Por Jean Carlos Gonçalves
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| Dr Isaac Martins dos Reis |
Há exatamente 128 anos silenciava-se a voz de um dos mais destacáveis filhos do Sertão maranhense da segunda metade do século XIX: Isaac Martins dos Reis.
Indubitavelmente, foi uma figura singular da
história política e intelectual do Maranhão oitocentista, especialmente de Barra
do Corda-MA. Inegavelmente uma das efemeridades do Maranhão oitocentista, por outro lado, apesar de breve, teve uma vida intensa, que protagonizou fatos marcantes nas duas últimas décadas daquele século.
Sua trajetória combina Direito, magistratura,
educação, jornalismo, republicanismo e participação na organização constitucional
do Maranhão.
Natural da então Vila de Loreto-MA, hoje sede do município de mesmo nome, em abril de 1854*, Isaac Martins era filho do piauiense proprietário e criador de gado Domiciano Martins dos Reis e Ana Joaquina de Jesus.
Segundo, o Professor Galeno Edgar Brandes em seu livro "Barra do Corda na História do Maranhão", registra que Isaac Martins fora alfabetizado em idade adulta, depois de ouvir queixas de seu genitor após perder uma causa na justiça. O mesmo lamentara-se do fato de ter vários filhos e não havia um, sequer, letrado para defender os interesses da família. A partir disso, o próprio Isaac Martins, vendeu várias cabeças de gado de seu rebanho para investir na própria educação (Castro, 2019, p. 12).
Para tal empreendimento, deixa o seio familiar com destino a cidade de Caxias, centro de efervescência cultural do sertão maranhense, onde conhece as primeiras letras e realiza estudos elementares.
Em 1879 é matriculado do curso de Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito do Recife-PE.
Antes mesmo de concluir o curso, em 1883 é nomeado Promotor de Justiça para de Barra do Corda, pelo governador da Província do Maranhão, Dr. José Manuel de Freitas.
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| (O Publicador Maranhense, 28 de março de 1883, Apud Castro, 2019) |
Em decorrência das condições sanitárias da Vila de Barra do Corda e da epidemia de varíola nos anos de 1882 e 1883 que dizimou considerável número de pessoas, o Dr. Isaac Martins de saúde fragilizada, pede licença remunerada em pelo menos três ocasiões devido a "moléstias" (Castro, 2019, p.17). Num desses intervalos de tempo é que conclui o curso de Direito no Recife.

Em 1884 abre o seu próprio escritório de advocacia em Barra do Corda. No mesmo ano funda uma escola para atender os filhos sertanejos ativando ainda mais o seu engajamento social e político. Ainda naquele ano, pede exoneração do cargo de Promotor Público para pleitear, sem sucesso, o cargo de deputado provincial. No ano seguinte, solicita nomeação de Juiz Municipal de Órfãos do termo de Loreto, sua terra natal. Em 6 de março de 1886, é nomeado para o mesmo cargo para a Vila de Barra do Corda e em 11 de novembro do mesmo ano assume o cargo de Juiz Municipal.
Abolicionista e republicano convicto numa conjuntura em que o Império já cambaleava, fundou em 1888, ao lado de Frederico Figueira, Dunshee de Abranches e Antônio Rocha Lima, o periódico, O Norte, em Barra do Corda, quando naquele contexto tornou-se um
dos principais núcleos de propagação das ideias republicanas no interior
maranhense e o jornal, um instrumento de difusão das novas ideias políticas que prenunciam a derrocada da Monarquia no Brasil.
Com a instauração do regime republicano ascende à magistratura, sendo nomeado juiz de Direito da Comarca de Riachão em 1889. Em fevereiro do ano seguinte é transferido novamente para Barra do Corda.
Em 1891, egresso na vida política pelo Partido Republicano compõe a diretoria da Assembleia Constituinte de 1891 na condição de 1º Secretário.
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| Fotografia parcial da página do Livro da Comissão Constituinte do Maranhão em 1891 |
Em 1892 é o Dr Isaac Martins é afastado da magistratura em retaliação pelo governador nomeado Manoel Belfort Vieira, em razão daquele não reconhecer a autoridade do Chefe do Excutivo estadual. nomeado pelo Presidente da República, Floriano Peixoto. Sempre fiel aos seus ideais, em coerência com suas convicções e pautado no princípio de que
"somente por eleição e nunca por aclamação poderia haver investidura num cargo eletivo". (Filho, Domingos Vieira, 1971, Apud. Castro, 37), não reconheceu a investidura de Belfort Vieira.
Com não era afeto a conchavos, nem tão pouco cortejar os poderosos, permaneceu avulso até seus último dias.
Em de julho de 1898 em viagem a São Luís contrai uma enfermidade que ceifaria a sua vida, às 9h da manhã do 13 de agosto seguinte, quando contava apenas 44 anos.
Assim, silenciou-se a voz do intrépido sertanejo Isaac Martins do Reis: juiz, promotor, educador, jornalista, abolicionista, republicano, deputado constituinte em 1891, o:
"DEPUTADO FEDERAL DR ISAAC MARTINS DOS REIS, O GRANDE LÍDER DO REPUBLICANISMO DOS SERTÕES MARANHENSES."
O enunciado supracitado li pela primeira vez no pátio do colégio Unidade Integrada Isaac Martins em agosto de 1987, quando em primeiro dia de aula na nova escola, pois minha família tinha chegado recentemente na cidade.
Obviamente do alto dos meu dourados 8 anos não tinha dimensão da grandeza de tão ilustre filho do Sertão maranhense representava.
Hoje, tomado de um forte saudosismo afirmo que agora com bem mais clareza de sua relevância histórica, estabeceremos um contínuo esforço para que o protagonismo de Isaac Martins não seja ignorado por aqueles que virão.
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*Há controvérsias acerca da exata data de nascimento de Isaac Martins. A documentação da Faculdade de Direito do Recife registra: Isaac Martins Reis — 18 de abril de 1854 — Maranhão — filho de Domiciano Martins Reis. Entretanto, uma relação baseada no Livro de Certidões de Idade da Faculdade de Direito do Recife registra 10 de abril de 1854. Já a tradição biográfica local, baseada em fontes posteriores, indica 1º de abril de 1854, na Fazenda Santo Antônio, município de Loreto.
BIBLIOGRAFIA
BRANDES, Galeno Edgar. Barra do Corda na História do Maranhão. - São Luís-MA: SIOGE, 1994.
CASTRO, Kissyan. Isaac Martins; Série Barra-cordenses Ilustres. Notas bibliográficas pesquisa e edição de Kissyan Castro. Edições ABCL, 2019.
Um comentário:
Muito enriquecedor!
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