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domingo, 20 de setembro de 2026

A história agricultura familiar de Tuntum

 Por Jean Carlos Gonçalves

Imagem meramente ilustrativa,

A agricultura familiar constitui uma das bases históricas da formação econômica e social de Tuntum. Desde o final do século XIX, quando famílias de diferentes regiões, especialmente do Ceará e de outras áreas do Nordeste, passaram a ocupar e cultivar terras da região conhecida como Mata do Japão, a produção de alimentos esteve ligada à sobrevivência, à organização das comunidades e ao abastecimento dos povoados.

Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, os agricultores cultivavam principalmente produtos destinados à alimentação das famílias e às trocas locais. Milho, arroz, algodão, feijão, mandioca, abóbora e batata-doce, etc., faziam parte desse sistema diversificado de produção. A mandioca tinha especial importância por sua resistência às condições climáticas e por permitir a fabricação de farinha, alimento fundamental na dieta sertaneja, especialmente, nos povoados São Lourenço, São Bento, São Joaquim dos Melos, Santa Rosa e localidades adjacentes na região do Alto Sertão de Tuntum.

A partir das décadas de 1930 e 1940, com o crescimento dos povoados e a ampliação das relações comerciais, a agricultura passou a atender não apenas ao consumo doméstico, mas também às feiras das cidades próximas e aos mercados locais. O cultivo do arroz, do milho e do algodão ganhou destaque na economia regional, enquanto o feijão, a mandioca, a macaxeira, a abóbora e outras culturas continuaram importantes para a alimentação cotidiana.

Nas décadas de 1950 e 1960, período que inclui a emancipação política de Tuntum (1955) e um vertiginoso crescimento demográfico, a agricultura familiar permanecia essencial para o abastecimento da população. Muitas famílias combinavam o cultivo de cereais com pequenas criações e o aproveitamento de produtos da natureza. A mandioca, por exemplo, podia ser transformada em farinha e goma; o milho era consumido verde ou seco; o feijão era utilizado em diferentes preparações; e a abóbora, o quiabo e o maxixe complementavam as refeições.

Entre as décadas de 1960 e 1980, as transformações econômicas, a expansão da pecuária e as mudanças no uso da terra alteraram o espaço rural. Em algumas áreas, a criação de gado passou a ocupar terras antes destinadas às lavouras. Ainda assim, a agricultura familiar continuou presente, especialmente na produção de alimentos para o consumo próprio e para a comercialização em pequena escala.

Em 1987, inaugurou-se a Barragem do rio Flores no vizinho município de Joselândia. O barramento foi responsável pela formação de um dos maiores lagos artificiais do estado, que atingiu uma extensa área do norte de Tuntum, deixando vários povoados submersos e obrigando milhares de lavradores e lavradoras a deixar a região considerada uma das mais produtivas do município, o que impactou negativamente, desde então, a produção de arroz e milho, os produtos mais destacáveis.

A partir das décadas de 1990 e 2000, novas mudanças ocorreram, relacionadas à modernização das atividades rurais, às políticas públicas, ao acesso ao crédito, às condições das estradas, à disponibilidade de água e às oscilações dos preços agrícolas. Essas transformações influenciaram as escolhas dos produtores, mas não eliminaram a diversidade das pequenas roças. O arroz, o milho, o feijão, a mandioca, a macaxeira, a abóbora, o milho e outras culturas continuaram associados à alimentação, à renda e aos conhecimentos tradicionais das famílias. Contudo, se observa mais nitidamente, a partir de então, uma maior inclinação do município para pecuária bovina com principal atividade econômica prioritária, muito embora várias políticas públicas de incentivo à agricultura familiar tenham sido implementadas, tais como: desapropriação de áreas improdutivas, instalações de núcleos de colonização com relativa infraestrutura, crádito e assistência tácnica. Podemos destacar os assentamentos do Belém I e II, no Médio Sertão e os assentamentos PA Paca e PA Serra Grande, no noroeste do município.

Em 2026, a agricultura familiar de Tuntum ainda pode ser compreendida como uma atividade que reúne produção de alimentos, geração de renda, preservação de saberes e manutenção de vínculos comunitários. Embora enfrente desafios como a necessidade de uma melhor infraestrutura e de assistência técnica, a agricultura familiar permanece importante para a economia e para a identidade rural do município.

Entre as culturas que compõem esse universo, destacam-se:

  • Feijão: alimento básico, rico em proteínas vegetais, fibras e minerais, cultivado para o consumo e a comercialização.
  • Mandioca: utilizada na produção de farinha, goma e outros derivados, com grande importância alimentar e econômica.
  • Macaxeira: consumida cozida, frita ou como ingrediente de bolos e outras receitas.
  • Abóbora ou jerimum: empregada em ensopados, caldos, doces e acompanhamentos.
  • Milho: utilizado na alimentação humana e animal, além de integrar diversas receitas tradicionais.
  • Arroz: historicamente importante na alimentação e na produção agrícola regional.
  • Batata-doce, quiabo, maxixe, melancia, banana e outras hortaliças e frutas: cultivados conforme as condições ambientais e as escolhas de cada família.

Assim, a história da agricultura familiar de Tuntum não se resume à produção de determinados gêneros agrícolas. Ela também representa a história do trabalho, da adaptação ao ambiente, da alimentação e da permanência de práticas culturais que atravessaram gerações. Estudar essas culturas é compreender como os agricultores contribuíram para formar o território, abastecer as comunidades e construir parte da identidade tuntuense.

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