"Pedro José de Oliveira é uma das figuras mais notáveis de Passagem Franca. Fez escritor. Comerciante em São Luís, além de jurista. Um dos fundadores da Faculdade de Direito do Maranhão, hoje da UFMA. Foi prefeito de São Luís. É patrono de nossa cadeira 31 (APAGEFRAN).
PELO MARANHÃO
O
Maranhão é, incontestavelmente, uma terra de esperanças.
Foi grande e próspero nos tempos
passado, teve filhos que lhe glorificaram o nome e braços que lhe impulsionaram
as indústrias.
Hoje permanece immovel ante a
febre de progresso que agita muitas outras circumscripções da Federação
Brasileira. Entretanto, amanhã poderá continuar a sua marcha evolutiva, porque
não lhe faltam filhos dos mais ilustres e terras das mais soberbas e férteis.
Basta que os Governos se
empenhem, sincera e resolutamente, na resolução dos magnos problemas de que
depende o futuro e a grandeza do valoroso Estado, e que são: - a multiplicação
dos meios de transporte, a construcção de porto de São Luiz, a colisação das
terras desabitadas e a divulgação e aperfeiçoamento do ensino nas diversas
localidades do interior.
Destes serviços, o mais urgente
é, sem dúvida, o que se refere ao transporte.
Quem já viajou pelos sertões
maranhenses soffrendo as ríspidas provações de uma longa e erma travessia; quem
observou a morosidade e crueza da conducção de algodão em dificultosos
comboios; quem contemplou o desfilar lento e caçando numerosas boiadas que
descem do alto sertão para as feiras do Arary, Itapecurú e Vargem Grande, ou
para os portos da Gambarra, do Ambude, da Inveja, etc.; quem já sentiu de perto
os queixumes dos lavradores e criadores contra o abandono que se vêem, não pode
deixar de reconhecer a necessidade do estabelecimento de vias férreas,
principalmente nas zonas, não atravessadas pelos rios.
A estrada de ferro de São Luiz a
Caxias, pouca utilidade apresentará por enquanto. Os gêneros produzidos pelos
municípios as margens do Itapecurú, transportam-se facilmente para a capital,
por meio de embarcações a vapor, que, em qualquer época do anno, chegam até a
cidade de Caxias. De modo que essa estrada era, para todas as razões, adiável.
Do que o Maranhão precisa, e sem
demora, é uma linha ferrea, que partindo de qualquer ponto do Itapecurú, vá
desbravar as mattas do Japão e desvendar as variadas riquezas que se estendem
desde as altura de Barra do Corda até as fertilíssimas terras do Tocantins.
Além de grandes minas ainda
inexploradas, há em todo o interior do Estado innumeras regiões de terras
desconhecidas, e cujo povoamento só mais tarde se podem effectuar.
Destaca-se, entre outras, a zona
do Japão que se alonga pelos municípios de Caxias, Codó, Barra do Corda e
Picos. É um vasto carrasco, entrecortado de exuberantes mattas densas, tabocaes
e campos adequados para a criação de gado. Terreno mais ou menos plano, apenas
levemente encrespado na volumosa faixa que avança para Picos e Barra do Corda,
continua inculto na sua quase totalidade. Contudo, contam-se povoados florescentes,
como os de Santo Antônio, Curador e alguns outros, que attestam a superioridade
das terras do Japão. É ahi que se oculta a importante lagoa da Matta, que é
desconhecida dos maranhenses.
Sabe-se que um velho e arrojado
caçador daquella baudas, depois de dura caminhada através do carrasco,
conseguiu encostar, pouco depois de 1890, num dos recantos da famosa lagoa, em
cujos arredores, além de muita caça, existe grande quantidade de gado bravios,
provavelmente, oriundos de rezes que se perderam em épocas remotas e que para
ali se dirigiam, impellidas pela sede.
Quando os índios das Aldeias
Altas e Trizidella, incomodados com a presença dos primeiros povoadores da
actual cidade de Caxias, deixaram as margens do Itapecuru, estabeleceram-se,
pela primeira vez em torno dessa lagôa, segundo a narrativa de um de seus
descendentes, que morou no município de Caxias.
Pelo volume inextinguível de
suas aguas, pela fartura de peixes e pela fertilidade dos terrenos contigios, a
lagôa da Matta, hoje despovoada, será, certamente, para o futuro, um grande
centro de lavoura e criação. Tem um colossal sangradouro – o rio Codó, que a
põe em perene comunicação com o Itapecurú.
Na zona do Japão, encontra-se
alguns terrenos alagadiços, nos quaes se pode cultivar, proveitosamente, a
canna de assucar.
Existe ainda, uma grande
quantidade de maniçoba brava, muito leitosa, conforme experiências feitas nas
proximidades de Picos, pelo esforçado agricultor Delfino Calvo.
E como estas, muitas outras terras,
egualmentes ubérrimas, jazem em completo abandono, á espera de braços e
ferramentas que as revolvam e de vias de transporte que as ponham em contacto
com os centros commerciaes do futuroso Estado nortista.
Multipliquem-se os meios de
transporte, e o systema rotineiro empregado na lavoura será, pouco a pouco,
substituído pelos processos scientificos adoptados na agricultura dos Estados
progressistas.
Faça-se a linha férrea do
Tocantins e o Maranhão terá dado um salto gigantesco passo para a debelação da
crise financeira que lhe vem, de há muito, amortecendo as energias vitaes.
Para a consecução de tão indispensável quão urgente melhoramento, torna-se preciso que a representação maranhense se decida a trabalhar nesse sentido, com perseverança e calor, a fim de que se torne uma realidade essa sonhada estrada de penetração, que até agora tem vivido a vida lethargica dos projectos e estudos mystificadores.
Pedro Oliveira
A nossa próxima postagem será uma análise interpretativa desta valiosa fonte histórica. Portanto, aguarde!!!
____________________________









