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sábado, 21 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL


O dia 21 de março é reconhecido mundialmente como o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de promover a reflexão, o combate ao racismo e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A escolha dessa data remete a um episódio trágico da história contemporânea: o Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na África do Sul, quando dezenas de manifestantes negros foram mortos durante um protesto pacífico contra as leis segregacionistas do regime do apartheid. O acontecimento chocou o mundo e tornou-se símbolo da luta contra a discriminação racial em escala global.

No Brasil, o 21 de março assume um significado ainda mais profundo, considerando a formação histórica do país, marcada pela escravidão e por desigualdades raciais persistentes. A data é um convite à reflexão sobre o racismo estrutural, as desigualdades de oportunidades e a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. Instituições públicas, escolas e movimentos sociais realizam atividades educativas, debates e campanhas que buscam conscientizar a população sobre a importância do respeito à diversidade étnico-racial.

No contexto do Maranhão, essa discussão ganha relevância especial. O estado possui uma forte herança cultural afro-brasileira, presente nas tradições, na religiosidade, na música e nas manifestações populares. Entretanto, também enfrenta desafios relacionados à desigualdade social e racial, o que torna o 21 de março uma data essencial para reforçar a valorização da identidade negra e o combate a todas as formas de preconceito.

Assim, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial não é apenas um marco simbólico, mas um chamado à ação. Ele nos lembra que a luta contra o racismo é contínua e exige o compromisso de toda a sociedade na construção de um mundo mais inclusivo, onde a diversidade seja reconhecida como um valor fundamental.


domingo, 15 de março de 2026

SOUZA BISPO SOB AS LENTES DE EUGES LIMA


Conforme anunciei na última postagem, compartilharei abaixo o texto do historiador Euges Lima sobre o septuagésimo aniversério de falecimento de Sousa Bispo, ainda em 2020. Entretanto, consideramos uma importante síntese sobre o intelectual, aventureiro de longas travessias pelo nosso sertão, que deixou vários escritos acerca do interior maranhense, especialmente no periódico O Sertão que fundou e dirigiu em 1921-22. Uma trajetória breve, pois foram apenas 54 anos neste plano (1896-1950), mas de muita intensidade e entrega ao Maranhão. 

Imagem da primeira edição do periódico O Sertão, fundado em junho de 1921.

A seguir, leiam o texto do renomado historiador Euges Lima.

"70 anos sem Sousa Bispo, o 'raidman' maranhense

Por Euges Lima*

       Há 70 anos, num 15 de julho como este, nos deixava para fazer a sua derradeira viagem, um dos maranhenses mais valorosos daquela primeira metade do século XX, trata-se do ilustre grajauense, Cândido Pereira de Sousa Bispo, mais conhecido nos meios intelectuais como "Sousa Bispo". Ele nasceu no município de Grajaú aos 3 de outubro de 1896 e faleceu em São Luís em 15 de julho de 1950.

       De origem humilde, ele forjou sua própria trajetória, sua "inquietude singular" e o desejo de conhecer o Maranhão e o Brasil o fez percorrer e desbravar caminhos e terras desconhecidas numa raide quase sem precedente. De suas inúmeras viagens pelo interior do Maranhão e do Brasil, Sousa Bispo tomou gosto pela geografia que em sua visão era uma ciência objetiva e causal. Num dos maiores feitos do pedestrianismo brasileiro, o "raidman" maranhense, veio a pé do Rio de Janeiro ao Maranhão, cortando o Brasil central. Levou oito meses para completar sua incrível jornada, chegando conforme havia planejado no dia 28 de julho de 1923, a tempo de comemorar o centenário da adesão do Maranhão a causa da Independência do Brasil.

  O nosso aventureiro do hinterland maranhense e brasileiro, foi advogado, promotor público, geógrafo, historiador, jornalista, escritor, membro consultor do Diretório Regional de Geografia do Maranhão, membro da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, onde ocupou a cadeira de número 11, patroneada por Sebastião Gomes da Silva Belfort. Foi autor de inúmeros artigos em jornais maranhenses e brasileiros, entre seus trabalhos mais importantes e publicados, podemos destacar : "Espinhos de Mandacaru", 1925; "o Dia da Justiça", 1944; "A Ilha do Maranhão", 1947; "A estrutura geológica do Maranhão e a experiência do petróleo", 1949 e "Sertão Judiciário", 1940. Como jornalista, colaborou nos jornais " Folha do Povo"; "Imparcial; " Diário do Norte"; e " Diário de São Luís". Sousa Bispo é um maranhense, antes de tudo, um sertanejo de boa cepa, um forte como disse Euclides da Cunha, que deve ser lembrado e homenageado."


Professor e historiador Euges Lima.

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*Especialista em Teoria e Metodologia para o Ensino de História pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA(2003); ministrou as disciplinas de História Moderna I e História da América II no Programa de Capacitação de Docentes da Universidade Estadual do Maranhão - PROCAD (2001/2002); é graduado em licenciatura plena em história pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (2000). Atualmente é professor de história do ensino médio da Rede Pública Estadual do Maranhão e da Rede Municipal de São Luís; ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM; Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES); Sócio Correspondente Nacional do Instituto Histórico, Geográfico, Genealógico de Sorocaba (IHGGS); Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV); Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias/MA (IHGC); Sócio Correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Goiana (IAHGGO); Sócio Correspondente da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA); membro do Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS/Portugal); Membro efetivo do Conselho Estadual de Cultura do Maranhão, biênio 2017/2019. Tem interesse por História do Maranhão, História do Brasil, História do Cristianismo Primitivo, Nova História Cultural e História Social.

(RE)DESCOBRINDO SOUSA BISPO E A NECESSIDADE DE CONHECER A NOSSA HISTÓRA

 Por Jean Carlos Gonçalves.

Há poucos anos encontrei casualmente um texto de autoria do historiador maranhense Euges Lima, o qual registra os 70 anos de falecimento do exponencial intelectual da primeira metade do século XX, o sertanejo, filho de Grajaú, Sousa Bispo.

Para surpresa de muitos afirmo que o Alto Sertão Maranhense também concebeu grandes intelectuais, que tiveram como inspiração a própria matéria do sertão, seu patrimônio natural, a sua gente. São eles, infelizmente ignorados pela grande maioria, especialmente, pelas gerações mais recentes e, não causa estranheza, se agentes públicos e até profissionais da Educação também ignorarem os memoráveis filhos que lançaram mão da pena e do tinteiro para “cantar” o nosso Sertão, o Maranhão.

Nomes como Parsondas de Carvalho, Carlota de Carvalho, Maranhão Sobrinho, Euclydes Maranhão, Olímpio Cruz, Eloy Coelho Neto, Maria do Socorro Coelho Cabral, Sálvio Dino, e tantos outros, são evidências de que o Alto Sertão distante, historicamente isolado, com grandes dificuldades de comunicação com o litoral e os centros considerados mais dinâmicos, de efervescência cultural, também fora uma região de filhos amantes das letras, da poesia, da história e da geografia, especialmente a nossa, para apresentar aos demais irmãos da Capital e do Brasil as “Bellezas do Meu Sertão”  (1910) como fizera o barra-cordense Frederico Figueira.

O texto de Euges Lima sobre Souza Bispo me direcionou à reflexão: Por que se reluta tanto em ignorar a história, uma vez que se precisa da memória para atribuir sentindo a própria existência?

É substancial conhecer os fatos marcantes, os seus impactos para a vida atual. É preciso reconhecer os sujeitos históricos, os homens e mulheres que deixaram um legado para a cultura do Estado, bem como os processos históricos, especialmente, os movimentos do presente. Aliás, é o processo em curso que resulta nas problemáticas que a humanidade enfrenta, que tanto incomoda e também inquieta nos induzindo a conferir respostas, explicações, soluções para sanar, atenuar os flagelos, de buscar a cura, mas também de buscar o progresso material e institucional.

Assim sendo, iniciaremos conhecendo a nós mesmos!

Na próxima postagem publicarei o breve texto, contudo rico em informações sobre o grande Sousa Bispo, de autoria do historiador Euges Lima.

Até Breve!


quarta-feira, 11 de março de 2026

NOSSO DESAFIO, NOSSA MISSÃO!

 Por Jean Carlos Gonçalves

Já passamos do primeiro quartel do século XXI e persiste, em Tuntum-MA, o problema da falta de produção historiográfica sobre o município.

Embora se encontre alguns trabalhos acadêmicos sobre temáticas específicas, a história do município ainda é passível de investigações mais rigorosas sob o ponto de vista téorico-metodológico, posto que os estudos históricos, até então, tem se limitado a pesquisas aleatórias ou produções de artigos e/ou monografias, objetivando obtenção de notas em trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós-graduação, o que evidencia, portanto, a necessidade de produções mais analíticas acerca de nossa memória histórica.

Tal lacuna, passados 70 anos de emancipação política de Tuntum, urge em ser preenchida.

Neste ano já está em curso o nosso projeto para "arriscar um pouco mais" nesse caminho íngreme (muitas vezes, no escuro) de construção fidedigna de representação do passado, em face da necessidade: 

  • de lembrar do que ora esquecem; 
  • de apresentar o desconhecido; 
  • de (re) interpretar os fatos mediante novos vestígios e evidências;
  • de conservar o patrimônio histórico-cultural;
  • de garantir às futuras gerações o direito "inalienável" a memória.

Assim sendo, sigamos para superar o desafio e cumprir a missão.