos pioneiros sobre a geografia física do estado. Muitos desses trabalhos serviram de referência para pesquisadores das gerações seguintes.

      Entre suas obras mais importantes destaca-se o estudo A Casa de Pedra, publicado em 1956 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Nesse trabalho, descreveu e analisou um dos mais importantes sítios arqueológicos do estado, registrando inscrições rupestres e vestígios de antigas ocupações humanas. A pesquisa é considerada uma das primeiras contribuições sistemáticas para a arqueologia maranhense.

  Também realizou levantamentos sobre cavernas, formações rochosas e ocorrências geológicas existentes em diversas regiões do Maranhão. Seu pioneirismo foi reconhecido posteriormente quando pesquisadores atribuíram seu nome à Caverna Olímpio Fialho, homenagem à sua contribuição para o conhecimento do patrimônio natural maranhense.

   Sua produção intelectual estendeu-se a numerosos artigos, relatórios técnicos e comunicações científicas publicados pelo Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, instituição da qual foi membro destacado. Nesses trabalhos abordou temas relacionados à geografia regional, à ocupação territorial, à arqueologia, à história local e aos recursos naturais maranhenses.

     O reconhecimento de sua importância levou-o a ocupar posição de destaque no meio intelectual do estado. Foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 30 do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, cujo patrono é o engenheiro Justo Jansen Ferreira. Posteriormente, sua própria trajetória tornou-se referência para novas gerações de estudiosos, sendo escolhido patrono da Cadeira nº 59 da mesma instituição.

    Sua vida pública também incluiu serviços prestados à administração da justiça. Em 1937, foi nomeado suplente de juiz em Barra do Corda para o biênio 1937-1938. Contudo, foi no campo da ciência, da engenharia e da geografia que construiu sua contribuição mais duradoura.

    Em 8 de março de 1944, sofreu um grave acidente automobilístico quando se encontrava em serviço como engenheiro de campo. No veículo viajavam seus filhos Polo e Orfal, além de outros companheiros de trabalho. A tragédia resultou na morte de Orfal, então com apenas 17 anos, episódio que marcou profundamente sua vida familiar.

    Casado com Anísia Lima Fialho, Olímpio viveu até os 89 anos, falecendo em São Luís, em 23 de junho de 1979. Deixou uma obra construída não apenas em livros, relatórios e pesquisas, mas também nas estradas abertas, nos mapas elaborados, nos limites municipais definidos e no conhecimento produzido sobre o território maranhense.

      Mais do que um geógrafo, Olímpio Ribeiro Fialho foi um verdadeiro intérprete do Maranhão. Como engenheiro, ajudou a integrar o estado; como agrimensor, mediu e registrou suas terras; como gestor público, contribuiu para organizar sua divisão territorial; e, como pesquisador, revelou aspectos fundamentais de sua geografia, arqueologia e história.

     Seu legado permanece vivo na cartografia, na memória institucional e nos estudos sobre o Maranhão. Poucos homens conheceram tão profundamente o território maranhense e poucos contribuíram tanto para que ele fosse compreendido, organizado e valorizado. Por isso, Olímpio Ribeiro Fialho ocupa lugar de destaque entre os grandes construtores da identidade geográfica e histórica do Maranhão.