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domingo, 7 de junho de 2026

Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU

 Por Olímpio Ribeiro Fialho.

Uma explicação aos meus coestadanos - A COTINIERE E EU 

Com a modestia de uma vida de trabalho, ordem e honestidade que tem merecido respeitoso acatamento de quantos homens de bem se me tem aproximado, Cotonière Brasil Limitada foi encontrar-me na minha Barra do Corda, aproveitando-me nos meus serviços de expansão commercial naquela região do Mearim.

Em julho do ano próximo passado, confiara-me com uma remuneração inicial de 1:000$000para o período de de 15 de Julho a 31 de Agosto daquele anno e 600$000 mensaes de então por diante, os estudos preliminares dependentes de sua aprovação, da execução de um plano de estradas, para peões e tropas em sentido convergente, aos centros de producção da zona do Japão – margem direita do Mearim – oito léguas acima de Pedreiras – hoje ponto commercial importantíssimo onde viera ser localizada a mais movimentada das filiaes da firma naquela região – serviço esse em que eu deveria receber sugestões e numerários do gerente de S. Raymundo, Osvaldo Teixeira Mendes.

A 21 de Julho já referido, tive expediente da importante casa franceza para atacar aquelles serviços assegurando-me o Sr. P. Jordain que no curso dos mesmos, melhorariam a minha remuneração assas minguada, que comprehendia funcção technica e administrativa, pois todo o serviço era estudado, dirigido e fiscalisado por mim.

Das instrucções transmitidas ao gerente de S. Raymundo, a quem me apresentei 5 dias depois, resultou o plano em que em 21 de Setembro immediato já lhe era por mim apresentado, inclusive a demarcação de um terreno com a área de 1 quilometro quadrado em utensílios, reclamada por aquelle gerente.

Os estudos preliminares comprehenderam o reconhecimento de toda a região que podia interessar ao futuro ponto comercial de Marianopolis, cuja aquisição ficara como que dependendo da praticabilidade daquelle systema de communicação e transporte, com o aproveitamento do respectivo porto de embarque. Esse serviços preliminares, foram em detalhe, os caminhamentos de S. Raymundo, pela margem direita do Mearim a Marianopolis, com referencia aos núcleos intermediários (S. Felix, Pau D’Arco, Maribondo, S. Miguel, Sapucaia, Mocegos, Pacas, Guariba) – Marianopolis á região das mattas do Japão, a Curador, n’uma oercorrida de 66 Kilometros, com referencia a numerosos núcleos de população agrícola (Mandacaru, Itaipoca, Latada, Lago do Coco, Capim, Siunauma, Couro D’Anta, Lagoa Queimada, Genipapo, S. Joé dos Basilios, Santa Luzia, Centro do Cypriano, Tambory, Fazenda Nova, Coco do Manoel, Estevam, Lustrão, Sapucais (próximo a Curador), Fortaleza, Curador, Matta Velha, Pedro II, Tum-Tum, Arroz, São Paulo, Mucunã) com “croquis” das configurações de trechos, inclusive rio e levantamentos parciaes que orientaram e mereceram aproveitamento na execução das obras ahi projectadas, com a despeza geral (pessoal e material) de rs. 3.463.300 – importância essa comprehensiva do meu ordenado, no total de rs. 1:420.000. Verifica-se que o custo de todos os estudos e trabalhos de campo, inclusive o da demarcação de utensílios, com o respectivo mappa topographico realizado em 51 dias, é simplesmente de Rs. ....... 2:076.300.

As distancias vencidas por mim, acompanhado de um homem, á diária de 1.500, ora a pé, ora montado, cerca de 600 Kilomentros, sendo distancias de ida e volta aos pontos de referencia 255 kls, 800 ao que se devem tomar addicionar as distancias, de volta aos pontos de partida, desvios e retificações approximadamente de 350 Kilomentros. Dessa despeza a parcella de 813$800 corresponde a viveres, utensílios, ferramentas, de 30 de Julho a 18 de Setembro, tendo a demarcação occupado 14 homens que prestaram 113 dias de serviço ao preço de 3$000 e alimentação.

Approvado o plano de despezas desse relactorio-projecto bem assim o da demarcação, cujas referencias especiaes constam do relactorio de 15 de Outubro dirigido àquelle gerente, passei a phase executora.

A 28 DE Setembro, quando dei por terminado o resto de serviço que consistia na colheita de dados para o respectivo esboço topographico enoctei, com a turma que serviu na demarcação, a restauração da antiga e abandonada estrada que, naquella região, desce de Barra do Corda, no trecho comprehendido entre Bom Logar e Marianopolis. O trecho Utensilios a Marianopolis – 11, kls. 260 foi beneficiado por 29 trabalhadores em 109 dias-operarios. O de Utensilios a Bom Logar (rio acima) mede 3kls.260 e foi beneficiado por empreita a razão de 35$060 o Kilomentro.

Nesse trecho e no outro até Marinopolis encontra-se Bom Logar, Frito, Utensilios, Cazuza, Lambedouro, Beira do Flores e Mandacaru. De Bom Logar a Marianopolis o total de estrada beneficiada, mede 14kls.460 inclusive a parte que liga a velha estrada ao ponto fronteiro do porto de Utensilios. O serviço entre esses dois logares conclui-se a 18 de Outubro, ficando a estrada convenientemente alargada, levantada e medida.

A 19 de Outubro dei começo ao levantamento e medição da estrada que divergindo se em Mandacarú, da velha estrada que desce de Barra do Corda a Pedreiras, se dirige ao Japão, passando por S. José dos Basílios e Curador.

Levei o serviço de, edição e levantamento até S. José do Basilios, a 28 kls.500 de Marinopolis, tendo chegado a este povoado, a 6 de Novembro. Nos dias 3, 4 e 5 estive ausente por determinação da firma, para tratar de interesses relativos ao serviço, em Pedro II, sem, todavia, suspender o serviço. Por esse tempo concluía-se o alargamento do trecho Mandacarú a Itaipoca, com extensão de dois Kilomentros empreitados a 40$000, cada.

A 8 organisei uma turma de 30 trabalhadores com a daria de 5$000 á custa dos mesmos e dei começo ao serviço de restauração da estrada que, de S. José dos Basilios parte para Tum-Tum. Era cabo dessa turma, Antonio Barroso Soares com o jornal de 8$000.

A 16, organisei outra turma nas mesmas condições, composta de 12 homens aplicada no mesmo trecho, partindo de Tum-Tum ao encontro da primeira. Era cabo da turma, João Francisco Nougueira.

A 14 de Dexembro, organisei a terceira turma de 22 operarios, confiada ao cabo João Francisco da Costa, também em idênticas condições e que se ocupou do trecho de Tum-tum de cima a Tum-Tum de baixo.

Conclui-se a 26 de Dezembro o serviço da estrada de S. José do Basilios a Tum-Tum, com o numero de 1506 dias trabalho e a despeza de rs. 7:706$400.

Ao mesmo tempo que se realizava o serviço acima, idêntico trabalho se fazia na estrada S. José do Basilios a Marianopolis: a seção de 5$000 acima e abaixo de Lagoa Queimada fora atacada por empreita á razão de 400$000 o kilometro, e o trecho de S. José, na direcção do Genipapo era trabalhado por uma turma que manteve a media de dez homens em serviço, ainda a 5$000 diarios, realizando-o com 130 dias-operarios.

Essa turma, era chefiada pelo empregado auxiliar Pedro Maranhão, encontrou-se com o serviço de empreita, tendo feito ainda a 4 kls. 160 de carreto beneficiamento.

Por “memorandum” de 10 de Dezembro fui chamado para entender-me, em Marianopolis, com o Sr, Camillo Thiriot, que me pediu informações sobre o serviço e a quem igualmente prestei contas, em presença do gerente Oswaldo Teixeira Mendes, das despezas até então realizadas.

Em seguida acompanhei-o n’uma viagem de observação, de Marianopolies a Anjelim, de onde atravessamos a matta entre o Mearim e o Flores, até Tum-Tum. Consta, tudo isso, no relatório de 21 de Dezembro entregue pessoalmente ao mesmo, que não opôz restricções. Só uma semana depois, concluiu-se a estrada S. José do Basilios a Tum-Tum, que montou á cifra já referida.

Até então as despesas geraes, desde a prestação de contas de 21 de Setembro a 21 de Dezembro, foram de rs. 11:771$900, que reunidas ao saldo de 290$000, então apresentado, fazem rs. 12:062$100, correspondentes ao total das quantias diversas que, naquelle período, me foram fornecidas pelas filiaes da firma.

Resumo das despesas da

Cosinha .......................... 1:059$600

Utensílios........................      49$800

Ferramentas....................    878$500

Salarios de jornaleiros......5.769$400

Empreitas---------------------    180$000

Desp. Diversas.................    130$500

Salarios de mensalistas.... 3.712$100

Rs. ................................. 11:771$900

 

Os serviços ocorridos de 21 de Dezembro a 8 de Janeiro foram: o resto do renovamento da estrada S. José dos Basilios a Tum-Tum, cujo o pagammento deveria constar, como  constou no relatório, ou, antes, da prestação de contas firmada a 16 de Fevereiro de 1937, e mais a que se efectou de 27 de Dezembro a 8 de Janeiro, com relação a estrada de S. José dos Basilioa a Curador, cuja a remuneração até hoje não foi feita, por se ter a firma, recusado, sem razões plausíveis, ao pagamento do pobres laboriosos jornaleiros que tanto se esforçaram para tanto bem cumprir o seu dever.

Esse trecho de estrada não foi medido mas o avalio em 15 kilometros e realizou-se em 11 dias.

De 21 de Dezembro a 16 de Fevereiro, as despesas ocorridas foram:

Da  cosinha........................,,155$200

Salarios de jornaleiros .....4.027$900

Pequena empreita --------------- 41$500

Telegramas............................18$500

Cabo de ferramenta............... 14$500

Pequenas despezas................10$600

Relativas a trnsportes......... 232$200

Fornecimento a mensalista..889$700

Rs.  ..................................5:390$100

 

Essa quantia comprehende, as que, em diversas datas, nesse período, me foram fornecidas pelas filiaes.

As contas que se não solveram, por manifesta má vontade de Coton, foram as que se refere ao saldo dos mensalistas, 1:380$950; fornecimento de viveres e ferramenta 51$700; aluguel de uma burra por dois meses 200$000, importância de uma facrura de gêneros fornecida pela filial de Marianopolis 323$200 salario de jornaleiros em numero aproximado de cem (cem), a 5$000 em 11 dias 5:500$000.

Estão ahi, os 7:455$850 quantia que é o debito da Cotonnière Brasil Limitada, a grande casa franceza que, meus coestadanos, que me apresentar como um desonesto qualquer, a quem se julga com o direito de avaliar e prejudicar, ficando-se, ademais, com as fofas de grande Victoria sobre os pobres que commigo derramaram o seu suor naquelles duros serviços de cammpo, sob o sol e tantas vezes fustigados pela horrível falta dagua.

Não ha de ficar assem.

 

OLÍMPIO FIALHO

4-5-937.

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Fonte: O Imparcial (MA) - 1926 a 1946 -            Ano 1937\Edição 05574 (1) –quarta-feira,              13/05/1937.


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