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sábado, 18 de abril de 2026

Extra! Extra! Extra! Leia no Correio de Picos!! - ARTIGO DO ENGENHEIRO JULIO JANSEM SOBRE A MATA DO JAPÃO - 1913.

Compartilho com você, querido leitor(a) mais um artigo do Engenheiro Julio Jansem publicado no Jornal Correio de Picos em 1º de novembro de 1913.

A matéia mais uma vez aborda sobre a Mata do Japão numa riqueza de detalhes impressionante. Aprecie a leitura, cujo texto conservamos sua escrita original.

Assim sendo, aprecie o texto, faça reflexões e tire suas próprias conclusões. Se possível, deixe comentários.

"NÚCLEO AGRICOLA

Concentração de trabalhadores nacionais na Terras devolutas do Japão, comarca do Alto Itapecuru, Picos, Maranhão.

            Distando da cidade de Picos 50 kilometros, está situado o povoado de São Domingos. A estrada que para ahi conduz é completo de sinuosidades e passa pelas fazendas Canto do Talhado, Caraybas e Cachimbos. É esta a estrada comercial para a cidade de Pedreiras no rio Mearim como tambem para o Codó no rio Itapecurú. O povoado compõe-se de cerca de 80 cazas situadas nas imediações das lagôas seguintes: S. Domingos, S. Cruz, Comprida e Descanço, lagôas estas q’ secam no verão, apenas as duas primeiras sustentam agua de um ano para o outro. A agua é boa e a não ser tirada das lagoas, encontra-se ella em abundancia com pouca profundidade, podendo dar optimo resultado os poços tubulares.

            Em quase todo o percurso da estrada, desde Picos observamos que os terrenos são ferteis, salvo em raros trechos, que não são de nenhuma sorte improductivos.

            Todo terreno é cortado por poucos extensos baixões que são fertilissimos e frescos como demonstram as roças de arroz, algodão, milho e mandioca que as cobrem.

            Quanto a estação chuvosa é favorável, a produção de cereaes é extraordinaria e não se receia de comparação com a dos frescos e uberrimos terrenos muitas de serranias.

            Em S. Domingos e mais moradias dos aredores é incontestavel a lavoura que mais interesse disperta.

            Estamos convencidos de que nella repousa, de facto, o futuro do Japão. O seu clima, as suas condições meteorológicas, a natureza de suas terras, tudo indica que a lavoura pode desenvolver em grande escala, graças a um certo numero de circumstacias que lhe são favoráveis. Podemos citar entre estes: clima quente temperado, temperatura media de 28 a 30°C, altitudes oscilantes entre 180 a 250 mtrs., chuvas abundantes apenas durante 4 mezes pos anno, dias de sol intenso e muita luz. São em geral terrenos avermelhados argilosos-siliciosos e em logares  em que esta terra com certa porcentagem de areia, são ellas aproveitadas com magnifico resultado para o cultivo do algodão, mandioca, fumo maniçoba. Infelizmente não nos é possivel dar uma ideia de todos os recursos que as terras devolutas do Japão despoem para o seu desenvolvimento futuro. Faltam-nos para isso dados exactos, informações dignas de fé, isentos desses exageros tão communs entre nós e principalmente uma observação pessoal, demorada dessa região.

            A industria pastoril nesta zona vai declinando dia a dia devido a grande peste de carrapatos e bernes que infecciona as mattas e cerrados, peste como na ha igual em todo o Brazil. Devido a esta circumstancia tão prejudicial a criação do gado vacum, ainda impera entre nós a queima dos mattos. Dizem os criadores que no anno em que não se torna geral a queima, a criação não progride, o gado conserva-se magro e a venda da boiada é nulla, não alcançando preços rasoaveis. Demonstra claramente que a zona do Japão sendo propria para a lavoura, não deveria ser utilizada para a creação que para esta industria temos campos apropriados no extremo sul do Estado onde não existe berne nem carrapatos.

            Torna-se forçoso que os poderes publicos attendam a uma organização florestal e que os povos se convençam da utilidade de conservarem determinadas áreas de mattos, não somente por si uma riqueza, como tambem um conservador dos mananciais.

            Somos de parecer que a colonização do trabalhador nacional nesta zona não está sujeita a máo êxito. Bom solo, clima saudavel, mercado próximo, pois dista da cidade de Picos 50 kilometros, relativa facilidade de se aperfeiçoar o caminho vicinal e grande abundancia de madeira para obras.

            Embora afastado algumas couza do mercado consumidor pode-se entretanto por em comunicação o centro com o rio Itapecurú por uma estrada de rodagem, diminuindo assim a distancia em 20 kilometros.

            Não desejamos nos alongar em considerações, que numeros não podem positivar sobre o futuro do Japão tão imperfeitamente estudado. Sobre ele repousam em grande parte as esperanças de quanto desejam ver prosperas e felizes estas terras incultas.

            Concorria com bom contijente o levantamento de um mappa da área por ele abrangida, (pois todas que existem são imperfeitas,) na qual ficassem devidamente determinadas as coordenadas dos seus pontos importantes, projectados, mediantes levantamentos parciais, o curso de seus rios e seus afluentes, e verificadas as distancias exactas entre nucleos povoados e as cidades na margem do Itapecurú e Mearim, para onde escoam todos os produtos de sua industria.

            Claro é que, dispondo o Japão de terras de uma fertilidade incontestavel e cobertos em maior parte de mattas virgens, riquezas mineraes e vejetaes as mais variadas terá um futuro imenso diante de si no dia em que ondas de imigrantes acompanhando de perto o estabelecimento de vias férreas, se derramarem por estes sertões disertos ainda e ignorados em maior parte.

            Elles constituirão de futuro, em recurso para o extravasamento das populações de outros estados.

            Consideramos como terminados, sob o ponto de vista geral à descripção da zona de S. Domingos situada entre o Itapecuru e o Mearim, e conscios do bom acolhimento do exposto, ficamos convencidos de que o Dr, Ministro da Agricultura tome em consideração tão justo pedido o qual fica tambem extendido aos dignos representantes federaes por este Estado, dotando as terras do Japão com estes melhoramentos afim de concentrar o pobre lavrador nacional, protegendo-o contra os abusos do forte encaminhando assim o emigrante nacional para as terras devolutas desta zona.

            O Governo do Estado podia ceder ao Governo Federal em troco de outros favores, áreas determinas no Japão pois nenhuma vantagem aparece, tem actualmente sobre as ditas terras devido sobre a falta de regulamentação para a venda e aforo dellas.

            Se o poder competente julgar conveniente aproveital as para a colonização nacional, é necessario percorrel-as mais demoradamente para se escolher mais precisamente os locaes mais apropriados.

            Completando o presente artigo, vamos dizer duas palavras sobre a cidade de Picos. Esta cidade é incontestavelmente, a que, por todos os pontos de vista melhor impressiona o viajente da zona do extremo sul do Maranhão. Bem collocada, bem arejada, dispondo de casas regulares e ruas largas, tudo aqui produz agradavel impressão. O rio itapecurú faz o seu abastecimento d’agua. A cultura do algodão se faz aqui em grande escala. Alem disto; Picos compra quasi todo producto dos municipios vizinhos. Os seus arredores são muito povoados. É de lastimar a falta de transporte rapido pondo em comunicação directa esta cidade com a de Caxias. Ella é merecedora de ser favorecida pelo Governo do Estado, a vista da fertilidade de seu solo e condições climatericas.

Julio Jansem

ENGENHEIRO."

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Fonte: Jornal Correio de Picos. Edição de 1º de novembro de 1913. Ano IV; nº 98.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

EXTRA! EXTRA! LEIA NO CORREIO DE PICOS! A MATA DO JAPÃO SOB AS LENTES DE JULIO JANSEM - 1913

Por Jean Carlos Gonçalves.

Recorte do cabeçalho de um exemplar do jornal impresso Correio de Picos. Edição de 18/10/1913.
A temática da Mata do Japão sempre me chamou atenção desde os tempos de criança, pois ouvia de meu pai muitas histórias relacionadas à vasta região natural do centro-maranhense, localizada entre os rios Itapecuru e Mearim, assim denominada pelos antigos desbravadores e colonos do sul maranhense e para onde ele migrou partindo do povoado Bacari dos Tavares, município de Barão de Grajaú (região denominada Lá Fora) para o então povoado da Palestina, hoje cidade de Graça Aranha (Mata do Japão), no início de 1952.

Em junho de 1992, meu pai  Martinho Tavares, partiu para o outro plano, aos 74 anos, enquanto eu contava apenas 13. Desde então, ficou uma lacuna insuperável e as hstórias sobre a Zona do Japão ficaram na memória, mas adormecidas até eu iniciar o curso de História na UEMA em 2002. 

A partir dessa nova experência, logo no primeiro período curso fui instigado pelos professores a lançar o olhar para o entorno, a cortejar a história local e regional, ainda pouco investigadas e, assim, a Mata do Japão despertou em mim novamente o desejo de continuar aprendendo sobre estas paragens e passou a ser objeto de minhas preocupações acadêmicas, até porque ninguém, até os dias atuais, se aventurou em pesquisar e publicar um trabalho mais específico e rigoroso sobre a área geográfica da região central do Maranhão. Muito embora, encontremos referências em algumas obras clássicas de nossa historiografia, como em História do Sul do Maranão (1979) e Geo-História do Maranhão (1985) de Eloy Coelho Netto; Caminhos do Gado (1992), de Maria do Socorro Coelho Cabral; Barra do Corda na História do Maranhão (1994), de Galeno Edgar Brandes; Memória das Passagens, de Fonseca Neto(2006); Viajando do Curador à Presidente Dutra (2007), de José Pedro de Araújo Filho. No ano de 2025, o ilustre tuntuense Adilon Alves, em obra autobiográfica sez um breve, mas excelente comentário sobre a área geográfica.

Desse modo, já são mais de duas décadas pesquisando, compilando fontes, referências, enfim, bucando qualquer evidência documental que possa lançar luzes sobre a geografia e a história da Mata do Japão, termo praticamente desconhecido pelas novas gerações, pois desde as últimas décadas do século XX e neste primeiro quartel do século XXI caiu em desuso, no quase esquecimento.

Por outro lado, com o advento das novas tecnologias da comunicação e da informação, especialmente a internet, assistimos a uma nova era no tocante ao acesso a fontes documentais, pois atualmente é considerável o número de instituições como museus, fundações, bibliotecas, etc., que estão digitalizando livros, relatórios, decretos, leis, mapas, jornais, revistas registros de casamento, de nascimento e batismo, etc.

Assim, temos conseguido algumas referências importantes sobre a Mata do Japão e nessa saga ao longo desses anos destaco a Hermeroteca da Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, a Plataforma Internacional de Genealogia Family Search com sede em Salt Lake City, Utah, nos Estados Unidos, e, o Acervo Digital da Biblioteca Benedito Leite, de São Luis-MA. Desta última, consegui há alguns anos edições do jornal da cidade de Picos (hoje a vizinha Colinas-MA), o Correio de Picos, do ano de 1913.

Esse periódico publicou alguns textos do Engenheiro Julio Jansem, que prestou serviço naquele municípo à epoca. O mesmo fora responsável por algumas construções e por demarcações e medições de terras na região, especialmente, no municípios de Colinas e Mirador.

Pouco sabemos sobre o ilustrado Engenheiro, não temos dados biográficos, mas reconhecemos que a família Jansem no Maranhão se destacou nos séculos XIX e XX com membros do clã atuando em setores estratégicos, como na Engenharia, Medicia e no campo do Direito. 

No caso do Drº Julio Jansem, cujos serviços, até onde sabemos, se estenderam ao Piauí e ao Ceará, assinou alguns artigos sobre a Mata do Japão, em que apresentou o potencial natural da região como a abundância de manacias d'água, a regularidade das chuvas, as boas condições climáticas, a riqueza das matas e a fertilidade do solo, mas também do esquecimento/abandono da região pelo Estado, o isolamento resultante das dificuldades de transporte e comunicação em relação ao litoral, e, sobretudo, as condições de vida dos seus habitantes e sobre a necessidade de organizar núcleos de colonização para manter o sertanejo na terra e evitar a migração e também os conflitos agrários em razão da ausência da regularização das propriedades e das terras devolutas do Estado ocupadas pelos posseiros lavradores, além de potencializar o desenvolvimento de várias culturas agrícolas. 

O artigo também tinha explícita necessidade de sensibilizar o Ministro da Agricultura para planejar e executar o sugerido projeto de colonização num momento em que o ciclo da borracha estava em declínio e muitos maranhenses estavam fazendo movimento migratório inverso, regressando à Mata do Japão.

Então compartilho abaixo, mantendo literalmente a grafia original, um dos registros* na íntegra, do Drº Júlio Jansem, a quem a Sociedade Geográfica de Berlim, na Alemanha, conferiu-lhe o título de sócio correspondente, em setembro de 1913.

"NÚCLEO AGRICOLA

Concentração de trabalhadores nacionais na Terras devolutas do Japão, comarca do Alto Itapecuru, Picos, Maranhão.

MARANHÃO

O povoamento do Maranhão limita-se exclusivamente à facha do literal, região onde a salubridade é subordinada, em geral ao grão de paludismo, visto ser baixa, humida, quente e palustre.

Tudo é differente nas terras elevadas do interior. O clima é; pouco secco e temperado, e pode se affirmar sem receio de contestação que o mesmo se presta, como outro qualquer, a vida vegetativa, tanto para o proprio filho da regiao como para o oriundo de outras paragens. O paludismo que reina temporariamente nos habitantes, é devido em boa parte da vida que os mesmos levam, residindo em chopanas de palha situadas nas margens dos rios e riachos perennes, e apparece somente nos mezes das primeiras enchentes; é também devido á extrema idiossincrasia para os mais elementares principios de hygiene. A não ser as enfermidades originadas nalguns pontos, por causas locaes ou pela imprudencia de muitos. O interior do Maranhão oferece aos que o procuram, vida longa e proveitosa, pela riqueza de suas mattas e urberdade de seu solo.

Infelizmente isto é quasi desconhecido e o interior do Maranhão passa aida hoje por doentil, esteril e mesmo inhospito. O contrario entretanto e exacto e parece que os primeiros povoadores prefcriram as rcgiões do littoral, sem duvida pela maior facilidade do commercio com a capital e só muito tempo depois trataram de explorar o interior, encontrando se ainda hoje enormes áreas de terra proprias para a cultura quase deshabitada em sua maior extensão. A fertilidade e exhuberancia do solo é proverbial, soberbas madeiras de construcção encontram-se em abundancia, assim como preciosos metaes e diversas essencias.

Queremos-nos referir a região de terras de propriedade do Estado chamadas Japão. Situadas entre os rios Itapecuru, Mearim e Alpercatas, numa enorme facha de 200 kilometros de extenção, nenhum desenvolvimento apresentam, somente aqui e acolá encontram-se algum povoado izolado, em distancias de 20 a mais leguas, e desperças, pobres chopanas de algum roceiro. Tudo isso devido a falta de regulamentação da venda ou ou aforo das terras publicas, occupadas, porem inultimente, pela rezidência habitual, cultivo do solo e exploração de suas riquzas naturaes. Os habitantes, posseiros das ditas terras com a boa fé de estarem beneficiando a terra inculta que acharam, supondo-a sua, não a tendo devidamente medida e demarcada, com titulos de dominio pleno passado pela autoridade competente, ignoram onde começa o termo que lhe pertence e onde começa o dos visinhos, de forma a estabelecer numa situação o cheia de duvida e nociva a ordem publica.

Frequentemente chegam queixas, mais ou menos fundadas às autoridades de invasões por parte de visinhos dos mesmos acobertados pela natural ignorancia dos seus respectivos limites, dando causa a luctas e represálias.

As terras do JAPÃO são de uma fertilidade espantosa para a polycultura. As produções agricolas são: arroz, algodão, milho, mandioca, feijão e canna de assucar etc. sendo facil de prever muitas outras especies como café, cacau etc. ahi produzirão com excellente resultado. Tambem para o cultivo da Maniçoba estas terras são excelentes e ja existem diversas plantações, umas novas e outras ja sangradas ha anos.

O nosso fito e attrair as vistas do digno e incançavel Ministro da Agricultura sobre esta zona enorme, em proveito do colono nacional, para amparal-o contra o forte, dando-lhes meios para não precisar emigrar. Essa emigração so tem lugar, quando o trabalhador não pode absolutamente ganhar o seu sustento na terra que lhe servio de berço ou quando precisa buscar fora o dinheiro que necessita para o pão de cada dia. A intensidade dessa emigração natural e forçosa iria deminuindo lentamente a proporção que os melhoramentos executados na zona fosse tomando o trabalho menos forçado e consolidando a fortuna dos negocios dos nossos caboclos.

Com a desvarolisação da borracha, muitos dos nossos emigrantes estão imigrando novamente em busca do lar antigo procurando no cultivo do solo o que não possível obter na extração da borracha.

Para a concentração destes homens nesta zona, seria de grande utilidade, o estabelecimento de um Centro Agricola, n’um ponto apropriado nas terras devolutas do JAPÃO em beneficio do trabalhador nacional e organisado segundo os moldes da lei Nº 6455 de 1907 sobre o povoamento do Solo, identicos aos que já estão instalados em diversos Estados da União, inclusive o Maranhão. No numero seguinte trataremos de indicar locaes apropriados para Nucleos Coloniaes; nas terras do Japão.

Julio Jansem

ENGENHEIRO."

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*Artigo publicado no Jornal Correio de Picos em 18 de outubro de 1913. Ano IV; nº 97.

sábado, 21 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL


O dia 21 de março é reconhecido mundialmente como o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de promover a reflexão, o combate ao racismo e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A escolha dessa data remete a um episódio trágico da história contemporânea: o Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na África do Sul, quando dezenas de manifestantes negros foram mortos durante um protesto pacífico contra as leis segregacionistas do regime do apartheid. O acontecimento chocou o mundo e tornou-se símbolo da luta contra a discriminação racial em escala global.

No Brasil, o 21 de março assume um significado ainda mais profundo, considerando a formação histórica do país, marcada pela escravidão e por desigualdades raciais persistentes. A data é um convite à reflexão sobre o racismo estrutural, as desigualdades de oportunidades e a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. Instituições públicas, escolas e movimentos sociais realizam atividades educativas, debates e campanhas que buscam conscientizar a população sobre a importância do respeito à diversidade étnico-racial.

No contexto do Maranhão, essa discussão ganha relevância especial. O estado possui uma forte herança cultural afro-brasileira, presente nas tradições, na religiosidade, na música e nas manifestações populares. Entretanto, também enfrenta desafios relacionados à desigualdade social e racial, o que torna o 21 de março uma data essencial para reforçar a valorização da identidade negra e o combate a todas as formas de preconceito.

Assim, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial não é apenas um marco simbólico, mas um chamado à ação. Ele nos lembra que a luta contra o racismo é contínua e exige o compromisso de toda a sociedade na construção de um mundo mais inclusivo, onde a diversidade seja reconhecida como um valor fundamental.


domingo, 15 de março de 2026

SOUZA BISPO SOB AS LENTES DE EUGES LIMA


Conforme anunciei na última postagem, compartilharei abaixo o texto do historiador Euges Lima sobre o septuagésimo aniversério de falecimento de Sousa Bispo, ainda em 2020. Entretanto, consideramos uma importante síntese sobre o intelectual, aventureiro de longas travessias pelo nosso sertão, que deixou vários escritos acerca do interior maranhense, especialmente no periódico O Sertão que fundou e dirigiu em 1921-22. Uma trajetória breve, pois foram apenas 54 anos neste plano (1896-1950), mas de muita intensidade e entrega ao Maranhão. 

Imagem da primeira edição do periódico O Sertão, fundado em junho de 1921.

A seguir, leiam o texto do renomado historiador Euges Lima.

"70 anos sem Sousa Bispo, o 'raidman' maranhense

Por Euges Lima*

       Há 70 anos, num 15 de julho como este, nos deixava para fazer a sua derradeira viagem, um dos maranhenses mais valorosos daquela primeira metade do século XX, trata-se do ilustre grajauense, Cândido Pereira de Sousa Bispo, mais conhecido nos meios intelectuais como "Sousa Bispo". Ele nasceu no município de Grajaú aos 3 de outubro de 1896 e faleceu em São Luís em 15 de julho de 1950.

       De origem humilde, ele forjou sua própria trajetória, sua "inquietude singular" e o desejo de conhecer o Maranhão e o Brasil o fez percorrer e desbravar caminhos e terras desconhecidas numa raide quase sem precedente. De suas inúmeras viagens pelo interior do Maranhão e do Brasil, Sousa Bispo tomou gosto pela geografia que em sua visão era uma ciência objetiva e causal. Num dos maiores feitos do pedestrianismo brasileiro, o "raidman" maranhense, veio a pé do Rio de Janeiro ao Maranhão, cortando o Brasil central. Levou oito meses para completar sua incrível jornada, chegando conforme havia planejado no dia 28 de julho de 1923, a tempo de comemorar o centenário da adesão do Maranhão a causa da Independência do Brasil.

  O nosso aventureiro do hinterland maranhense e brasileiro, foi advogado, promotor público, geógrafo, historiador, jornalista, escritor, membro consultor do Diretório Regional de Geografia do Maranhão, membro da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, onde ocupou a cadeira de número 11, patroneada por Sebastião Gomes da Silva Belfort. Foi autor de inúmeros artigos em jornais maranhenses e brasileiros, entre seus trabalhos mais importantes e publicados, podemos destacar : "Espinhos de Mandacaru", 1925; "o Dia da Justiça", 1944; "A Ilha do Maranhão", 1947; "A estrutura geológica do Maranhão e a experiência do petróleo", 1949 e "Sertão Judiciário", 1940. Como jornalista, colaborou nos jornais " Folha do Povo"; "Imparcial; " Diário do Norte"; e " Diário de São Luís". Sousa Bispo é um maranhense, antes de tudo, um sertanejo de boa cepa, um forte como disse Euclides da Cunha, que deve ser lembrado e homenageado."


Professor e historiador Euges Lima.

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*Especialista em Teoria e Metodologia para o Ensino de História pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA(2003); ministrou as disciplinas de História Moderna I e História da América II no Programa de Capacitação de Docentes da Universidade Estadual do Maranhão - PROCAD (2001/2002); é graduado em licenciatura plena em história pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (2000). Atualmente é professor de história do ensino médio da Rede Pública Estadual do Maranhão e da Rede Municipal de São Luís; ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM; Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES); Sócio Correspondente Nacional do Instituto Histórico, Geográfico, Genealógico de Sorocaba (IHGGS); Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV); Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias/MA (IHGC); Sócio Correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Goiana (IAHGGO); Sócio Correspondente da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA); membro do Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS/Portugal); Membro efetivo do Conselho Estadual de Cultura do Maranhão, biênio 2017/2019. Tem interesse por História do Maranhão, História do Brasil, História do Cristianismo Primitivo, Nova História Cultural e História Social.

(RE)DESCOBRINDO SOUSA BISPO E A NECESSIDADE DE CONHECER A NOSSA HISTÓRA

 Por Jean Carlos Gonçalves.

Há poucos anos encontrei casualmente um texto de autoria do historiador maranhense Euges Lima, o qual registra os 70 anos de falecimento do exponencial intelectual da primeira metade do século XX, o sertanejo, filho de Grajaú, Sousa Bispo.

Para surpresa de muitos afirmo que o Alto Sertão Maranhense também concebeu grandes intelectuais, que tiveram como inspiração a própria matéria do sertão, seu patrimônio natural, a sua gente. São eles, infelizmente ignorados pela grande maioria, especialmente, pelas gerações mais recentes e, não causa estranheza, se agentes públicos e até profissionais da Educação também ignorarem os memoráveis filhos que lançaram mão da pena e do tinteiro para “cantar” o nosso Sertão, o Maranhão.

Nomes como Parsondas de Carvalho, Carlota de Carvalho, Maranhão Sobrinho, Euclydes Maranhão, Olímpio Cruz, Eloy Coelho Neto, Maria do Socorro Coelho Cabral, Sálvio Dino, e tantos outros, são evidências de que o Alto Sertão distante, historicamente isolado, com grandes dificuldades de comunicação com o litoral e os centros considerados mais dinâmicos, de efervescência cultural, também fora uma região de filhos amantes das letras, da poesia, da história e da geografia, especialmente a nossa, para apresentar aos demais irmãos da Capital e do Brasil as “Bellezas do Meu Sertão”  (1910) como fizera o barra-cordense Frederico Figueira.

O texto de Euges Lima sobre Souza Bispo me direcionou à reflexão: Por que se reluta tanto em ignorar a história, uma vez que se precisa da memória para atribuir sentindo a própria existência?

É substancial conhecer os fatos marcantes, os seus impactos para a vida atual. É preciso reconhecer os sujeitos históricos, os homens e mulheres que deixaram um legado para a cultura do Estado, bem como os processos históricos, especialmente, os movimentos do presente. Aliás, é o processo em curso que resulta nas problemáticas que a humanidade enfrenta, que tanto incomoda e também inquieta nos induzindo a conferir respostas, explicações, soluções para sanar, atenuar os flagelos, de buscar a cura, mas também de buscar o progresso material e institucional.

Assim sendo, iniciaremos conhecendo a nós mesmos!

Na próxima postagem publicarei o breve texto, contudo rico em informações sobre o grande Sousa Bispo, de autoria do historiador Euges Lima.

Até Breve!


quarta-feira, 11 de março de 2026

NOSSO DESAFIO, NOSSA MISSÃO!

 Por Jean Carlos Gonçalves

Já passamos do primeiro quartel do século XXI e persiste, em Tuntum-MA, o problema da falta de produção historiográfica sobre o município.

Embora se encontre alguns trabalhos acadêmicos sobre temáticas específicas, a história do município ainda é passível de investigações mais rigorosas sob o ponto de vista téorico-metodológico, posto que os estudos históricos, até então, tem se limitado a pesquisas aleatórias ou produções de artigos e/ou monografias, objetivando obtenção de notas em trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós-graduação, o que evidencia, portanto, a necessidade de produções mais analíticas acerca de nossa memória histórica.

Tal lacuna, passados 70 anos de emancipação política de Tuntum, urge em ser preenchida.

Neste ano já está em curso o nosso projeto para "arriscar um pouco mais" nesse caminho íngreme (muitas vezes, no escuro) de construção fidedigna de representação do passado, em face da necessidade: 

  • de lembrar do que ora esquecem; 
  • de apresentar o desconhecido; 
  • de (re) interpretar os fatos mediante novos vestígios e evidências;
  • de conservar o patrimônio histórico-cultural;
  • de garantir às futuras gerações o direito "inalienável" a memória.

Assim sendo, sigamos para superar o desafio e cumprir a missão.



sábado, 7 de fevereiro de 2026

VISITA À ANTIGA LAGOA DA JACOCA

Por Creomildo Cavalhedo Leite

Da esquerda para a direita: Jean Carlos, Domingos, José Venâncio e Creomildo Cavalhedo.

Dia 25 de outubro de 2025 - Oitava viagem ao Maranhão em busca das minhas origens e dos meus Ancestrais.

Este registro fotográfico da visita ao Sr José Venâncio, nascido no dia 21 de abril de 1944, é filho de Alexandre D'lamarck, o Galego casado que foi com Dona Luisa Venâncio, proveniente de Mirador e Pastos Bons, chegando na antiga Data Jacoca, em meados de 1937, próximo ao Povoado da Invenção.

O Sr José Venâncio, nasceu dentro da propriedade chamada Jacoca, do seu genitor e nos relatou várias histórias da "Lagoa da Jacoca", e o que no período das chuvas, a mesma cobria grande extensão de terras e lançava suas águas no rio Preguiça.

O Sr José Venâncio, é um gigante visionário, um verdadeiro guerreiro do Sertão, e nos contou que no dia 26 de outubro de 1986, fez uma bela e corajosa aquisição que, foi a compra de um trator, para trabalhar a terra, atendendo as demandas dos donos de fazendas, sendo um dos primeiros a possuir um trator naquela região.

Fica exarado o meu agradecimento ao Professor Jean Carlos, por gentilmente nos acompanhar até a propriedade do Sr. José Venâncio, adquirida com muita garra e determinação, com objetivo de preservar o legado dos seus pais.

Fiquei de retornar e ouvir outras histórias daquela região que por ali residiram, meus pais:

Laudimiro Leite Neto, 1934-2022, e Maria de Lurdes Santana Carvalhêdo Leite, 1943-2019;

e meus Avós Paternos:

Melchíades de Souza Leite, 1910 e Raimunda Francelina de Carvalho, 1911;

e Avós Maternos:

Hortêncio de Sousa Carvalhêdo, nascido na Sede da antiga Fazenda Jacoca, em 20 de novembro de 1901, falecido em 21 de outubro de 1994, em Santa Vitória município de Barra do Corda Maranhão, casado que foi com Maria Santana Pastora Carvalhêdo 1919-1952.

Todos residiram, nesta grande região, próximos e/ou dentro da grande extensão da área da antiga Data de Sesmaria chamada Jacoca;

Para mim foi um momento singular, a realização de sonho acalentado ao longo de 19 anos de pesquisas empreendidas na busca das minhas origens, hoje posso afirmar que conheço um pouco mais sobre a "Lagoa da Jacoca".

Palmas Tocantins, 8 de fevereiro de 2026.

Creomildo Cavalhedo Leite
Pesquisador genealogista