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sexta-feira, 22 de maio de 2026

JOSIMAR, O CINEASTA DA MATA DO JAPÃO

 Por Jean Carlos Gonçalves.

Josimar Cineasta

“Josimar Gonçalves, faz cinema com as unhas!”
(Cineas Santos)

   Há alguns anos atrás assistindo a um programa de entrevistas me chamou muito atenção a expressão metafórica acima proferida pelo apresentador, o intelectual piauiense Cineas Santos, numa emissora de TV de Teresina. Muito utilizada no Brasil para se referir a alguém que realiza um trabalho grandioso mesmo dispondo de poucos recursos materiais e financeiros.
O poeta Salgado Maranhãofalando sobre Josimar Cineasta para o jornalista Cineas Santos.
     
       No caso de Josimar Gonçalves, a expressão ressalta sua capacidade de produzir filmes praticamente de forma artesanal, como os seus longa-metragens com apenas, pasmem, UMA câmera, sustentado mais pela criatividade, persistência e paixão pela cultura popular do que por grandes investimentos ou estruturas profissionais. Disto, verdadeiramente nunca usufruiu. Portanto, evidencia que o cineasta: trabalha com equipamentos simples e limitados; conta com apoio voluntário da própria comunidade; aprende de maneira autodidata técnicas de filmagem e edição; supera dificuldades financeiras e ausência de incentivo cultural; transforma a realidade do sertão maranhense (da Mata do Japão) em arte cinematográfica.

   A frase também possui um sentido de admiração e reconhecimento, pois sugere que, mesmo diante das adversidades, Josimar consegue realizar algo que normalmente exigiria grandes equipes, tecnologia avançada e recursos elevados. Assim, “fazer cinema com as unhas” significa fazer cinema com esforço, improviso, coragem e profundo compromisso cultural.

    No contexto de sua trajetória, a expressão reforça ainda a ideia de resistência cultural: um homem simples do interior do Maranhão que, movido pelo sonho e pela valorização de sua gente, conseguiu transformar histórias locais em obras cinematográficas reconhecidas dentro e fora da região.

   Em março de 2019 apresentei, o Josimar Cineasta, aqui no Ecos de Tuntum https://ecosdetuntum.blogspot.com/2019/01/josimar-goncalves-o-cineasta.html.

      Natural do povoado Socorro, no município de Governador Eugênio Barros, Josimar Gonçalves Costa nasceu em 6 de agosto de 1971, filho de Manoel e Zulmira, retirantes cearenses. Desde a infância, viveu em meio às dificuldades do sertão maranhense, em uma época em que a comunidade ainda não possuía energia elétrica. Foi ouvindo rádios como a Nacional de Brasília e a Pioneira de Teresina que despertou sua imaginação e o sonho de trabalhar com dramaturgia, cinema e fotografia.

     Ainda menino, teve os primeiros contatos com a fotografia por meio de uma câmera adquirida por um irmão mais velho, passando a atuar em eventos da comunidade como fotógrafo. Na década de 1990, mudou-se para São Paulo, onde enfrentou dificuldades e trabalhou em diversas funções, mas continuou investindo em seu sonho artístico, realizando cursos e adquirindo equipamentos fotográficos.

    Em 2000, retornou ao povoado Socorro e, anos depois, iniciou sua trajetória cinematográfica. Seu primeiro filme foi É de mermo mermo (2010), gravado com uma câmera digital simples e sem edição. Em seguida, produziu Trumento I (2011), Trumento II (2012), Zé Budega (2013), O Prefeito Zé Budega (2014) e O Trumento do Pardal (2017). A partir de 2012, passou a dominar técnicas de edição de vídeo de forma autodidata, consolidando-se como cineasta popular da região. Seus dois últimos longa-metragens foram Rio Itapecuru em 2022 e Fogo Azul no ano passado.

    Por mim denominado “o Cineasta da Mata do Japão”, Josimar construiu sua obra inspirado no cotidiano, nos costumes e nas histórias do povo simples do sertão maranhense. Seus filmes misturam humor, ficção e fatos reais vividos pela comunidade, valorizando a cultura popular e os personagens anônimos do interior. Com apoio voluntário de moradores do povoado Socorro e adjacências, suas produções ultrapassaram as fronteiras do Maranhão, chegando inclusive a exibições em São Paulo para públicos nordestinos.

    Além do cinema, Josimar Gonçalves também se destaca como pesquisador da memória local, restaurador de documentos históricos e ativista cultural. Seu trabalho representa um importante instrumento de preservação da identidade e das tradições do centro-maranhense, tornando-o uma das figuras culturais mais relevantes do Maranhão. Ultimamente tem se dedicado em resgatar manifestações culturais praticamente esquecidas na região a exemplo das cantigas das festas de Reis, dança do lindô e do pagade pé de bode e suas músicas, inclusive, tem trabalhado em novas composições.



   Assim sendo, convido-lhes a conhecer as proezas de Josimar, o Cineasta, cujo trabalho é reconhecido por grandes artistas maranhenses e nacionais, como o poeta Salgado Maranhão, Zeca Baleiro, a catora e atriz Zezé Mota e tantos outros. Acompanhe o seu trabalho no canal: https://www.youtube.com/@JOSIMARCINEASTA2024/videos.


O cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro, renomado nacionalmente, elogiando e parabenizando o Josimar Cineasta.
MENINO SONHADOR
No sertão de Eugênio Barros
Onde o vento canta forte
Nasceu um menino simples
Batizado pela sorte
Transformando em melodia
Seu sofrer em brilho forte

Josimar Cineasta desde cedo
Fez da arte o seu caminho
Carregando nas palavras
A verdade do espinho
Mas também levando sonhos
Feito flor pelo caminho

Cantou, escreveu o Socorro
Que marcou geração
Homenageando o povo
Com respeito e gratidão
Para jamais morrer a história
Desse pedaço do Maranhão

Resgatou cultura antiga
Que o tempo quis apagar
Fez o Lindô renascer
No terreiro a balançar
E o Pagode Pé de Bode
Novamente ecoar

Também tem samba, reggae e
Forró, Bolero e carnaval
Quadrilha junina animada
No compasso regional
São trezentas composições
Um talento fenomenal

Mas nem tudo foi sorriso
Na estrada percorrida
Também canta a dor sofrida
Das batalhas desta vida
Da infância tão marcada
Pela luta endurecida

Naquele tempo distante
Nem energia existia
A escola era difícil
Mas não faltava ousadia
Estudava noite adentro
Sob a luz de lamparina

Caderno velho na mão
E esperança no olhar
Aprendeu desde menino
Que era preciso lutar
Pois quem vence a fome
Nunca deixa de sonhar

“Exercício da Prova”
Foi canção de emoção
Retratando a vida dura
Do sofrer do cidadão
Mas mostrando que a coragem
Vence toda escuridão

Hoje o povo reconhece
Seu valor de historiador
Porque guarda nas canções
A memória e o amor
De um Brasil que resiste
No peito do sonhador.

(Guardião da Mata do Japão)

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