Por Jean Carlos Gonçalves.
Há um ano, no dia 21 de maio de 2025, perdemos a presença física de um homem que
foi exemplo de coragem, determinação e amizade: Raimundo Vanduy Morais.
Ex-vereador e o mais jovem presidente da Câmara Municipal de Tuntum, Vanduy
deixou um legado que vai muito além das palavras, um legado vivido em cada ato
de sua vida.
Nascido
em 29 de junho de 1944, no simples e acolhedor povoado Pedra de Fogo, em
Presidente Dutra-MA, depois morou no povoado Mato Verde no município de Tuntum. Aos 15 anos aprendeu e se tornou um excelente alfaiate. Posteriormente se fez professor, leigo é verdade, mas obstinado Vanduy, era inquieto e sempre buscou estudar, se qualificar. Nos idos de 1970 foi para Caxias-MA, cursar o supletivo ginasial. Em seguida regressa ao município e conclue o 2º grau na cidade de Tuntum, onde também exerceu o magistério no Ginásio Comercial e no Ginásio Bandeirantes. A partir de então, passa à vida pública mais intensa e colhe os resultados de quem assume o protagonismo de sua própria vida. Passou em alguns concursos públicos e exerceu o serviço público como: funcionário da Associação
de Crédito e Assistência Rural-ACAR (posterior EMATER); agente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE; servidor do Banco
do Estado do Maranhão e Banco do Brasil, onde se aposentou. Cada uma dessas etapas
revela a fibra de um homem incansável, que soube honrar o trabalho e lutar por
seus ideais.
Candidato a vereador pelo MDB em 1972, no grupo político capitaneado por José Pinheiro Coelho e sua esposa Rita Maria Saraiva Pinheiro (primeira e única mulher a ser prefeita em Tuntum), Vanduy rapidamente conquistou o respeito e a confiança da população, tornando-se presidente da Câmara no biênio 1973-1974 e primeiro secretário no biênio 1975-1976. Sua jovem liderança marcou um breve tempo de renovação, esperança e trabalho, quando contava apenas 28 anos. Entretanto, após o trágico acidente de 13 de maio de 1974, que ceifou a vida de seis pessoas, inclusive a de José Pinheiro, seu grande incentivador, Vanduy passou a mirar outras possibilidades. Assim, priorizou os concursos públicos, deixando a política partidária após o término de seu mandato.
Ao lado
da esposa Necília Nogueira Silva Morais, Vanduy construiu uma família forte e unida, com os
filhos Alan, Fabiano, Káty, Omar e a "filha mais velha" (do coração), Lindalva, que
guardam viva a memória desse homem que tanto fez pelos seus, pelos amigos, pelo
povo.
Em nossa trajetória de amizade (15 anos aproximadamente, possível através de nosso amigo comum, Fabrício Coelho), tive várias demonstrações de sua grandeza. Uma das mais marcantes ocorreu em 10 de abril de 2018, quando o mundo assistiu a maior enchente da história de Tuntum e Vanduy, que soube através dos vídeos e fotografias que produzi das inundações, dos prejuízos materiais e do sofrimento dos atingidos, sem perder tempo, pediu-me o número de uma conta bancária para segundo ele, “fazer uma humilde doação”, atitude que rendeu dezenas de cestas básicas, as quais organizei e entreguei pessoalmente às famílias que avaliei como mais necessitadas naquele momento. Prestei contas de tudo e quando apresentei os comprovantes dos gastos, o meu amigo foi enfático:
“Meu querido, sei que és de boa índole e Tuntum já me deu muito, bem mais do que eu acho que merecia. Consegui aí trabalho para sustentar a minha família, ganhei novas oportunidades e, sobretudo, fiz muitos amigos. Só te peço uma coisa: não conte a ninguém”.
Hoje quebro a promessa que fiz de não divulgar seu gesto de generosidade. Perdoe-me!
A declaração evidencia a grandeza de alma do grande Vanduy Morais, o qual o destino permitiu que vivesse mais 52 anos e alguns poucos dias, pois era para ter feito aquela viagem do fatídico acidente de maio de 1974, mas como ele mesmo me relatou foi dispensado por Zeca Coelho para priorizar a ida de outra pessoa, conforme https://ecosdetuntum.blogspot.com/2026/05/13-de-maio-de-1974-o-mais-tragico.html. Infelizmente partiu tragicamente vítima de um AVC, em um momento inesperado,
próximo à sua residência em São Luís-MA. Do alto de seus 80 anos, estava em pleno gozo de suas faculdades
mentais e isso era evidente pela sua invejável memória, cujas lembranças dos fatos históricos e do cotidiano dos tempos idos, generosamente compartilhou conosco. A sua
ausência física deixa uma imensa saudade, mas também o exemplo de um homem que
nunca se esquivou das responsabilidades e nunca deixou de amar sua terra, de
cultivar novas amizades e fortalecer as existentes.
Neste
primeiro ano de sua partida, a lacuna é impreenchível, ocasião em que reverenciamos
sua trajetória de vida, o seu esforço pessoal para cuidar de sua família,
educar seus filhos, da ternura para com os netos, do afago aos amigos, suas conquistas. Que a lembrança de Vanduy Morais seja
sempre um farol a iluminar os caminhos daqueles que acreditam na força do
trabalho, do respeito e da amizade.
Sua
história permanece viva em cada coração que o conheceu e amou. Seu legado é indelével.
Um Ano de Saudade! Vanduy, o caminho que
ficou.
Hoje faz um ano, amigo,
Que a tua cadeira ficou vazia,
Mas tua risada ficou no abrigo
Das histórias que a memória ainda guia.
Oitenta anos de estrada vivida,
De mãos que souberam ajudar,
De vida contada, bem vivida,
De lições que ninguém vai apagar.
Não te choro como quem perde tudo,
Te guardo como quem ganhou demais.
Se a morte levou teu corpo mudo,
Teu jeito ficou e não sai jamais.
O tempo não apaga, só transforma:
A dor vira saudade mansa,
E a saudade, em cada forma,
Mostra que o afeto não cansa.
Descansa em paz, meu velho amigo.
Se o céu tem conversa, fala por dois.
E se um dia a gente se reencontrar com abrigo,
Vai ser com o mesmo abraço de antes.

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