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sábado, 18 de abril de 2026

Extra! Extra! Extra! Leia no Correio de Picos!! - ARTIGO DO ENGENHEIRO JULIO JANSEM SOBRE A MATA DO JAPÃO - 1913.

Compartilho com você, querido leitor(a) mais um artigo do Engenheiro Julio Jansem publicado no Jornal Correio de Picos em 1º de novembro de 1913.

A matéia mais uma vez aborda sobre a Mata do Japão numa riqueza de detalhes impressionante. Aprecie a leitura, cujo texto conservamos sua escrita original.

Assim sendo, aprecie o texto, faça reflexões e tire suas próprias conclusões. Se possível, deixe comentários.

"NÚCLEO AGRICOLA

Concentração de trabalhadores nacionais na Terras devolutas do Japão, comarca do Alto Itapecuru, Picos, Maranhão.

            Distando da cidade de Picos 50 kilometros, está situado o povoado de São Domingos. A estrada que para ahi conduz é completo de sinuosidades e passa pelas fazendas Canto do Talhado, Caraybas e Cachimbos. É esta a estrada comercial para a cidade de Pedreiras no rio Mearim como tambem para o Codó no rio Itapecurú. O povoado compõe-se de cerca de 80 cazas situadas nas imediações das lagôas seguintes: S. Domingos, S. Cruz, Comprida e Descanço, lagôas estas q’ secam no verão, apenas as duas primeiras sustentam agua de um ano para o outro. A agua é boa e a não ser tirada das lagoas, encontra-se ella em abundancia com pouca profundidade, podendo dar optimo resultado os poços tubulares.

            Em quase todo o percurso da estrada, desde Picos observamos que os terrenos são ferteis, salvo em raros trechos, que não são de nenhuma sorte improductivos.

            Todo terreno é cortado por poucos extensos baixões que são fertilissimos e frescos como demonstram as roças de arroz, algodão, milho e mandioca que as cobrem.

            Quanto a estação chuvosa é favorável, a produção de cereaes é extraordinaria e não se receia de comparação com a dos frescos e uberrimos terrenos muitas de serranias.

            Em S. Domingos e mais moradias dos aredores é incontestavel a lavoura que mais interesse disperta.

            Estamos convencidos de que nella repousa, de facto, o futuro do Japão. O seu clima, as suas condições meteorológicas, a natureza de suas terras, tudo indica que a lavoura pode desenvolver em grande escala, graças a um certo numero de circumstacias que lhe são favoráveis. Podemos citar entre estes: clima quente temperado, temperatura media de 28 a 30°C, altitudes oscilantes entre 180 a 250 mtrs., chuvas abundantes apenas durante 4 mezes pos anno, dias de sol intenso e muita luz. São em geral terrenos avermelhados argilosos-siliciosos e em logares  em que esta terra com certa porcentagem de areia, são ellas aproveitadas com magnifico resultado para o cultivo do algodão, mandioca, fumo maniçoba. Infelizmente não nos é possivel dar uma ideia de todos os recursos que as terras devolutas do Japão despoem para o seu desenvolvimento futuro. Faltam-nos para isso dados exactos, informações dignas de fé, isentos desses exageros tão communs entre nós e principalmente uma observação pessoal, demorada dessa região.

            A industria pastoril nesta zona vai declinando dia a dia devido a grande peste de carrapatos e bernes que infecciona as mattas e cerrados, peste como na ha igual em todo o Brazil. Devido a esta circumstancia tão prejudicial a criação do gado vacum, ainda impera entre nós a queima dos mattos. Dizem os criadores que no anno em que não se torna geral a queima, a criação não progride, o gado conserva-se magro e a venda da boiada é nulla, não alcançando preços rasoaveis. Demonstra claramente que a zona do Japão sendo propria para a lavoura, não deveria ser utilizada para a creação que para esta industria temos campos apropriados no extremo sul do Estado onde não existe berne nem carrapatos.

            Torna-se forçoso que os poderes publicos attendam a uma organização florestal e que os povos se convençam da utilidade de conservarem determinadas áreas de mattos, não somente por si uma riqueza, como tambem um conservador dos mananciais.

            Somos de parecer que a colonização do trabalhador nacional nesta zona não está sujeita a máo êxito. Bom solo, clima saudavel, mercado próximo, pois dista da cidade de Picos 50 kilometros, relativa facilidade de se aperfeiçoar o caminho vicinal e grande abundancia de madeira para obras.

            Embora afastado algumas couza do mercado consumidor pode-se entretanto por em comunicação o centro com o rio Itapecurú por uma estrada de rodagem, diminuindo assim a distancia em 20 kilometros.

            Não desejamos nos alongar em considerações, que numeros não podem positivar sobre o futuro do Japão tão imperfeitamente estudado. Sobre ele repousam em grande parte as esperanças de quanto desejam ver prosperas e felizes estas terras incultas.

            Concorria com bom contijente o levantamento de um mappa da área por ele abrangida, (pois todas que existem são imperfeitas,) na qual ficassem devidamente determinadas as coordenadas dos seus pontos importantes, projectados, mediantes levantamentos parciais, o curso de seus rios e seus afluentes, e verificadas as distancias exactas entre nucleos povoados e as cidades na margem do Itapecurú e Mearim, para onde escoam todos os produtos de sua industria.

            Claro é que, dispondo o Japão de terras de uma fertilidade incontestavel e cobertos em maior parte de mattas virgens, riquezas mineraes e vejetaes as mais variadas terá um futuro imenso diante de si no dia em que ondas de imigrantes acompanhando de perto o estabelecimento de vias férreas, se derramarem por estes sertões disertos ainda e ignorados em maior parte.

            Elles constituirão de futuro, em recurso para o extravasamento das populações de outros estados.

            Consideramos como terminados, sob o ponto de vista geral à descripção da zona de S. Domingos situada entre o Itapecuru e o Mearim, e conscios do bom acolhimento do exposto, ficamos convencidos de que o Dr, Ministro da Agricultura tome em consideração tão justo pedido o qual fica tambem extendido aos dignos representantes federaes por este Estado, dotando as terras do Japão com estes melhoramentos afim de concentrar o pobre lavrador nacional, protegendo-o contra os abusos do forte encaminhando assim o emigrante nacional para as terras devolutas desta zona.

            O Governo do Estado podia ceder ao Governo Federal em troco de outros favores, áreas determinas no Japão pois nenhuma vantagem aparece, tem actualmente sobre as ditas terras devido sobre a falta de regulamentação para a venda e aforo dellas.

            Se o poder competente julgar conveniente aproveital as para a colonização nacional, é necessario percorrel-as mais demoradamente para se escolher mais precisamente os locaes mais apropriados.

            Completando o presente artigo, vamos dizer duas palavras sobre a cidade de Picos. Esta cidade é incontestavelmente, a que, por todos os pontos de vista melhor impressiona o viajente da zona do extremo sul do Maranhão. Bem collocada, bem arejada, dispondo de casas regulares e ruas largas, tudo aqui produz agradavel impressão. O rio itapecurú faz o seu abastecimento d’agua. A cultura do algodão se faz aqui em grande escala. Alem disto; Picos compra quasi todo producto dos municipios vizinhos. Os seus arredores são muito povoados. É de lastimar a falta de transporte rapido pondo em comunicação directa esta cidade com a de Caxias. Ella é merecedora de ser favorecida pelo Governo do Estado, a vista da fertilidade de seu solo e condições climatericas.

Julio Jansem

ENGENHEIRO."

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Fonte: Jornal Correio de Picos. Edição de 1º de novembro de 1913. Ano IV; nº 98.

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