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quinta-feira, 4 de junho de 2026

CONTONIÈRE BRÉZIL

Por *João Francisco Batalha
Ao fundo, o prédio da antiga fábrica da Cotonière Brésil Ltda, em Arari-MA.
     A Cotonière Brésil Ltda, foi uma empresa de capital francês com matriz em Lille, cidade do norte da França que comercializava a produção de algodão do Mearim, descaroçada e prensada em Arari e após, este beneficiamento primário, exportado para a Europa.

     No Brasil tinha matriz no Rio de Janeiro. No Maranhão, filial em São Luis, à Av. Pedro II.

   Seu capital originário pertencia aos irmãos Marcel Schwob, André Schwob e James Schwob, judeus proprietários de diversas empresas têxteis em Paris e Lilli, na França e da filial brasileira.

    A construção do seu edifício em Arari teve início em 21 de agosto de 1936, com a presença de Paul Jordain, um maçom francês e empresário de grande visão e bem sucedido na carreira empresarial.


Paul Jotdain, Marçom e empresário frances que foi gerente da Cotonière Brésil Ltda., no Maranhão

1 Vistoriando os trabalhos da empresa Paul Jordain estava sempre em Arari.

2 Em dezembro de 1946 a empresa foi vendida para o grupo Chames Aboud.

   Em Arari, situada na Praça do Cruzeiro, destinava-se ao armazenamento do algodão bruto que era prensado e descaroçado nesta unidade. O transporte do Alto e Médio Mearim era feito por batelões até esta cidade. Neste ponto após passar por um processo de descaroçamento e prensa era feito o transbordamento através de lanchas motorizadas, até São Luis e de lá exportado.

   A semente introduzida pela Cotonière era selecionada e de melhor qualidade. Impedia o hibridismo. E assim a empresa fomentou plantações experimentais nos municípios de Bacabal, Ipixuna (São Luís Gonzaga), Pedreiras e em Verdum, na Boa Esperança do Mearim (atual Esperantinópolis), desmembrado de Barra do Corda em 1954.

    Teve também, escritório de representação em Codó, onde os produtores da herbácea, por desconfiança, discordaram da chegada da empresa ao local, supondo que prejudicaria a produção dos cultivadores da região.

  Ao mesmo tempo em que a Cotonière instalava usinas e armazéns ao longo do rio Mearim, monopolizando o mercado e proporcionando ao Maranhão responder à alta dos preços do mercado internacional da época. Adquiria o produto no local de origem e assumia o encargo do transporte nas suas próprias embarcações.

  Além, de manter plantações, usinas de descaroçar e prensar o algodão possuía as embarcações (lanchas e batelões) para transportá-lo e distribuía sementes selecionadas aos agricultores. Na instalação de Arari, que era gerenciado pelo descendente sírio-libanês Jorge Santos, o produto passava por um processo de classificação.

   O pretexto da venda foi a ocupação da França pela aliança do Eixo na Segunda Guerra Mundial e o processo de desativação que a levou a fechar as portas foi a falta de mão de obra qualificada para mantê-la em pleno funcionamento.
João Francisco Batalha

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Jornalista, pesquisador e escritor arariense. Membro-fundador emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Arari. Autor dos livros Arari, Maçons & Maçonaria (2011), Um Passeio pela História do Arari (2011 e 2014), Arari em Datas (2019), Comigo Aconteceu (2020) e várias outas obras sobre Arari.

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